Um peso chamado ressentimento - porque o carrega na sua vida?

Updated: Jul 4, 2019



Ressentimento e rancor são sentimentos altamente tóxicos. Para além de estarem associados a padrões de relacionamento interpessoal disfuncionais, se não forem eliminados da vivência do sujeito conduzem, invariavelmente, a problemas de saúde. A investigação aponta fortes correlações entre as emoções negativas e doenças como depressão, doenças cardíacas e hipertensão, problemas alimentares como a anorexia nervosa e obesidade, incluindo a obesidade mórbida.

Surgem, por norma, como resultado de situações em que a pessoa se sente injustiçada ou incompreendida e são alimentados pela raiva e frustração não resolvida, ou seja, pelo “lixo emocional” guardado para si. Essa raiva sentida e interiorizada leva a que o sujeito desenvolva rancor pela pessoa a quem atribui a razão do seu mal-estar.

As pessoas tendencialmente rancorosas apresentam um conjunto de comportamentos e atitudes bastante características, como sejam:

  • culpam o outro ou o externo pela situação negativa – expressões como “já me estragou o dia” são bastante comuns. Segundo alguns especialistas a raiva e a frustração resultam de espectativas e idealizações próprias, em relação a algo ou a alguém. Então, a hostilidade e o rancor têm a ver com o comportamento desejado do outro e não com a culpa desse outro, mas o foco na satisfação das necessidades individuais não permite ter esta visão;

  • têm dificuldade em manifestar empatia - a sua estrutura defensiva leva à continuidade do acreditar que foram intencionalmente injustiçados ou magoados. Quando confrontados são bastante defensivos, podem ser hostis, ou mesmo agressivos, recusando uma abordagem compreensiva de se colocar no “lugar do outro”;

  • por norma evitam a comunicação com o “causador da situação”, podendo retirar-se da relação para dar continuidade ao cultivo do ressentimento. A expressão verbal e corporal evidência o desagrado e o desconforto quando forçados à interação.

  • tendem a ver apenas o “lado menos bom” e não conseguem identificar ou deslocar a atenção para algo positivo no outro. Esperam, normalmente o pior e confiar em alguém é um processo penoso e demorado. Podem parecer “zangados com o mundo”.

Para além dos danos próprios a raiva e o ressentimento contaminam os relacionamentos desde muito cedo. Segundo estudos sobre o desenvolvimento comportamental, os bebés são capazes de percecionar a raiva no ambiente familiar e adaptam os seus comportamentos a isso. Crianças muito pequenas são capazes de identificar situações de raiva, tendo por base a recuperação de memórias de situações anteriores.

Então, é possível aprender a não sentir raiva e a não desenvolver ressentimentos?

Sim, é possível, mas o passo mais importante é querer! Querer, tomando consciência que irá ser um desafio e que algumas vezes poderá parecer extramente difícil de conseguir. Querer aprender a sentir o lado mais colorido da vida, querer perceber o lado positivo de cada pessoa, querer desenvolver a capacidade de olhar para "dentro de si" e conhecer as espectativas próprias que estão na base da frustração sentida no relacionamento com outro. E acima de tudo aceitar, verdadeiramente, a imperfeição, quebrando o ciclo de vitimização.

Helena Coelho, psicóloga @Psicomindcare

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