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Adolescência:um período conturbado, ou talvez não.....

 



A adolescência é um período de grandes mudanças.Associado a qualquer mudança há sempre escolhas e por isso ganhos e perdas, sentidas de forma mais ou menos prazerosa.

Esta nova etapa na vida dos filhos, também, nem sempre será fácil para os pais. Surge o chamado estado de "sentimento de ninho vazio"  e numa tentativa de recuperar o filhote que quer voar por si, surgem os conflitos, a necessidade de controlo e o querer sentir que ainda pertencem à vida dos filhos. Haverá ainda a confrontação com as diferenças entre o que os pais idealizaram, as expetativas que foram construindo e os desejos dos filhos. Ou por outro lado, esta fase pode ser sentida apenas como uma nova forma de estar, uma oportunidade para pais e filhos viverem novas experiências.​



Estas alterações na estrutura e na dinâmica familiar, ainda que impliquem alguns ajustes, não serão necessariamente problemáticas, Uma criança que se sentiu amada, crescerá com mais segurança e atingirá a sua individualidade de forma mais saudável e mais confiante. Contudo, este processo de contínuo crescimento, pode ser mais ou menos doloroso em função da compreensão, do suporte e apoio à autonomia e à construção da individualidade. Neste período, o adolescente vê-se numa luta interna e inconsciente, constante entre o querer crescer e o querer permanecer no conforto do que já lhe é familiar, entre o prazer que sente quando está com os seus pares e o desprazer pela falta que sente dos pais (ainda que sinta ser desadequada). Há o encontro com novas formas de prazer pela descoberta da sexualidade. Há tanta coisa nova,  tanto para explorar.....



Como em qualquer fase do desenvolvimento, a susceptibilidade à mudança varia de pessoa para pessoa. Estará directamente relacionada com as competências que cada sujeito vai conseguindo desenvolver ao longo da vida e que lhe  permitirá estruturar-se de forma mais ou menos adaptada.  A chamada rebeldia, não é mais do que uma necessidade, ainda que nem sempre se manifeste de forma ajustada, de construir um Eu, separado dos demais. Se os jovens não se sentem suportados, se não possuírem as ferramentas necessárias à promoção da sua independência e da sua autonomia de forma equilibrada, provavelmente, poderão vir a ser adultos dependentes e, por isso, eternamente adolescentes. Por outro lado, a probabilidade de nesta fase desenvolverem comportamentos de risco será maior. 

Não queremos ter a pretensão de indicar uma proposta milagrosa. Ficam apenas algumas dicas que poderão facilitar o relacionamento entre pais e filho/a adolescente e proporcionar-lhe um crescimento mais estruturado:

  • evite entrar em situações de competição ou de manifestação de supremacia/ poder - o seu filho/a não está a competir consigo, apenas precisa de espaço para crescer;

  • evite fazer comentários negativos, depreciativos ou de comparação, por exemplo, com irmãos ou outros jovens;

  • seja firme, estabeleça regras e limites, mas evite a agressividade e a imposição;

  • promova a autonomia e a responsabilização pelas condutas próprias, mas lembre-se que os castigos poderão cair em "saco roto" ou mesmo agravar um comportamento mais desafiante;

  • tente estar recetivo às diferenças e aos gostos próprios do seu filho/a;

  • tente que o seu filho/a sinta que o seu lar será sempre um lugar onde pertence e onde é bem-vindo;

  • evite pressionar através de comentários que o/a faça sentir envergonhado perante os outros;

  • esteja atento a alterações substanciais no humor, na alimentação em particular nas idas à casa de banho após as refeições;

Evite sentir-se culpado ou que falhou quando algo corre menos bem. Tenha presente que cada pai/mãe faz o que sabe, como sabe e o que julgará ser o adequado para os seus filhos.

Acima de tudo, tenha presente que não tem de ser um super-pai ou super-mãe, por isso não hesite em procurar ajuda se sentir que algo se passa ou que o seu filho/a não estará bem.