Porque vivemos insatisfeitos?


A insatisfação não é necessariamente negativa. É pela insatisfação que o conformismo é abalado sendo um importante indicador de que algo precisa de ser mudado.

Torna-se patológica quando se prolonga demasiado no tempo, quando invade o seu presente num queixume constante relacionado com eventos passados ou com antecipações catastróficas do futuro, com perda de bem-estar e de qualidade de vida.



Que mecanismos estão associados à insatisfação patológica?


  • comparação com os outros - quando se compara há tendência a olhar apenas para o que acredita que não tem ou que não é (com base no sistema de crenças sobre nós próprios). Estas crenças condicionantes, que resultam de processos cognitivos distorcidos, levam a que a pessoa se esforce para ser perfeito, tendo como balizas o que acha que “vê nos outros” em vez de “olhar para si”;

  • necessidade de sentir que tem tudo controlado – tal como a perfeição, a necessidade de controlo entronca com a ansiedade. Mas paradoxalmente, é um mecanismo de manutenção da mesma ao não possibilitar a desconfirmação de que se for feito de forma distinta pode correr igualmente bem;

  • expetativas ou metas irreais – ter desafios pode ser estimulante, contudo quando a realidade percebida não é satisfatória pode haver tendência a criar demasiadas expetativas ou mesmo a ambicionar algo irreal ou que estará fora do seu alcance. A confrontação entre o que se espera, ou que gostaria que acontecesse, e o que realmente acontece trás consigo frustração e uma profunda insatisfação.

Todos estes comportamentos estão associados a um grande esforço, a uma preocupação constante e, consequentemente, ao aumento da insatisfação, perpetuando o ciclo. Por norma, quem é ansioso, vive insatisfeito. Mais do que o momento presente, o próximo passo é sempre o mais importante, na expectativa da satisfação.



O que posso fazer para viver de forma mais satisfatória?


Em primeiro lugar, deixe de “colocar tudo no mesmo saco”. Não é por estar insatisfeito com uma área da sua vida que tudo está mal. Tome consciência e identifique o que está menos bem, mas não permita que essa insatisfação contagie tudo o resto. Analise, separe e selecione os motivos que estão a causar-lhe insatisfação e dirija-lhe o seu foco, individualmente. Pare de se comparar - cada pessoa é única e tem pontos fortes e características a melhorar. Recorda-se da história do patinho feio? Ao perceber-se como um patinho, em vez de um lindo cisne, vai sentir-se sempre feio. Não queira ser como…. simplesmente seja!


Isto implica um mecanismo de aceitação. Não de uma aceitação de tudo (que a médio prazo levaria a que sentisse que não estava no comando das decisões da sua vida e a uma maior insatisfação), mas aceitar que há características suas que não precisam de ser mudadas, enquanto há outras que pode facilmente melhorar.


É começar por aceitar que algo precisa ser mudado e tomar as atitudes que o levam a essa mudança. Mas é também, aceitar que há muitas situações que não dependem exclusivamente de si e das suas atitudes. No fundo é ter a capacidade e a motivação para mudar o que tem de ser mudado e aprender a sentir-se bem com tudo o resto que tem.


Por fim, seja genuinamente positivo (qb), por si e para si! Mais importante de como se mostra aos outros são os seus diálogos internos, que podem ser destrutivos e desencorajadores. A sua postura e as considerações que faz sobre si vão ficando registadas na sua mente, alterando os circuitos neurais e a sua neuro-química, com impacto no seu bem-estar físico e psicológico.

Helena Coelho, psicóloga @Psicomindcare


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