Há dois tipos de pessoas fraude: as que são fraude para si próprias e as que são fraude para si e para os outros.


As pessoas fraude para si próprias tem uma imagem grandiosa de si. Escondem as suas vulnerabilidades através da construção de uma auto-imagem hipervalorizada, alimentada por comportamentos que procuram a sua manutenção, ou seja, envolvem-se numa bolha de evitamento da auto-crítica e da introspeção construtiva.

Por outras palavras consideram-se pessoas inquestionavelmente corretas (apesar de muitas vezes aparentarem humildade) e não conseguem, genuinamente, colocar-se no lugar do outro ou compreender distintos pontos de vista, pois o seu sistema de representações funciona numa ótica de, “se não concordas comigo é porque estás errado”, “se não estás comigo estás contra mim”.

Gentileza, palavras doces e até algum altruísmo funcional, são máscaras que possibilitam a auto-alimentação da fraude. Quando estas defesas falham, salta a arrogância e a desconsideração.


As pessoas que são uma fraude para si e para os outros alimentam-se do que recebem do mundo externo. As suas defesas não permitem que tenham tantas certezas sobre as suas competências e por isso são particularmente sensíveis ao elogio. Tendem a identificar-se com quem as faz sentir bem. Muitas vezes, as pessoas fraude identificam-se com outras pessoas fraude. Procuram, o palco e o aplauso, apesar de isso não ser totalmente consciente. Fazem-no, por exemplo, através das redes sociais construindo um universo de seguidores. Vivem numa fachada de grandiosidade e até de felicidade. Mostram-se como gostariam de ser, mas não como realmente são. Funcionam, por vezes, num modo de positivismo autista, que possibilita ignorar falhas, mantendo a integridade dum eu frágil e inseguro.

Noutros casos há tendência à vitimização como forma de obter uma resposta de enaltecimento. Há uma procura constante de validação e valorização do EU através do outro.

Também rejeitam a crítica mas tendem a ser mais reativas, em vez de as não considerar. Então, vão minando como um cancro silencioso, procurando apoios, alguém que “pense como elas”, que confirme a sua correção. Nesta procura podem ser bastante destrutivas, culpam o outro e o externo, guardam ressentimentos e lixos emocionais tóxicos, que atuam como substrato para a manutenção da sua própria fraude.


Helena Coelho, psicóloga @Psicomindcare

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