Porquê é que a depressão te afasta?
- Helena Coelho

- 2 days ago
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Updated: 11 hours ago
Quando estás deprimida, acordas e já sentes que estás em falta. O teu parceiro faz uma pergunta simples, “Dormiste bem?”, “Como estás hoje?” e só de pensar em responder já ficas exausta. Não porque não queiras falar, mas porque tudo parece exigir mais energia do que tens. Às vezes respondes de forma curta demais e percebes, pelo rosto dele, que ficou sem entender. E começa a culpa: "só estou cansada", respondes em tom de justificação.
No dia a dia, pequenas tarefas que antes eram normais, parecem montanhas. Vês o esforço do outro para puxar por ti. Quando consegues, até agradeces por dentro, mas outras vezes isso ainda te faz sentir pior, faz-te sentir que estás a arrastar a relação para baixo, que és um peso.
Há momentos em que te afastas sem perceber. Ficas no telemóvel mais tempo, deixas conversas a meio, respondes “não sei” a quase tudo. Não é desinteresse; é falta de capacidade mental para lidar com mais alguma coisa. E quando o teu parceiro pergunta se estás chateada, a frustração e a irritabilidade cresce, não (só) com ele, mas contigo. Não consegues explicar.
A intimidade também muda. Não pela falta de amor, mas porque o toque, o carinho ou até o sexo exigem uma presença que não consegues garantir. Às vezes dizes " hoje não” e temes que soe a rejeição. E, mesmo quando o outro compreende, tu continuas a sentir que estás a falhar.
E há um pensamento recorrente que nunca dizes em voz alta: o medo de que o outro acabe por se cansar. Não porque não te ame, mas porque a convivência com a tua falta de energia, com a tua ausência temporária, com os teus silêncios, é dura. Tentas compensar, mas nem sempre consegues. E isso dói mais do que a própria tristeza.
No meio de tudo isto, o que mais alivia é quando o outro não espera que sejas a tua versão antiga e compreenda, sem complacência, que a tua falta de entusiasmo não é falta de amor. É só a depressão a ocupar espaço demais. Nos dias em que isso acontece, o fardo fica menos solitário.
Helena Coelho
Psicomindcare










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