O tempo cura tudo. Será mesmo assim?



Ouvimos com frequência alguém dizer a um amigo que está a passar por um período difícil algo como “ tem calma, com o tempo isso passa”. Mas o tempo vai passando e o mal-estar permanece o que leva a que a pessoa se sinta incapaz e frustrada, agravando ainda mais o seu sofrimento.

Tendencialmente pode mascará-lo, deixa de manifestar os seus sentimentos usando artefactos (muda de assunto, descarta-se da conversa, faz risota). Outros podem desenvolver atitudes de agressividade, raiva, intolerância, superficialidade, desligamento emocional e/ou outros. No fundo tentam proteger-se, defender-se do que lhes é doloroso.

Se é verdade que o tempo pode relativizar os contextos vividos, por si só não resolve os problemas nem o sofrimento. Não é o tempo que cura e sim a capacidade de cada pessoa em refletir e tomar consciência da razão de ser da sua dor. Perceber o que magoa, o que leva a um vazio existencial ou à insatisfação pessoal é o primeiro e mais importante passo no sentido da mudança.

O que pode, então, fazer?

Não tenha vergonha ou culpa de se sentir mal: cada pessoa tem uma história, vivências e percursos de vida que são só suas, como tal cada um de nós dá significados diferentes aos acontecimentos. O que pode não ter significado para uma pessoa pode assumir uma importância gigantesca para outra. Isto apenas quer dizer que somos diferentes e como tal reagimos de maneira diferente aos acontecimentos.

Não tem de ser forte: se partir uma perna irá procurar cuidados médicos e certamente ninguém lhe dirá “ isso com o tempo passa”. Claro que o tempo irá contribuir para curar essa fratura, mas sem cuidados específicos a recuperação será difícil e as mazelas poderão ser irrecuperáveis. Então porque se esconde e ignora a dor emocional? Por muito assustador que lhe pareça, reconheça-a e “mexa-lhe”, pois só assim poderá conseguir ultrapassá-la.

É possível mudar: cada um de nós tem tanto que não explorou, que não conhece, que por medo da “dor” nunca se permitiu experimentar. Sabemos que não é fácil, mas é possível dar novos contornos e significados às situações que sentimos como negativas. Quando não estamos bem, tendencialmente colocamos “tudo na mesma sacola”. Pensamentos como: “não consigo,” não aguento mais” são resultado disso mesmo. Nomear e isolar o que nos faz sentir mal, possibilita ficarmos mentalmente disponíveis para o que nos faz sentir emocionalmente bem.

Faça esta viagem. Acima de tudo acredite que merce sentir-se bem e que deve investir no seu equilíbrio emocional. Conheça-se, perceba o que está assentir e porquê o está a sentir. Não se resigne, mas aceite-se tal como é, tire partido dos seus pontos fortes e principalmente reverta a seu favor as suas fragilidades.

Helena Coelho

Psicóloga Clínica

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