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PHDA: longe da vista longe do coração. Será?

Embora o conceito de permanência do objeto seja desenvolvido na infância (saber que algo existe mesmo quando não o vemos), na PHDA ocorrem com frequência situações de "longe da vista, longe do coração". Os amigos reclamam, a família reclama e a pessoa sente-se diferente e culpada, mas na verdade isto tem a ver como o cérebro funciona na PHDA.


Porquê é que isto acontece?


Quando uma pessoa sai do campo de visão ou da rotina diária, a representação mental dessa ausência torna-se menos ativa.

Isto não significa falta de afeto ou desligar emocional, tem a ver a atenção e com a memória de trabalho que fica ocupada com estímulos mais atuais e imediatos.


As pessoas com PHDA vivem num sistema temporal simplificado: existe o "Agora e o Não Agora". Como a saudade é um sentimento que cresce com a perceção da passagem do tempo e o cérebro neurodivergente tem dificuldade em medir quanto tempo passou efetivamente, três semanas podem parecer três dias.

Sem uma noção real de distância temporal  a sensação de falta demora mais tempo a manifestar-se.


Além disso, durante episódios de hiperfoco, a pessoa com PHDA pode ficar tão concentrada numa tarefa ou interesse específico que outros estímulos passam temporariamente para segundo plano. Nesses momentos, é comum perder a noção do tempo, esquecer-se de comer, esquecer mensagens, compromissos ou demorar a perceber a ausência de alguém.


É crucial compreender que isto é uma diferença funcional e não uma falha de caráter. A ligação afetiva permanece intacta, o que muda é a forma como o cérebro sinaliza a falta dessa ligação no dia a dia.


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