QUANDO PROCURAR UM TERAPEUTA DA FALA

Updated: Jul 4, 2019



Ao contrário do que muitas vezes é sugerido podemos recorrer a um terapeuta da fala, mesmo quando ainda não sabemos falar. Por diversas vezes ouvimos como é prematuro iniciar terapia da fala antes dos 3 anos de idade, mas a idade não é o factor determinante para procurar ou não a opinião de um Terapeuta da Fala, mas sim as dificuldades que a criança poderá apresentar. A intervenção precoce ajuda a prevenir problemas que podem comprometer uma aprendizagem saudável e um normal desenvolvimento.

Sempre que se verifiquem alterações no domínio da comunicação, linguagem (oral ou escrita), articulação, fluência, voz, audição, motricidade orofacial, sucção, mastigação e deglutição, deve-se recorrer à avaliação de um especialista.

É importante que os pais estejam atentos a variados sinais de alerta ao longo do crescimento da criança, permitindo diagnosticar precocemente possíveis patologias e intervir adequadamente.

Sinais de alerta no desenvolvimento da comunicação e linguagem:*

0-2 meses

  • não reage aos sons e ao meio

  • é demasiado irritável e sonolento

2-4 meses

  • não sorri

  • não discrimina vozes familiares

  • chora ou grita sempre que se lhe toca

4-6 meses

  • tem falta de interesse pelas pessoas e pelos objectos

  • não localiza ou deteta um som

  • não vocaliza ou deixa de emitir sons

6-8 meses

  • não faz trocas de diálogos, conversas

  • não faz balbucio ou vocaliza de modo monótono

  • não faz ou não mantém contacto ocular

8-12 meses

  • apenas compreende linguagem acompanhada de gestos

  • não entende “adeus” para ir embora

  • não responde ao nome

  • não olha para a mãe ou pai em resposta a um pedido

  • não imita acções e sons familiares

  • vocaliza pouco e não faz um pedido de forma clara

12-18 meses

  • compreende poucas palavras ou frases

  • não usa palavras ou deixou de usar

  • não imita e não balbucia

  • não aponta

  • não olha quando o chamam

18-24 meses

  • não sabe o nome de objectos familiares

  • não responde a ordens simples- Não faz pedidos

  • tem vocabulário reduzido

  • produz poucas consoantes

2-3 anos

  • não responde a perguntas fechadas (“sim” e “não”)

  • não aponta para partes do corpo a pedido

  • só usa palavras simples e não combina duas palavras

  • não tem intenção de comunicar

  • repete o que os outros dizem, mas não responde ou interage com o outro.

3-4 anos

  • tem uma compreensão fraca e não executa ordens de duas ideias

  • não responde ou não faz perguntas

  • tem dificuldade em exprimir-se e fá-lo essencialmente por gestos

  • usa apenas frases simples e curtas

  • o discurso é imperceptível para estranhos

4-5 anos

  • não diz o nome das cores primárias

  • não responde a perguntas: “O que é?”, “Porquê?”, “Como?” e “Quanto?”

  • não usa a linguagem socialmente

  • não faz diálogos

5-6 anos

  • pronuncia mal as palavras

  • não conta o seu dia a dia, nem histórias

  • não usa frases complexas e não compreende noções de tempo e espaço

  • não usa pronomes possessivos

>6 anos

  • não mantém o tópico de uma conversa ou responde fora do contexto

  • precisa de repetição constante quando se pede algo

  • tem dificuldades na rima e nos sons das palavras

*Adaptado de: “O gato comeu-te a língua?” de Joana Rombert

Para além destes sinais de alerta é de ter em atenção também se a criança: não faz sucção; tem dificuldades em engolir e/ou engasga-se com muita frequência; baba-se muito e tal não é justificado pelo surgir da dentição; não mastiga, prefere tudo passado a sólidos; gagueja há 6 meses de modo persistente ou cada vez de modo mais acentuado.

Se observar alguns destes sinais de alerta existem razões para pedir uma avaliação ao Pediatra ou Terapeuta da Fala. É importante detectar alguma alteração no desenvolvimento da criança o mais cedo possível , uma vez que a intervenção terapêutica apresenta um prognóstico tanto mais favorável quando mais precocemente for iniciada.

No entanto, a deteção mais tardia das dificuldades não impede uma intervenção bem sucedida. Esta poderá ser mais demorada, uma vez que a criança terá que reaprender novos comportamentos linguísticos, comunicativos e/ou musculares, tendo que substituí-los pelos padrões que entretanto foi automatizando.

Marta Nunes, terapia da fala na Psicomindcare para @UptoKids

#Terapiadafala #desenvolvimentodacomunicaçãoelinguagem

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