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Psicoeducação: o que é, para que serve?

A Psicoeducação constitui uma forma interventiva estruturada, didática e sistemática, no âmbito das vertentes da Psicologia: Educacional, Social e da Saúde.

No caso específico da área clínica, atuando-se sobre uma perturbação ou tratamento, pretende-se alertar o indivíduo para os aspectos promocionais da saúde e preventivos da doença, assim como capacitar o paciente e/ou os familiares / cuidadores na gestão de (novas) situações decorrentes da doença já instalada.

Estudos vêm demonstrando que as intervenções psicoeducativas têm sido eficazes em doenças crónicas ou no processo de envelhecimento e demência, quer na redução de sintomatologias, quer no aumento da compreensão e adesão aos tratamentos. Por exemplo, ao nível da perturbação bipolar, da depressão, de psicoses, na doença oncológica, no HIV/SIDA, na doença degenerativa, na dor, no comportamento alimentar, em situações de doença aguda, entre outras, a Psicoeducação assume-se como um modelo que potencializa outros resultados terapêuticos (farmacológicos, psicofarmacológicos, fisiátricos) e em alguns casos reduz o número de internamentos hospitalares, na medida em que, conforme a especificidade de cada doença, o paciente e cuidadores passarão a ter mais conhecimento sobre a doença em si, adopta(m) estratégias e aprende(m) a gerir melhor situações de crise, o stress associado é reduzido, lida(m) mais adequadamente com as rotinas decorrentes e, no geral, valoriza-se o papel social do paciente.​

 

Podendo ser praticada em meio familiar ou institucional, esta metodologia aposta na activação de recursos emocionais, sociais, materiais considerando-se o contexto biográfico, além de que contribui para manter e/ou criar uma rede social de apoio. O paciente e a família / cuidadores são dotados de ferramentas que lhes permitam considerar a vulnerabilidade percebida para um comportamento de saúde, reorganizar a sua identidade face à condição funcional e psicossocial adversa (enquanto indivíduo e enquanto família), adequar expectativas e valorizar os resultados sobre um comportamento alternativo ajustado.


Neste âmbito da Psicologia Clínica e da Saúde, a abordagem psicoeducativa, em geral, deve privilegiar a pessoa em vez do problema, a relação pessoa – família ou rede social e, inclusivamente, a saúde mental dos cuidadores. Para a maior assimilação dos comportamentos positivos e extinção dos não desejáveis, devem ser ressaltadas orientações sobre técnicas de reforço, identificar-se os aspetos psicológicos e sociais que são simultaneamente causa e consequência na variação do estado de saúde e de bem-estar e que recursos o indivíduo e cuidadores (e até mesmo, a comunidade) dispõem e / ou devem adquirir com vista a uma intervenção eficaz perante o novo estilo de vida e face ao impacto da doença no ânimo e funcionalidade da pessoa.