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... o brincar é por si mesmo uma terapia

D. Winnicott

era uma vez um cãozinho que estava muito triste porque o dono não gostava dele… ele queria brincar com o dono, mas ele não tinha tempo para brincar com ele​"

(excerto duma história contada por uma criança de 5 anos com quadro depressivo)​



A infância está geralmente associada a um período de bem-estar, alegria e sentimentos de proteção.Talvez por isso, o problema da depressão infantil não seja fácil de aceitar, sendo muitas vezes recusado ou ignorado.

Nas últimas décadas a associação entre “mal-estar” infantil e o desempenho escolar tem sido estudada por vários investigadores. Segundo estes estudos, as crianças com problemas escolares (em termos de capacidades cognitivas e competências sociais) parecem ter níveis de depressão mais elevados, independentemente de até mostrarem terem boas capacidades intelectuais. Infelizmente, se a depressão não for tratada a criança acabará realmente por perder capacidade de aprendizagem.

Nem sempre é fácil para a família e educadores estarem em alerta para os sinais de alerta da depressão infantil, sendo os sintomas, frequentemente, associados a outros problemas.

 

 

​Perceber que uma criança não aprende porque “está triste”, não é fácil para os pais. Perante “falsos diagnósticos”, por vezes os pais optam por encaminhamentos que apenas têm como objetivo aumentar os resultados escolares. Sem estarem a resolver realmente o problema, de certa forma, até podem estar a agravá-lo.

 

Um dos sintomas que vulgarmente se confunde com depressão é a tristeza. Uma criança triste não é, necessariamente, uma criança deprimida. A tristeza em determinadas situações é um sentimento normal e até adaptativo. Em crianças mais velhas a expressão do mal-estar é conseguido através de comportamentos e verbalizações. Contudo, as crianças mais pequenas, nem sempre conseguem expressar a profundidade da sua tristeza. Por vezes ela é expressa de forma lateral, pelas histórias, desenhos, etc..

 

A manifestação das suas angústias poderá, também passar por um comportamento instável que oscila entra a passividade/desinteresse e a agressividade, a desatenção, a irrequietude, que pode ser confundido com outros problemas, como exemplo a hiperatividade. Nas crianças é ainda comum que depressão seja acompanhada de sintomas físicos, como por exemplo, cansaço sistemático e não justificado, dores de cabeça não explicadas por razões físicas, perda de apetite ou, por contrário, comer em excesso, pode muitas vezes acordar a gritar/chorar sendo difícil de acalmar e sem se lembrar na manhã seguinte sobre o que sonhou, as famosas “dores de barriga”, etc..


Outro dos sintomas de depressão infantil é a perda de interesse por actividades de que anteriormente eram do seu agrado e que lhe davam prazer. A angústia/ansiedade que a acompanha pode, também, levar ao medo exacerbado de alguém ou de algo, podendo mesmo vir a desenvolver fobias (da escola, de trovoadas, de certos animais, etc.) e a comportamentos obsessivos/repetitivos (exemplo: fazer uma birra enorme se os pais num dia se atrasam quando o vão buscar à escola, ou porque não comprou os cromos que habitualmente vão comprar).


Para além das consequências imediatas já enunciadas a depressão infantil, se não for detetada e tratada, terá sequelas ao longo do processo de crescimento e na idade adulta, podendo-se desenvolver outros quadros patológicos graves. Muitos dos adultos cronicamente deprimidos, com graves problemas de ansiedade, com inadaptação profissional e social, obesos, entre outras patologias., terão sido crianças deprimidas sem que ninguém tivesse "dado por isso".