psicomindcarepsicomindcarehttps://www.psicomindcare.pt/blog-pmcOs ciúmes na criança. O segundo filho.]]>Paula Norte, psicóloga clínica na Psicomindcare para @Up To Kidshttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2019/02/06/Os-ci%C3%BAmes-na-crian%C3%A7a-O-segundo-filhohttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2019/02/06/Os-ci%C3%BAmes-na-crian%C3%A7a-O-segundo-filhoWed, 06 Feb 2019 15:17:38 +0000
Os ciúmes, presentes durante toda a vida da criança, podem manifestar-se na idade adulta, mas não durante o aleitamento.
A explicação é muito simples: os ciúmes surgem sempre numa situação a três, e para o bebé, do ponto de vista afectivo, só existem duas pessoas – ele e a mãe. O bebé, vai percebendo, a pouco e pouco, que a mãe também tem de dar atenção a outras pessoas e essas pessoas transformaram-se automaticamente em seus rivais na disputa do carinho materno.
O estabelecimento de novas relações com a mãe deve ser gradual, para evitar ao filho ciúmes desnecessários.Os carinhos e mimos dados na altura própria, a demonstração de que o filho desempenha um papel da maior importância e a progressiva introdução de normas de conduta irão levando à superação do problema.
Os ciúmes dos irmãos representam um problema mais difícil. O segundo filho, costuma chegar, quando o primeiro tem 18 meses a três anos e meio. A consequência é de que a mãe tem de dedicar a maior parte do seu tempo ao novo bebé. Para o filho mais velho é como se o mundo se desmoronasse.
A criança com ciúmes pode ter comportamentos exagerados nomeadamente:
A agressão física ao irmão,A enurese (nova perda do controle dos esfíncteres), O retrocesso na fala,Ou o regresso a comportamentos anteriores já superados.
De uma maneira geral, estes comportamentos costumam ser dirigidos em dois sentidos. Anular o irmão, ignorando-o, e reconquistar a mãe, fazendo-se mais pequeno e procurando ter graça de qualquer modo.
Os ciúmes são uma das muitas crises por que passam as crianças e não se lhes deve dar excessiva importância. No entanto, deve procurar-se diminuí-los o mais possível e facilitar a sua superação.
Uma situação critica de ciúmes pode revelar comportamento incorrecto da mãe.
A superação desta crise passa pelo sentido materno de justiça, não significando aqui justiça dar igualmente a ambas as partes. Falar de partes iguais entre um bebé recém-nascido e uma criança de três anos é como dividir um peixe igualmente entre uma pessoa e um gato.
O importante é dar a cada um aquilo de que precisa. E não tirar a um aquilo que não faz falta ao outro.
A criança desta idade costuma descobrir rapidamente que consegue atrair para si a atenção da mãe, se se aproximar do irmão. Deve-se estimular este processo, pois permite muitas vezes solucionar o problema.
Em qualquer caso, o que se deve fazer é distinguir as duas crianças, e não compará-las. Não quer dizer que um dos filhos é melhor que o outro. O que se passa é que um deles é maior.
Dar realce às possibilidades reais da criança maior e às limitações verdadeiras da mais pequena, salientar as diversas vantagens das suas diferenças pessoais e a possibilidade de se completarem, costuma ajudar a melhorar a situação.
Normalmente, o problema começa a solucionar-se quando a criança se relaciona com outras, nas suas brincadeiras, e dá escape às suas rivalidades, mais ou menos desportivamente, dentro do grupo.
Não devemos esquecer que o filho mais novo também pode vir a sentir ciúmes do mais velho.
Durante o processo de separação entre o bebé e a mãe, podem surgir ciúmes desse tipo após os dois anos. Como é lógico, este tipo de ciúmes é mais atenuado. A criança viveu sempre com o irmão e a rivalidade pelo carinho da mãe já lhe é familiar.
Todo este problema se costuma repetir do segundo filho para o terceiro, e assim sucessivamente, mas sendo cada vez mais atenuado quanto maior é o número de irmãos.
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“NÃO DEIXE PARA AMANHÃ O QUE SE PODE COMER HOJE!”]]>Alice Patrício, psicóloga na Psicomindcarehttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2019/01/24/%E2%80%9CN%C3%83O-DEIXE-PARA-AMANH%C3%83-O-QUE-SE-PODE-COMER-HOJE%E2%80%9Dhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2019/01/24/%E2%80%9CN%C3%83O-DEIXE-PARA-AMANH%C3%83-O-QUE-SE-PODE-COMER-HOJE%E2%80%9DThu, 24 Jan 2019 22:18:22 +0000
“NÃO DEIXE PARA AMANHÃ O QUE SE PODE COMER HOJE!” - Adição e Compulsão por comida
Há alimentos que sabemos que se provarmos, ainda que sem fome, dificilmente vamos conseguir parar de os comer até acabarem. Mesmo quando achamos que já é suficiente ou ultrapassada a dose. Essa crença de que precisamos acrescentar mais um bocado domina o nosso cérebro, neutraliza-nos e, sem distinção por faixa etária, género ou classe social, a acção domina o pensamento – ou como preferem certos autores, “a mente torna-se refém do corpo”.
Mas podemos chamar isso de adição?
A adição não passa por ser uma decisão, até porque, nestes casos, esse controle perde-se e persiste o registo. É uma dependência física e psicológica, como por uma droga, álcool, tabaco, jogos, mentira, entre outros.
Qualquer adição configura-se como uma tentativa tranquilizadora, de curto prazo, de preencher o vazio de não ser, de resolver um problema, uma investida para manter afastadas da consciência experiências percepcionadas como dolorosas, angustiantes, de ódio, de culpa ou de qualquer outro estado de tensão psíquica. Pretende ser uma busca de significado para a vida, mas passa, sobretudo, por uma falha no desenvolvimento psico-emocional com associação a patologias, com sofrimento psíquico persistente, que nos afecta o estado de humor, o comportamento e as inter-relações. Concretamente no âmbito alimentar, os nossos sentimentos mais íntimos expressam-se no que escolhemos comer e na forma como comemos, sendo que a comida não é o real problema, mas uma forma de lidar com o problema.
Longos períodos vivenciando situações de stress vão estimular a hormona adrenalina, levando-nos a consumir mais açúcar e gorduras e a suscitar em nós sensação de mais calma. Na outra face da moeda, estudos vêm referindo que a ingestão aditiva constante de açúcar produzirá alterações neurológicas com efeitos no comportamento semelhantes à adição à cocaína.
Exemplificando, chocolates, batatas fritas, snacks muito salgados ou muito doces são produtos popularmente reconhecidos como “adictos” ao paladar, raramente ocorrendo o mesmo com um prato de sopa ou um prato de vegetais acabados de colher da horta. A justificação é que percepcionamos sobretudo os alimentos ultra processados e de sabor mais intenso, algumas texturas mais suaves ou crocantes como reconfortantes.
Já a compulsão alimentar por determinado produto difere da adição pela voracidade recorrente com que se come, inferindo-se aqui uma perturbação alimentar circunstanciada, previamente, por um quadro de ansiedade, de depressão ou até por algum desequilíbrio metabólico. Por exemplo, num impulso, come-se um pacote de bolachas porque a vontade de comer é tanta, que não se pode esperar para a satisfazer. Ainda que o alimento coincida com qualquer um dos referidos como exemplo no caso das adições.
Para ambos os casos, agravado com eventual falta de rotinas das comidas / refeições há quem atribua a designação de “comedores caóticos”. Igualmente, decorrente de ambas as situações, os distúrbios alimentares que mais se destaca como consequência são a obesidade e a bulimia. Ou seja, as actuações aditivas e/ou compulsivas expressam-se no corpo por dificuldade em conhecer ou aceitar a incerteza, em elaborar experiências sensoriais – ou estas somente delimitadas a gratificações orais sobre fantasia de segurança e de afecto – em ressignificar sensações e emoções e, como resultado disto, comprometimento da capacidade de pensar. Conforme uma abordagem psicanalítica, como se o objecto transicional vulgarmente usado pela criança (chucha, fralda, peluche) deixasse de ser transitório para passar a definitivo em idades posteriores. Ou como se a comida existisse para ser sobrevalorizada como forma de comunicar e substituir sentimentos e afectos.
Em termos de tratamento, sem dúvida que o melhor caminho é o da prevenção, com a participação conjunta da família (especialmente em casos de crianças e adolescentes) e dos clínicos (endocrinologista, nutricionista, psicólogo). Uma vez o problema já instalado, a família continua a ser um parceiro relevante pois muitas vezes facilita tais gratificações imediatas, não interferiu nem interfere convenientemente no controle dos impulsos e, outras vezes, também já transporta sintomas de obesidade ou de bulimia.
Paralelamente a um acompanhamento técnico à medida de cada um, ajudará:
Reparar como o corpo reage a situações de stress;Procurar actividades alternativas que o/a satisfaçam e o/a mantenham distante da comida fora dos horários habituais das refeições;Redescobrir a comida como modo de vida saudável, aprendendo mais sobre o seu valor nutricional e ajustamento ao metabolismo de cada um;Praticar técnicas de relaxamento.
Alimentarmos-nos é uma actividade fisiológica normal… sempre que conseguimos ter uma relação normal com o nosso corpo.
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Com o que não deve, nunca, castigar!]]>Helena Coelho, psicóloga clínica na Psicomindcare para Up to Kids@https://www.psicomindcare.pt/single-post/2019/01/14/Com-o-que-n%C3%A3o-deve-nunca-castigarhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2019/01/14/Com-o-que-n%C3%A3o-deve-nunca-castigarMon, 14 Jan 2019 16:59:36 +0000
Os castigos sempre fizeram parte da humanidade. Por mão divina, recriações mitológicas ou julgamentos humanos vem punir o erro, a atitude e o comportamento desviante.
Até há bem poucos anos eram essencialmente corporais. Os países do norte da Europa foram dos primeiros a considerar crime os castigos violentos a crianças e adolescentes.
Com a introdução dos estudos comportamentais começaram a ser postas em prática outras técnicas de regulação comportamental, como por exemplo, o time out (ou tempo para pensar) que até pode ser interessante na medida em que promove a capacidade reflexiva da criança. Mas quando se lhe diz “agora ficas aí de castigo a pensar no que fizeste” todo o objetivo é desvirtualizado. O pensar sobre as atitudes fica associado a uma punição, ou seja, algo a evitar.
Os castigos foram então “evoluindo” para uma forma mais aceite e mais intelectual – os castigos restritivos. Provavelmente já terá ouvido pais comentarem – eu não bato nos meus filhos, eu castigo-os!
As punições trazem consigo a manutenção do auto-conceito de bons pais, exigentes e que educam os filhos corretamente.
Conhece alguma criança que não teste os limites, fazendo tudo certinho, sem erros e correspondendo automaticamente ao que lhe pedem? Se a sua resposta é sim… algo estará mal com essa criança.
E se as dinâmicas familiares têm vindo a sofrer alterações, as respostas pelos castigos são, também, o resultado disso. Então, fará sentido ter castigos ou enfrentar consequências? Qual a diferença?
Castigos ou consequências?
Os castigos não têm uma lógica associada à ação praticada. De uma maneira simples, seria idêntico a você não parar num sinal vermelho e em vez de pagar a multa ser-lhe descontado um dia de férias!
Já as consequências têm diretamente a ver com a ação ou comportamento incorreto e por isso existe uma lógica interiorizável. E se a aprendizagem for positiva em vez punitiva o comportamento desejado é conseguido de forma mais saudável. Dito de outra forma, se em vez de castigos optar por consequências e objetivos a alcançar a criança aprende a regular-se não pelo medo de represálias, mas pelo desejo de conquista e porque se sente bem.
Se ainda assim, lhe faz sentido usar castigos para punir comportamentos, há situações a que NÃO deve jamais recorrer:
Usar as atividades de lazer ou desporto.
Se o desporto é algo bom e saudável, castigar com ausência destas atividades cria associações negativas e, com a recorrência, desmotivação para a prática. Lembre-se – desporto é saudável, não pode ser usado para punir.
Hora de dormir
Dizer “agora vais para a cama de castigo” é meio caminho andado para arranjar vários problemas na hora de dormir, que se arrastam por vezes até à idade adulta. Há adultos que, curiosamente, dormem muito bem no sofá mas quando vão para a cama perdem o sono… porque será?
Ficar sozinho e/ou fechado.
Fechar a criança no seu quarto ou dizer-lhe “agora vais sozinho para o teu quarto” é dar corda às angústias de separação e alimentar a ideia de que estar sozinho é algo negativo e a evitar. Mais tarde tenderá a isolar-se para não ser criticado ou a criar distanciamento quando discorda ou quer mostrar desagrado.
Usar os trabalhos escolares.
Felizmente são cada vez menos os professores que passam TPC’s como castigo ou que mandam escrever repetidamente uma ou duas folhas com “não vou voltar a portar-me mal”. Há pais que ainda usam os TPC para castigar, algo do género “agora como castigo não vais ver mais desenhos animados e vais fazer os TPC’s”.
Escrever não pode ser castigo, aprender não pode ser castigo, pelo contrário as aprendizagens escolares devem ser reforçadas positivamente.
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A INFLUÊNCIA DA MÚSICA NO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM]]>Marta Nunes, Terapeuta da Fala na Psicomindcare para uptokids.pt/ ®https://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/11/12/A-INFLU%C3%8ANCIA-DA-M%C3%9ASICA-NO-DESENVOLVIMENTO-DA-LINGUAGEMhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/11/12/A-INFLU%C3%8ANCIA-DA-M%C3%9ASICA-NO-DESENVOLVIMENTO-DA-LINGUAGEMMon, 12 Nov 2018 16:50:24 +0000
Sabia que a música tem uma grande influência no desenvolvimento da linguagem das crianças?
Muitos estudos demonstram a importância da estimulação precoce em aulas de músicas, mas também no quotidiano da criança, tanto em casa como no jardim de infância, tendo um grande potencial nos vários níveis de desenvolvimento infantil.
A conexão estabelecida entre as pessoas e os sons é tão primordial que se inicia antes mesmo do nascimento. Sabe-se que a formação das estruturas auditivas no bebé se dá por volta do 5º mês de gestação. Nesse período, o bebé tem contato com a sua primeira referência de ritmo musical: o batimento cardíaco materno.
Antes de nascer, ele já reconhece o timbre da voz da mãe e já responde a estímulos sonoros: Após o sistema auditivo estar formado, já aprecia todo o reportório musical e os sons com os quais a mãe tem contacto.
Como reage o nosso cérebro à música
O nosso cérebro parece ser moldado pelas experiências proporcionadas nos primeiros anos de vida, e o cérebro de um músico tem características diferentes do cérebro de uma pessoa que não tenha tido contacto com a música na infância.
Muito se tem investigado acerca da influência da música no desenvolvimento da criança, bem como na possibilidade de ajudar na recuperação de lesões no cérebro, tanto em crianças como em adultos.
Esses estudos comprovam a influência da música nas capacidades comunicativas da criança, verbais e não verbais, na sua autoconfiança, nas suas capacidades espácio-temporais, no desenvolvimento cognitivo e motor, nas funções executivas, na memória e na aprendizagem de línguas estrangeiras.
Ao fazer música ativamos sinapses dos sistemas sensorial, cognitivo (simbólicos, linguísticos e da leitura), motivacional, sinapses que veiculam a aprendizagem, a estimulação da memória, o planeamento de movimentos, etc.
Várias investigações sugerem que a música altera a forma como o cérebro processa os componentes da linguagem, melhorando a perceção dos sons, incluindo os sons da fala e, consequentemente, a sua relação com a leitura e escrita.
A música e a aprendizagem
Para aprender a ler, a criança deverá já ter desenvolvido a consciência de que as palavras são constituídas por sílabas e estas por sons (consciência fonológica). A criança deve ser capaz de se abstrair do significado das palavras para pensar, discriminar, comparar e manipular os sons que as compõem e, dessa forma, conseguir realizar tarefas:
Dividir frases em palavras.Encontrar ou evocar palavras que rimam.Dividir palavras em sílabas.Encontrar palavras que comecem pela mesma sílaba ou som, entre outras.
Estas atividades são fundamentais para a aprendizagem da leitura e da escrita mais tarde, no seu percurso escolar. Deverá ter desenvolvido também a percepção auditiva e este é um processo complexo, que depende do processamento auditivo e é constituído pela receção e interpretação dos padrões de fala; discriminação entre sons (espectro, características temporais, sequência e ritmo) reconhecimento, memorização e compreensão da fala.
A música e a linguagem
A música e a linguagem são dois estímulos auditivos, estruturados de uma forma semelhante (ambas consistem num determinado número de sons que se organizam segundo determinadas regras) e que utilizam o mesmo sistema auditivo e aparelho vocal.
A aprendizagem destes elementos musicais e linguísticos parece ser semelhante, recorrendo aos mesmos processos auditivos e a partilha destes mecanismos parece ser responsável pela influência da música no desenvolvimento das capacidades de consciência fonológica.
A música e os seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) podem ser utilizados para estimulação da linguagem pelos pais e/ou educadores, mas também como método de intervenção nas perturbações de leitura e escrita, perturbações fonológicas, perturbações do processamento auditivo, entre outras. Podem ser feitas diversas atividades tendo sempre em conta os objetivos delineados para trabalhar com a criança. Beneficiando não só o desenvolvimento da consciência fonológica, mas também a perceção/sensibilidade auditiva, o processamento (motor e auditivo), a atenção e a comunicação verbal e não-verbal.
A música tem então um papel muito importante no desenvolvimento da criança, em especial na aquisição e desenvolvimento da linguagem. Portanto incentive desde cedo ao gosto pela música, oiça e explore a música em família.
O seu filho já ouviu musica hoje?
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5 ESTRATÉGIAS PARA PROMOVER A AUTOCONFIAÇA DO SEU FILHO]]>Susana Simões, psicóloga na Psicomindcare, para Up to Lisbon Kidshttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/10/09/5-ESTRAT%C3%89GIAS-PARA-PROMOVER-A-AUTOCONFIA%C3%87A-DO-SEU-FILHOhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/10/09/5-ESTRAT%C3%89GIAS-PARA-PROMOVER-A-AUTOCONFIA%C3%87A-DO-SEU-FILHOTue, 09 Oct 2018 10:30:00 +0000
Vivemos numa sociedade competitiva e em constante mudança...
Estar preparado para responder e ultrapassar desafios diários é crucial desde a infância. Urge, por isso, ajudar as crianças a desenvolver a sua autoconfiança.
A autoconfiança é um ingrediente fundamental para que se sintam confortáveis consigo mesmos ou com os outros e consigam ultrapassar os desafios sociais e relacionais que vão surgindo ao longo da sua vida.
Podemos, então, pensar na autoconfiança como um motor que nos impele a agir e nos ajuda a ter respeito por nós próprios. Necessitamos dele para nos sentirmos confortáveis no nosso quotidiano e em todas as situações com que nos deparamos.
E quando a criança tem pouca autoconfiança?
As crianças com pouca autoconfiança tendem a isolar-se e a refugiarem-se na leitura ou nos jogos eletrónicos. Muitas vezes os adultos sentem-se confortáveis com estas atitudes porque geralmente são crianças que fogem aos problemas ou os conflitos. Mas na realidade é a falta de confiança que está a servir de travão às suas ações. Isto poderá vir a ter repercussões na sua capacidade de socialização, no seu sucesso e na sua capacidade na resolução de problemas ou gestão de conflitos.
A autoconfiança é desenvolvida na infância e os pais podem ajudar os seus filhos a confiarem mais em si mesmos. A acreditarem que são capazes de realizar determinadas tarefas. Ajudando os filhos a crescerem mais autónomos e confiantes, contribuindo assim para que o seu desenvolvimento seja mais positivo, o que os ajudará a serem adultos emocionalmente inteligentes e felizes.
As estratégias que seguem poderão ser úteis para promover a autoconfiança do seu filho. No entanto, tenha a consciência que é na forma de se relacionar com ele que lhe mostrará como olhar o mundo e como agir perante situações desconhecidas. Os pais servem de modelo e ensinam os seus filhos na sua forma de lidar com as situações e na forma como resolvem os seus problemas.
5 Estratégias para promover a autoconfiaça do seu filho
1. Regras e rotinas
Estabelecer regras e rotinas dá-lhes uma sensação de segurança e a criança sente que controla o seu mundo. Ao sentir-se segura, consegue explorar o mundo que a rodeia e desenvolver a sua capacidade de adaptação a novas situações.
2. Limites
É nos momentos de frustração que temos oportunidades para ensinar e promover a confiança. Os “ não”, são tão importantes como o afeto.
3. Autonomia e responsabilidade
Ajudar nas tarefas diárias como arrumar brinquedos, fazer a cama, vestir-se sozinho ajuda a criança a perceber que consegue realizar tarefas sozinha. Não faça as coisas por ele. O objetivo é guiar e apoiar os seus esforços, valorizando, para que aprenda a sentir-se competente.
4. Novos desafios
Estimulem os seus filhos através de jogos ou brincadeiras em conjunto. Pelo brincar a criança aprende a resolver problemas. Desta forma desenvolve, também, a confiança em si mesma, a sua criatividade e a imaginação, para além de sentir o prazer de novas conquistas.
5. Elogiar
Elogie e mostre ao seu filho que está orgulhoso, sempre que ele consegue fazer algo novo ou que teve um comportamento adequado. Valorize e reconheça os seus esforços, mesmo que não consiga no imediato. Incentive-o a continuar a tentar, através do afeto.
As crianças aprendem a lidar com as emoções através dos seus relacionamentos. Estão constantemente a observar os pais nas diferentes tarefas e contextos, na forma como interagem com eles e também socialmente. Tenha presente que é através de situações do dia-a-dia que irá conseguir ajudar o seu filho a tornar-se mais confiante e feliz.
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Alimentos para hidratar o corpo e combater os dias de calor]]>Jorge Martinho, Naturopata, parceiro Nutrimushttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/08/17/Alimentos-para-hidratar-o-corpo-e-combater-os-dias-de-calorhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/08/17/Alimentos-para-hidratar-o-corpo-e-combater-os-dias-de-calorFri, 17 Aug 2018 22:05:35 +0000
Os picos de calor conduzem, frequentemente, a situações de desidratação que, por vezes, se confundem com cansaço ou irritabilidade.
Eis alguns alguns alimentos top que devem ser consumidos regularmente de forma a evitar o desconforto na época mais quente do ano:
Água, nada mais simples para hidratar de forma equilibrada. Ter atenção à natureza, qualidade da água, características próprias no funcionamento do sistema renal, historial clínico. O mais sensato será variar no tipo de água, escolher águas de boa mineralização, alterando com águas de nascente de menor mineralização, dessa forma não sobrecarregamos os rins nem criamos descompensações.
Sumos naturais (água de coco, gengibre, lima) De sabor agradável e de elevado conteúdo em eletrólitos, são óptimos re-hidratantes. Importante não adicionar açúcar.
Infusões (hibisco, rooibos, cavalinha, urtigas, hortelã,…), podem ser ingeridas como refresco ou como alternativa é possível fazer agradáveis e refrescantes gelados.
Melancia, meloa, melão, uvas, maçãs, pêras, pêssegos (aproveite a maior variedade de fruta desta época). Óptima opção para um lanche prático fora de casa ou para uma agradável passeio, basta preparar a fruta numa caixa e podemos assim desfrutar de um snack saboroso e nutritivo.
. Alface, germinados, courgette, pepino, saladasPara uma refeição ligeira, são óptimos ingredientes, para além de hidratarem de forma eficaz.
Sopa de gaspacho Pode compor uma refeição leve e surpreendentemente refrescante e que desperta os sentidos pela riqueza dos ingredientes (tomate, pimentos, ervas, especiarias).
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O que se passa com o meu filho?]]>Joana Duarte, psicóloga na Psicomindcare, baseado em: British Association of Play Therapists, para Up to Lisbon Kidshttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/11/08/O-que-se-passa-com-o-meu-filhohttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/11/08/O-que-se-passa-com-o-meu-filhoWed, 18 Jul 2018 10:17:00 +0000
Aceitar que se passa algo e pedir ajuda é um passo extremamente difícil de dar.
Os pais ficam muito assustados quando os seus filhos apresentam um problema. Quando andam sempre tristes, quando são rebeldes ou têm comportamentos inadequados. Alguns pais demoram a pedir ajuda pois sentem vergonha pelos comportamentos inadequados dos seus filhos. Sentem-se responsáveis ou têm receio de ser vistos como “maus cuidadores”.
Aceitar que se passa algo e pedir ajuda é um passo extremamente difícil de dar. O que se passa com o meu filho? É a questão a fazer. No entanto, só demonstra o amor pela criança e como o bem-estar dela é significativo para os pais. Este é o primeiro passo e o mais importante.
A procura do psicólogo pode dever-se à criança estar recorrentemente zangada, triste, assustada com alguma coisa.
Ou então, porque algo negativo aconteceu com ela e precisa de ajuda para ultrapassar essa situação. Quando as crianças ficam doentes ou magoam alguma parte do corpo (exterior) vamos ao médico para que este ajude a criança a sentir-se melhor. Quando a criança vai a um psicólogo, a função dele é ajudar a securizar as “feridas internas”, os seus sentimentos. Os pais devem explicar aos seus filhos o motivo real pelo qual eles decidiram leva-los a um psicólogo, comunicando-lhe as suas preocupações.
A recuperação das más experiências é facilitada em terapia pela relação que se estabelece entre o terapeuta e a criança, num ambiente que se torna seguro, confidencial e de confiança. Este espaço terapêutico é bastante diferente da escola ou da sua casa; naquele espaço a criança sente que pode expressar o que nos outros não se sente confortável. Ali é um local seguro onde ela pode mostrar os seus problemas e os seus sentimentos, sem se sentir julgada ou com receios de magoar os sentimentos de alguém.
A relação terapêutica ajuda a criança a integrar as experiências de vida a dar-lhe sentido e até a expressar os sentimentos mais difíceis através do brincar. O terapeuta vai ajudar a criança a sentir-se melhor sem, necessariamente, ela ter de explicar as coisas. Na prática as crianças demonstram muito mais os seus sentimentos nas brincadeiras do que a falar sobre eles. O brincar é o meio primário de comunicação, o discurso torna-se secundário. As terapias com mais sucesso (bons resultados) são aquelas onde a criança brinca. Nem sempre é fácil para as crianças colocarem em palavras os seus sentimentos.
Brincar é vital para o desenvolvimento social, cognitivo e psicológico
Brincar é a forma mais simples que a criança tem de se expressar, é algo que vem “de dentro” da criança. Crianças que não brincam não se desenvolvem saudavelmente, fisicamente e psicologicamente. O brincar é a forma pela qual a criança contacta com o seu ambiente e dá sentido ao seu mundo.
O psicoterapeuta está treinado para usar o brincar (forma natural da criança se expressar) para dar sentido aos sentimentos, pensamentos e comportamentos da criança e ajuda-la a compreende-los. Ele é especialista em compreender e dar significado ao brincar da criança.
É crucial as crianças sentirem e saberem que os pais apoiam a terapia e o processo terapêutico. Estes devem ser consistentes e encorajarem as crianças indo as sessões regularmente, sem fazer perguntas sobre o que se passou nas sessões.
Através do suporte emocional a criança vai conseguir compreender sentimentos confusos e aprender a lidar, de forma mais apropriada, com situações de conflito nos vários contextos. A terapia vai promover a resiliência da criança e a esperança de descobrir novos pontos de vista. Vai ajudá-la a diminuir a ansiedade e a melhorar a sua auto-estima.
A psicoterapia permite à criança a oportunidade de explorar e de se conhecer, de dar sentido ao seu mundo. Vai ajuda-la a encontrar meios saudáveis de mostrar o que sente. A desenvolver relações mais saudáveis e a preparar-se para encarar as dificuldades futuras de forma mais assertiva e tranquila.
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PHDA: e se os pais não quiserem medicar?]]>Susana Simões, psicóloga na Psicomindcare, para Up to Lisbon Kidshttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/07/30/PHDA-e-se-os-pais-nC3A3o-quiserem-medicarhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/07/30/PHDA-e-se-os-pais-nC3A3o-quiserem-medicarTue, 19 Jun 2018 10:04:00 +0000
A PHDA – Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção é uma perturbação ao nível do neuro-desenvolvimento e é considerado um dos transtornos mentais mais comum em idades pediátricas.
Esta perturbação caracteriza-se por alterações nas funções executivas e no córtex pré-frontal, sendo reconhecida pelos níveis deficitários de atenção, pela forte impulsividade e em alguns casos pela persistente inquietude motora. Tem um impacto negativo na qualidade de vida das crianças/adolescentes, afetando o desempenho escolar, o funcionamento social, as relações interpessoais e, consequentemente, a sua auto-estima e o seu auto-conceito. Estas crianças têm uma enorme dificuldade na regulação emocional, agem antes de pensar e isso tem implicações na sua vida e no seu desempenho diário.
É muito comum os pais tentarem encontrar uma causa que justifique esta perturbação e a sentirem-se culpados, pois tendem a acreditar que é fruto dos seus erros na educação do seu filho. É necessário informar e tranquilizar estes pais, pois não existe uma causa única que condicione o aparecimento desta perturbação. Existe uma predisposição genética por parte da criança, que em determinados contextos de vida e sob a influência de determinados padrões relacionais e ambientais pode vir a despoletar esta dificuldade de se concentrar e de se auto regular. Desta forma podemos dizer que a PHDA tem uma causa multifatorial, ou seja, biopsicossocial.
Tratamento farmacológico
O tratamento desta perturbação é fortemente baseado em intervenções farmacológicas com psico-estimulantes, que atuam diretamente na diminuição dos sintomas centrais da PHDA, como a desatenção e a impulsividade, mas não há ainda evidências suficientes que nos indiquem melhorias ao nível dos relacionamentos estabelecidos com os pares e com a família, que são muitas vezes as grandes dificuldades dos indivíduos com PHDA. Por outro lado, ainda se desconhece, em grande parte, os impactos que futuramente a medicação poderá ter. Então, apesar de a eficácia da medicação ser reconhecida, deve existir espaço para uma intervenção que incida não apenas nos sintomas centrais, mas também nos comportamentos sociais e emocionais, até porque normalmente existem comorbilidades que devem ser tidas em linha de conta e devem ser intervencionadas.
O que diz a ciência?
Vários estudos têm revelado a eficácia do treino cognitivo e existe atualmente, evidência científica que nos aponta para resultados bastante positivos e melhorias significativas num curto espaço de tempo. O treino cognitivo tem como principal objetivo otimizar os níveis de habilidade da atenção, promovendo a melhoria no desempenho das atividades diárias no geral.
As intervenções psicossociais, que incluem o treino cognitivo e técnicas para promoção de aprendizagem e alterações comportamentais, são as mais abrangentes e têm contribuído para a um melhor desempenho das funções cognitivas e de autorregulação, com bom resultados tanto ao nível académico como nas relações interpessoais, contribuindo para dinâmicas familiares mais positivas.
Não chega intervir na atenção! O treino de competências sociais e emocionais, o treino comportamental e em algumas situações o treino parental, pode tornar a vida destas crianças e das suas famílias muito mais simples e feliz!
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A depressão no idoso]]>Paula Norte, psicóloga clínica na Psicomindcarehttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/02/27/A-depress%C3%A3o-no-idosohttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/02/27/A-depress%C3%A3o-no-idosoFri, 09 Mar 2018 22:06:00 +0000
Até que ponto é comum a depressão nos idosos?
Um quarto das pessoas acima dos 65 anos apresenta alguns sintomas depressivos. A maioria das doenças depressivas que se manifestam neste grupo pode ser diagnosticada como disforia da terceira-idade, relacionada sobretudo com o isolamento social e acontecimentos adversos da vida, como falecimentos de pessoas muito próximas. Em cerca de metade das pessoas acima dos 65 anos, a depressão minor está associada a uma doença física concomitante, em vez de se tratar de uma perturbação depressiva primária.
Como é que a depressão se manifesta em doentes idosos que vivem em lares?
Pode ser difícil reconhecer a depressão em doentes com idades superiores aos 75 anos, especialmente os que vivem em instituições. Foi demonstrado que um terço dos idosos que se encontra ao cuidado de lares de terceira-idade sofre de depressão. Por conseguinte, é uma possibilidade que nunca deve ser excluída. O idoso residente numa instituição parece tenso, desanimado e preocupado ou mostra-se demasiado despreocupado com os seus sintomas? Apresenta uma perda de interesse pelo meio circundante e uma alteração no padrão do sono? Avalia a vida que levou e os seus êxitos de forma negativa? Vê o futuro com esperança ou preferia estar morto? A variação diurna do humor é particularmente importante, para além de sintomas de perda de memória e dificuldades de concentração, medo de enlouquecer e uma apresentação desmazelada. Alguns doentes demonstram depressão agitada, enquanto outros apresentam lentificação do pensamento.
Que medidas devem ser tomadas para impedir o desenvolvimento da depressão nos idosos?
A terceira-idade está associada a mudanças nas condições de vida e a perdas, muitas vezes o falecimento do cônjuge, o fim da vida profissional e a consequente diminuição do rendimento disponível, a perda da potência sexual, etc. Não é de admirar que muitas pessoas idosas se sintam deprimidas. O mais importante neste caso é o planeamento do período de pré-reforma e a orientação, especialmente em relação a assuntos financeiros e a pensões, que nunca é demasiado cedo para começar. Devem ser exploradas alternativas ao trabalho remunerado. A disfunção sexual deve ser tratada quando apropriado. A incontinência pode ser particularmente incómoda e necessitar de tratamento, possivelmente cirúrgico. Deve ser considerada a possibilidade de existência da disfunção da tiróide, bem como outros problemas médicos significativos. A atividade mental e física é importante para a saúde, sendo o trabalho voluntário e o exercício regular algumas vias possíveis. Uma boa dieta e uma vida social ativa também aumentam o bem estar. Também é importante o acompanhamento psicológico em caso de luto.
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Como falar sobre o cancro às crianças]]>Helena Coelho, psicóloga clínica na Psicomindcare para Up to Kidshttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/02/03/Como-falar-sobre-o-cancro-%C3%A0s-crian%C3%A7ashttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/02/03/Como-falar-sobre-o-cancro-%C3%A0s-crian%C3%A7asSat, 03 Feb 2018 12:26:36 +0000
A doença chega sem avisar e a oncológica não escapa à regra. Instala-se matreira, à socapa e muitas vezes é detetada já num estágio avançado.
E se para um adulto o diagnóstico chega acompanhado dum enorme pesar, rodeado de porquês e emoções difíceis de compreender, explicar à criança esta doença é uma missão extremamente difícil para qualquer pai ou mãe, por várias e compreensivas razões.
Numa fase inicial após o diagnóstico é comum surgirem as grandes preocupações: “será que tem cura?” “como vai ser com os meus filhos ?” serão talvez as questões que mais passam pela cabeça de quem recebe o diagnóstico, associadas sentimentos de medo e de profunda tristeza.
De forma protetora a pessoa pode então fazer alguma dissociação da situação, distanciando-se do problema. É como se estivesse a ver um filme, algo que não é real e em que não é o(a) protagonista. Este evitamento da doença pode perdurar mais ou menos tempo, mas a confrontação com a necessidade de tratamento ou de intervenção cirúrgica vem deitar por terra este provisório faz de conta.
E se até então por vezes se esconde das crianças a doença, é aqui que se revela inevitável comunica-la e falar com os filhos. Vêm as noites em branco ou mal dormidas a ensaiar mentalmente o que se vai dizer.
O primeiro cuidado que qualquer pai ou mãe deve ter antes de falar com os seus filhos sobre a doença é informar-se previamente, recolhendo dados de forma realística e científica, mas tendo presente que o que é verdade em ciência hoje pode não ser amanhã. Quer isto dizer que, um diagnóstico reservado pode vir a não ter o desfecho inicialmente previsto e nos moldes teoricamente esperados. Fale claramente com o seu médico, informe-se sobre o delineamento do tratamento, o que é suposto acontecer e esclareça o mais possível todas as suas dúvidas.
Quando sentir que está preparado, explique então às crianças “traduzindo” os conceitos e ajustando a linguagem e a terminologia usada à idade e à capacidade de entendimento. E se não existe uma receita padronizada sobre a melhor forma de explicar a doença oncológica para cada faixa etária, é fundamental que o que dizemos e como o dizemos seja compreendido pela criança. Dito de outra forma, não será necessário inundar a criança com informação excessiva e que ela não consegue processar, mas há que garantir que não ficaram dúvidas, fazendo-o com a maior tranquilidade possível. Não há melhor alimento do medo que a incerteza.
É igualmente importante evitar o contágio emocional. Se o progenitor estiver assustado ou demasiado ativado emocionalmente isso irá ser passado à criança. É certo que a situação não é fácil, mas é importante manter a esperança e a fé possível num desfecho menos complicado.
Em função do estágio de desenvolvimento da criança assim o diálogo deve ser ajustado. Até cerca dos 3 ou 4 anos a criança não consegue conceptualizar esquemas complicados sobre o que é uma doença. Explicar que tem um “doi-doi” ou que a mãe ou o pai tem um “doi-doi” e que é preciso tomar remédio para ajudar a ir embora será a abordagem mais adequada. Mais do que grandes explicações e por muito aterradora que a doença se imponha, é importante que a criança se sinta segura e muito amada, como, aliás, em qualquer idade.
Para crianças um pouco mais velhas a explicação pode ser um pouco mais detalhada, ainda que com recurso a conceitos simples. Podem ser descritos alguns problemas e sintomas associados à doença, como por exemplo, a necessidade de ir com uma determinada frequência ao hospital para tratar a doença, a necessidade de repouso, as indisposições, o desconforto. Um dos pontos que mais impacto pode ter, pelas consequências no visual da pessoa, é a perda de cabelo. Permita-se encarar com a leveza possível este acontecimento e use a sua criatividade para “dar a volta” à situação. As explicações podem ser complementadas com vídeos ou com literatura infantil. Atualmente já existe algum material de qualidade e que é facilitador neste processo.
A partir dos 7 anos a criança já começa a conseguir entender os conceitos mais concretos associados à doença. Por outro lado começa a desenvolver características emocionais e relacionais mais sólidas. Pode, então, ser mais explicativo mas prepare-se, também, para mais perguntas e para o soltar das emoções. Esta fase é talvez a mais difícil para as crianças, em termos de compreensão, quer se trate da sua própria doença ou de um familiar.
Em tempos, numa festa do dia da família de uma escola, reparei numa criança que chorava. Alguns colegas estavam junto a ela, dando-lhe carinho e ajudando da forma que sabiam e conseguiam. Dirigi-me até ela e na medida em que me permitiu aproximar abracei-a e procurei perceber a razão de estar a chorar. No meio dos soluços, lá explicou que estava triste porque as mães dos outros meninos estavam lá e a mãe dela não porque estava doente. Falámos um pouco sobre a doença e expliquei-lhe que se ela quisesse mãe poderia estar sempre com ela, pois o amor da mãe estava no seu coração. Sim, a presença não é só física e aquela criança percebeu que apesar de a mãe não estar ali, ela poderia sentir a sua presença e o seu amor quando pensava nela com carinho.
Na adolescência o problema pode ser explicado com mais detalhes técnicos e de forma menos fantasiosa. Nesta fase da vida o entendimento da doença oncológica já é relativamente próxima da compreensão e da lógica do adulto. Pode até resultar numa maior aproximação e união entre os vários elementos da família. É comum os jovens passarem a estar mais presentes e a valorizar mais os momentos passados em conjunto.
Tenha presente que, atualmente, a informação está acessível á distância de um clique, mas que nem sempre é a mais adequada ou com a qualidade desejável. Por isso não omita o essencial e o fundamental dentro das possibilidades de compreensão da criança. Tenha atenção às conversas paralelas ou com outros adultos na presença das crianças. As crianças, mesmo a brincar, têm as “atenas sincronizadas” na conversa dos adultos. Evite que sinta que se passa algo que lhe estão a ocultar.
E permita-lhe que questione e que expresse as emoções. Fazer de conta que não se passa nada de grave é, no mínimo, ambíguo e confuso. Dê “colo” e receba o “colo” que, também, precisa. E se possível, permita-se sorrir e fazer sorrir. Uma atitude facilitadora pode fazer a diferença na aceitação consciente da doença por toda a família.
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ANSIEDADE e DEPRESSÃO em crianças e adolescentes]]>Paula Norte, psicóloga clínica na Psicomindcarehttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/01/29/ANSIEDADE-e-DEPRESS%C3%83O-em-crian%C3%A7as-e-adolescenteshttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/01/29/ANSIEDADE-e-DEPRESS%C3%83O-em-crian%C3%A7as-e-adolescentesMon, 29 Jan 2018 22:01:01 +0000
É possível detetar a ansiedade e a depressão nas crianças?A classificação das perturbações do humor é ainda imprecisa nas crianças do que nos adultos. Existe uma sobreposição considerável entre ansiedade, depressão e outras perturbações nas crianças. A principal característica das perturbações depressivas neste grupo etário é o desinteresse por divertimentos e brincadeiras. As crianças normais fazem um jogo das coisas mais simples, enquanto as crianças deprimidas se isolam e não se envolvem no que está à sua volta.
Como é que a ansiedade se manifesta nas crianças?A ansiedade manifesta-se de diversas maneiras. As crianças podem desenvolver sintomas somáticos sem causa física óbvia à parte a excitação fisiológica. Podem ter perturbações do sono com insónia e pesadelos. Podem regredir até um nível emocional anterior, adotando um comportamento mais infantil, como a enurese ou encoprese incaracterísticas, e tendo rendimento insatisfatório ou fraco desempenho escolar devido à falta de concentração. Também podem desenvolver sintomas obsessivos. Algumas ansiedades podem ser persistentes e outras aparecer apenas quando a criança é exposta a uma situação desencadeadora de medo específica como a escola, resultando na recusa em ir para a escola. Fisiologicamente, podem sofrer cefaleias, dores abdominais, taquicardia, hiperventilação, transpiração, tremor, palidez, vómitos e dores devido a tensão muscular.
Como devem ser tratadas as crianças com perturbação da ansiedade?Se as causas de ansiedade da criança forem relativamente simples e óbvias, como ameaças de colegas da escola ou problemas em casa, os pais devem ser aconselhados sobre como lidar com a situação, por exemplo, discutindo o problema com os professores no primeiro caso ou tomando medidas para resolver os conflitos se existir um problema conjugal. Se a causa da ansiedade for menos óbvia ou mais difícil de lidar, o apropriado será encaminhar o doente para um especialista. A linha habitual de tratamento enquadra-se nas linhas psicológicas, mediante a exploração das causas dos sintomas. Isto muitas vezes requer a execução de uma entrevista familiar. A medicação ansiolítica é raramente indicada e deve pertencer ao domínio dos especialistas na área.
Quais são os fatores que podem contribuir ou causar a depressão numa criança?Normalmente, as crianças reagem a problemas existentes no seu ambiente. Ficam deprimidas em resultado de uma perda – por exemplo, a morte de um pai ou de um avô – ou divórcio. Podem ser ameaçadas e intimidadas por colegas na escola, ou sofrer devido a um fraco desempenho escolar resultante de dislexia, surdez ou outros problemas de aprendizagem. Se um dos progenitores sofrer desta doença, frequentemente as crianças desenvolvem padrões de comportamento depressivo, quer devido a um desânimo aprendido quer possivelmente devido a alguma influência genética. As crianças podem ficar deprimidas em resultado da responsabilidade excessiva na família, ainda mais importante, devido a abuso sexual ou físico. Os problemas em casa, como discussões, dificuldades financeiras ou desemprego, contribuem para a depressão nas crianças.
Como pode ser detetada a depressão nas crianças?Muitas crianças são demasiadas novas para se aperceberem que estão deprimidas ou para conseguirem descrever o que sentem. O que é importante é reunir informações das várias fontes, incluindo a criança, os pais e possíveis contactos na comunidade como os professores. Muitas crianças manifestam sintomas depressivos, mas os pais não têm consciência do seu significado, embora seja necessário ouvir a perspetiva dos pais. As crianças apresentam problemas de comportamento: fraco desempenho escolar, evitamento escolar, enurese e pesadelos. A criança pode exibir sentimentos de perda, deceção e tristeza, comportamento agressivo, desencanto geral e falta de atenção. As crianças deprimidas perdem o interesse por brincadeiras e não têm gosto pela vida.
Como é tratada a depressão nas crianças?Alguma crianças têm doenças depressivas evidentes que são clinicamente idênticas às descritas nos adultos. Existe um grupo maior de crianças deprimidas cujos problemas estão relacionados com as dificuldade da vida, para quem o tratamento é lidar com as suas dificuldades, ajudando-os enfrentá-los. Essas têm origem habitualmente em problemas que muitas vezes surgem nas próprias crianças ou dentro da família. Um terceiro grupo de crianças apresenta comportamentos anti-sociais ou desordeiros, fracasso escolar e abuso de drogas. Estes são todos sintomas secundários da depressão, embora o comportamento negativo faça parte das suas manifestações. (Nem todas as crianças com comportamento desordeiro estão deprimidas).A abordagem normal para avaliar e tratar a depressão é utilizar uma equipa multidisciplinar de pedopsiquiatras e psiquiatras de apoio à família, bem como psicólogos infantis, assistentes sociais e educadores. O tratamento enquadra-se nas linhas psicossociológicas.
Quais são os fatores que contribuem para o desenvolvimento da depressão nos adolescentes?
De muitas formas, os fatores que contribuem para a depressão nos adolescentes são os mesmos que nas crianças. No entanto, a puberdade vem aumentar o risco e a prevalência de perturbações depressivas aumenta a um nível comparável ao dos adultos. Deste, modo, as pressões dos exames escolares, escolher uma profissão e a perspectiva do desemprego são importantes, à semelhança das pressões de êxito e integração, e outras pressões dos colegas. Pode ser difícil lidar com o aparecimento de emoções mais adultas e de sensações sexuais. O abuso sexual é um elemento fortemente perturbador da valorização pessoal e é uma possibilidade relevante que deve ser considerada. No desenvolvimento dos adolescentes, surge um momento em que algumas decisões que não irão ser bem sucedidas nos cometimentos normais dos adultos e optam por adoptar a moral dos colegas, enveredando por comportamentos desviantes a nível social. É importante realçar que a adolescência é também uma fase em que a anorexia nervosa e a esquizofrenia começam a manifestar. Devem ser observadas as alterações de apetite, de aumento ou diminuição, à semelhança da perda de interesse nas atividades que normalmente eram consideradas divertidas, como os desportos e as atividades sociais. É importante procurar por sinais de profundo desinteresse social.
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A criança e o corpo humano]]>Paula Norte, psicóloga clínica na Psicomindcare para @Up To Kidshttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/01/17/A-crian%C3%A7a-e-o-corpo-humanohttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/01/17/A-crian%C3%A7a-e-o-corpo-humanoWed, 17 Jan 2018 14:11:59 +0000
Uma criança considera o seu corpo como sendo igual ao de outras pessoas, e parte, portanto do princípio de que todas as outras crianças têm um corpo como o seu. A mãe e o pai são considerados da mesma maneira, são eles mesmos, e a criança não vê qualquer semelhança entre os corpos grandes e peludos e o seu próprio corpo, pequeno e macio.
As primeiras perguntas aparecem normalmente quando a criança repara numa outra criança, do seu sexo oposto, despida. “O que é aquilo?”. Perguntará então, e tudo o que ele quer é que lhe digam o nome (vagina) e talvez o nome correspondente para aquilo que ele próprio tem (pénis).
Não há motivo nenhum para que este assunto seja abordado com uma excessiva carga de embaraço ou atrapalhação por parte dos pais. Procure, portanto, aceitá-lo com calma e concentrar-se de modo a conseguir dar ao seu filho uma informação simples e precisa que responda exatamente à pergunta específica que ele lhe fez. É evidente que não terá de «pôr todo o assunto a nu», contando-lhe tudo, até aos mais pequenos pormenores. É preferível deixar que a criança vá fazendo as perguntas sobre as partes que ainda não compreende à medida que ela própria sente que há ainda mais qualquer coisa por explicar. Não será, senão por volta dos cinco, seis ou sete anos que o seu filho lhe fará a tal pergunta crucial: “Como é que o pai põe a semente na mamã?” Ao fim de anos de respostas curtas, mas sempre específicas, verá que lhe é perfeitamente fácil de responder.
Se deixar que se forme uma atmosfera estranhamente «especial» de cada vez que o seu filho lhe dirige uma pergunta qualquer respeitante ao sexo, acabará por se ver arrastada para uma pura farsa.
Algumas famílias acham que é preferível permitir que os filhos vejam o pai e a mãe nus para que possam ter a possibilidade de ver a diferença entre os sexos quando adultos. Outros pais acham que é preferível exatamente o contrário, isto é, não permitir que os filhos os vejam despidos. No que diz respeito ao sexo e às crianças pequenas, provavelmente a melhor atitude é não fazer da questão um problema de grandes proporções. Não interessa saber se a criança vê ou não os pais nus, desde que a atmosfera seja simples, descontraída e perfeitamente normal. Uma timidez exagerada que a leva a soltar um grito e a agarrar apressadamente numa toalha de cada vez que o seu filho entra inesperadamente na casa de banho só fará com que a criança se admire e pergunte a si mesma por que motivo a mãe terá ficado embaraçada.
Da mesma maneira, uma «passagem de modelos nus» cuidadosamente preparada irá, muito possivelmente, deixar a própria criança embaraçada, porque não saberá como é que os pais querem que ela reaja.
Portanto, comporte-se como sempre se comportou e não procure ser deliberadamente «antiquada» ou conscientemente «moderna».
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A criança e o brincar]]>Joana Duarte, psicóloga na Psicomindcare, para Up to Lisbon Kidshttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/01/11/A-crian%C3%A7a-e-o-brincarhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2018/01/11/A-crian%C3%A7a-e-o-brincarThu, 11 Jan 2018 15:04:52 +0000
Educar uma criança significa conduzir a criança, o que prossupõe uma relação entre um adulto, que sabe conduzir, e uma criança, que precisa de ser conduzida, de um patamar de saber insuficiente para um de conhecimento aumentado. Esta relação deve ser benéfica para a criança e não deve ser assente na crença de que o adulto conduz altivamente a criança e que esta se deixa conduzir passivamente.
Aprender tem origem na palavra apreender que implica o uso das mãos. Aprender vem de prender, isto é, de ligar, unir o que estava separado. Com as mãos se estabelece ligações afectuosas, o primeiro aprender que temos na vida veio do agarrar afectuoso das nossas mães.
As primeiras aprendizagens são feitas pelas interacções afectuosas entre a mãe e o seu bebé.
Para uma criança estar disponível para as aprendizagem escolares e para que possa ter sucesso, os saberes básicos tem de estar consolidados. Estes saberes assentam no diferenciar entre o que é presença e o que é a ausência; entre o bem-estar e o mal-estar; entre o feio o belo; entre o bom e o mau, entre o amor e o ódio, entre construir e destruir; entre verdade e mentira; entre liberdade e opressão; entre mulher e homem; entre pais e filhos; entre gratidão e inveja; entre o que causa mal-estar e o que causa alivio, entre outros.
Os saberes básicos transformam-se em aprenderes fundadores que devem ser feitos sempre através de interacções afectuosas, pois são saberes que provocam muitas angústias e se estas não forem contidas, em vez de estimularam o crescimento paralisam-no. Em vez de termos um aprender claro que promove o crescimento saudável das crianças temos um aprender confuso que vai comprometer o crescimento e o desenvolvimento saudável da criança. Esta vai ficar presa nesse nível onde surgiu a confusão.
Quando os aprenderes da vida ou aprenderes fundadores ficam bem consolidados, a criança está preparada para os aprenderes escolares. Se houver uma falha num aprender isso implica que houve falhas anteriores nas dimensões de acolhimento, suporte, contenção, organização e estimulação no processo educativo da criança.
Não podemos esquecer que existe uma ligação entre a saúde mental e a saúde pedagógica e aceitar que para aprender bem é preciso pensar bem, e para pensar bem é preciso estarem completos os aprenderes fundadores baseados em distinções de afetos.
Quando as confusões da criança diminuem, as angústias ficam suportáveis, a tristeza atenua-se, o pensar torna-se mais claro e eficaz, os aprenderes quer escolares quer os básicos, acontecem. A criança que consegue pensar bem aprende bem e o aprender bem leva a um pensar ainda melhor.
Segundo João dos Santos a educação deve inspirar-se numa pedagogia de relação. A escola se proporcionar um ambiente de pedagogia de relação poderá criar condições para desbloquear aprenderes fundadores que ficaram bloqueados. João dos Santos e os seus educadores acreditavam que quando criavam um ambiente de acolhimento em que a criança, desvalorizada e bloqueada, sentia que existia um interesse real por ela enquanto pessoa, fazia com que a criança se valorizasse aos seus próprios olhos centrando-se nas suas habilidades e capacidades atuais, e não nas suas dificuldades, insuficiências e insucessos. Este bom acolhimento permitia retomar a aprendizagem dos aprenderes fundadores que falharam ou ficaram bloqueados.
Uma pessoa só aprende quando encontra suporte e contenção suficiente e sobretudo se se sentiu estimulado. As crianças na escola precisam de encontrar professores que lhe ofereçam suporte, contenção e estimulação.
A escola deve ser vista pela criança como um local de aventura onde o professor é o guia.
A família e a primeira responsável pela consolidação dos aprenderes fundadores quando estes falham vai ser difícil para a criança aprender os saberes escolares. Por isso família e escola devem caminhar lado a lado.
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Quando tirar a chucha e porquê]]>Marta Nunes, Terapeuta da Fala na Psicomindcare para uptokids.pt/ ®https://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/10/20/Quando-tirar-a-chucha-e-porqu%C3%AAhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/10/20/Quando-tirar-a-chucha-e-porqu%C3%AAFri, 20 Oct 2017 14:10:00 +0000
Umas das das primeiras funções que o bebé apresenta é a capacidade de sugar tanto na mama como na tetina, no dedo ou na chucha, a sucção é um reflexo inato e está presente desde a vida intrauterina. É através dela que a criança tem os primeiros contactos com o mundo exterior, satisfazendo, além da nutrição, as suas necessidades afetivas, ajudando o bebé a acalmar-se e promovendo o seu desenvolvimento emocional. Para além disso, é também através do movimento de sucção que o bebé desenvolve os músculos orais, e que ajuda o crescimento da face.
É importante referir que quando o bebé suga na mama esta molda-se naturalmente à boca do bebé e quando suga na tetina é a boca do bebé que terá de se adaptar a esta. Se optar pelo uso de chucha convém saber que para cada faixa etária existe um tamanho recomendado, que deverá corresponder ao tamanho da boca da criança.
O aleitamento natural é a forma mais eficiente para proporcionar a plena satisfação da criança, funcionando como um factor de proteção, uma vez que o bebé sentirá uma menor necessidade de chuchar, no biberão, chucha ou dedo, para além de que também possibilita um adequado desenvolvimento da mastigação, respiração, deglutição e fala.
O uso prolongado da chucha, do biberão ou chuchar no dedo podem trazer alterações no crescimento facial, na arcada dentária e na mobilidade dos lábios ou da língua, necessária para a produção de fala. Além disso, podem ainda alterar a forma como a criança respira, mastiga, engole ou respira.
Existe então uma altura certa tanto para tirar a chucha e o biberão para evitar risco de prejudicar o desenvolvimento normal da criança.
O biberão poderá ser retirado por volta do oito ou nove meses de idade, que é quando começam a aparecer os dentes de leite. Como alternativa ao biberão pode ser utilizado o copo com bico, caneca ou a colher.
Já a melhor altura para a retirada da chucha é entre os dois anos e meio e os três anos fase em que normalmente as crianças abandonam a necessidade de sucção e completam a dentição de leite.
Quando esses hábitos persistem após a idade recomendada, principalmente depois da erupção dos dentes maior será o risco de alterações como:
Alterações dentárias (mordida aberta anterior, mordida cruzada, espaço entre os dentes, etc.)
Alterações no desenvolvimento craniofacial (reduzido desenvolvimento da mandibula, palato alto e esteito)
Alterações das funções estomatognáticas (alterações na mastigação, fala, deglutição e respiração)
Alterações na musculatura da língua, lábios e bochechas;
Maior probabilidade de desenvolvimento de otites médias.
Estas alterações irão depender das características faciais da criança, da frequência, duração e intensidade com que chucha.
Estratégias para prevenir o uso prolongado da chucha ou chuchar no dedo:
Definir horários e critérios de utilização da chucha: até aos 6 meses pode utilizar a chucha de forma continua, mas depois dessa idade só pode usar para dormir ou para acalmar.Substituir o hábito de chuchar no dedo por mordedores ou a chucha até aos 18 meses.Durante a noite os pais podem estar atentos e ir tirando o dedo da boca ou dar um boneco para a mão.Ocupar as mãos da criança com jogos ou brinquedos sempre que leve o dedo à boca, para a distrair.
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Disciplina e Comportamento]]>Paula Norte, psicóloga clínica na Psicomindcarehttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/09/27/Disciplina-e-Comportamentohttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/09/27/Disciplina-e-ComportamentoWed, 27 Sep 2017 21:05:22 +0000
À medida que as crianças vão crescendo têm de começar a aprender o tipo de comportamento que lhes tornará possível serem aceites por um mundo mais vasto do que a família a que pertencem. A sociedade exige um determinado comportamento da parte das pessoas, e embora ninguém espere que um rapazinho de três anos satisfaça sempre todas essas exigências, os anos pré-escolares são o período ideal para que vá habituando as crianças a todas elas.
As crianças pequenas aprenderão qualquer coisa que os adultos tentem ensinar-lhes. Gostam de aprender porque querem saber, e querem especialmente saber como comportar-se, porque querem sobretudo agradar.. No entanto, um processo que devia ser agradável e interessante, tanto para os pais como para a criança, perde muitas vezes todo o encanto por causa da pesada palavra «disciplina», com todos os espectros que a ela associam, como «desobediência» e «desonestidade».
O que é a disciplina?
Os dicionários definem esta palavra como «ensinamento de regras e formas de comportamento por repetição contínua e insistência …». Uma pessoa disciplinada é definida como «pessoa cuja obediência é indiscutível …». A palavra em si, com todas aquelas conotações obscuras e punitivas, corrompeu as nossas tentativas para mostrar à criança como se deve comportar. Você pode ter a certeza de que o seu filho lhe obedece, lhe diz sempre a verdade, se comporta como você quer e receia desagradar-lhe; porém, nada disso o ajudará a manter-se seguro, honesto e bom quando você não está a seu lado para lhe dizer o que fazer. E a verdade é que você não irá estar ao lado dele para sempre.
A verdadeira disciplina tem como objetivo construir dentro da criança aquilo a que chamamos consciência, isto é, autodisciplina que fará com que ele continue, um dia, a fazer aquilo que deve e a comportar-se também como deve, mesmo quando não há ninguém a seu lado para lhe dizer o que deve fazer ou evitar, ou que lhe diga quando está a agir erradamente. Dizer a uma criança aquilo que deve ou não deve fazer é apenas um meio para atingir esse fim.
Aprender esta autodisciplina leva tempo. Quando o seu filho era um bebé, você tinha de fazer as coisas por ele. Agir por ele em tudo aquilo em que ele não fosse capaz de agir por si mesmo, pensava por ele quando não o sabia ainda capaz de pensar sozinho. Depois dos dois anos teve de se aliar o deixá-lo começar a ser ele mesmo, com um controlo total sobre a sua segurança e a sua aceitabilidade social. Agora o seu filho está em idade pré-escolar e está pronto para começar a aprender como manter-se a si mesmo seguro e socialmente aceite. Terá então de lhe mostrar como se comportar em incontáveis situações e circunstâncias diferentes. Terá de lhe ensinar que todas aquelas diferentes parcelas de comportamento se resumem em alguns princípios básicos e extremamente importantes. Depois, a pouco e pouco, ir-lhe-á retirando o seu controlo, deixando que seja ele a aplicar esses princípios por si mesmo porque ele soube aceitá-los e considera-los como seus.
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Comportamentos de fuga e evitamento e os reforços negativos]]>Alice Patrício, psicóloga clínica na Psicomindcarehttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/09/12/COMPORTAMENTOS-DE-FUGA-E-EVITAMENTO-E-OS-REFOR%C3%87OS-NEGATIVOShttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/09/12/COMPORTAMENTOS-DE-FUGA-E-EVITAMENTO-E-OS-REFOR%C3%87OS-NEGATIVOSWed, 12 Jul 2017 09:58:00 +0000
Que efeitos tem a fuga na nossa autonomia? Que efeitos tem nas nossas habilidades sociais? A médio e a longo prazo, a fuga terá, à mesma, caracter de proteção? Ao fugirmos de alguma situação, sensação ou de alguém podemos tornarmo-nos insensíveis ao meio, ao que sentimos ou aos outros? Qual ou quais o(s) estimulo(s) negativo(s) a que tem fugido?
Tendencialmente fugimos do que nos é aversivo ou punitivo (reforço negativo) e se sentirmos algum êxito na fuga, maiores serão as hipóteses de manter a frequência do comportamento. A fuga dá-se no mesmo ambiente do estímulo aversivo / reforço negativo e caracteriza-se por uma interrupção da ocorrência. Já o evitamento consiste numa fase posterior à fuga, pois fugindo do que não agrada ou é insuportável leva a evitar a ocorrência no futuro ou a entrar em contacto com o estímulo negativo ou a sua envolvente.
Na Psicologia Comportamental designamos como reforço negativo o estímulo que aumenta e mantém a emissão de respostas / comportamentos de retirada perante o que se sente como aversivo (por oposição a reforço positivo, conotado com apresentação e aceitação). Sem avaliação de mau ou bom.
Ao fugirmos ou ao evitarmos as contingências do que para cada um de nós constitui reforço negativo, exercemos controle aversivo. No curto prazo, tal gera alívio ou garante a sobrevivência – e, muitas vezes, com a falsa sensação de controlo sobre o meio - mas a médio e a longo prazo pode dificultar-nos a percepção de reforços positivos, pode deixar de ter carácter protectivo, pode colocar problemas de autoconfiança e de autonomia perante desafios, comprometimento da maturidade emocional, comprometimento de habilidades sociais e do estabelecimento de relações que envolvam confiança e intimidade, além de que ao comportarmo-nos somente com base no que, para nós, é seguro pode tornar-nos rígidos e inflexíveis ou até, chegar a construir um universo de fantasia.
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Ama os teus filhos todos os dias]]>Joana Duarte, psicólogo na Psicomindcare, para Up to Lisbon Kidshttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/07/10/Ama-os-teus-filhos-todos-os-diashttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/07/10/Ama-os-teus-filhos-todos-os-diasFri, 30 Jun 2017 16:00:00 +0000
Todos os pais amam os seus filhos à sua maneira. Todos eles se questionam se o estão a fazer da forma correta. Será que existe uma fórmula, uma dose correta de amor que devemos dar aos nossos filhos? Não existe nenhuma fórmula nem dose correta. Nunca criança alguma ficou doente ou morreu por excesso de amor.
Os pais apaixonam-se pelo filho no momento em que o idealizam, em que sonham com ele. Esse amor vai crescendo, conforme a gravidez avança. Após o nascimento, quando conhecem o rosto, quando pegam no seu filho parece que este amor, que já era tão grande, ainda fica maior. Com o choro do bebé chegam as primeiras angústias, pois os pais ainda não conhecem bem esta linguagem, não sabem o que fazer. Questionam o que estão a fazer bem e o que estão a fazer mal. Não fique preso ao que lhe dizem ser o correto, simplesmente, siga o seu coração e ame o seu filho. Não o deixe chorar para “ele aprender”, pois nos primeiros meses os pais são os que dão voz ao que ele precisa. O bebé por vezes chora só porque não quer estar sozinho, quem gosta de estar sozinho? Afinal ele passou 9 meses sempre acompanhado… E amar o seu filho não quer dizer que tem de fazer tudo perfeito. Esse desejo da perfeição poderá levar a estados de ansiedade, que poderá passar para ele e para a vossa relação. Como Winnicot refere, uma mãe tem de ser apenas suficientemente boa.
A mãe suficientemente boa e que ama o seu filho, sabe que amar também é saber dizer não. Mas amar é acalmar as birras do seu filho, aceitar as asneiras e os seus erros. Não é dar tudo o que o ele quer, é não dizer sim a tudo o que ele diz ou pede. Amar é estar sempre ao seu lado e aceitá-lo, é abraça-lo e dizer-lhe todos os dias o quanto o ama. Os filhos aprendem mais com amor do que com castigos. Um abraço, uma conversa, um “amo-te meu filho” é muito do que precisa para crescer. A coisa mais importante, o “brinquedo” mais importante para as crianças é o tempo que os seus pais passam com elas a brincar. Não há brinquedo nenhum no mundo que uma criança pequena trocasse por brincadeira com os pais.
Amar é também aceitar que o seu filho é um ser que tem de crescer e voar, é deixa-lo crescer, por muito difícil que seja aceitar que ele já não precisa “tanto” de si. Porque lá no fundo os filhos precisam sempre dos pais, eles são sempre o seu porto de abrigo.
Ama os teus filhos todos os dias!
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FAMÍLIA E A ESCOLA – ESPAÇO DE RELAÇÃO E DE AFETOS]]>Paula Norte, psicóloga clínica na Psicomindcare para Up to Kidshttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/06/21/FAM%C3%8DLIA-E-A-ESCOLA-%E2%80%93-ESPA%C3%87O-DE-RELA%C3%87%C3%83O-E-DE-AFETOShttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/06/21/FAM%C3%8DLIA-E-A-ESCOLA-%E2%80%93-ESPA%C3%87O-DE-RELA%C3%87%C3%83O-E-DE-AFETOSMon, 22 May 2017 21:23:00 +0000
Não basta a uma criança ter uma inteligência suficiente e uma saúde satisfatória para que se possa desenvolver e adaptar.
Necessita também de uma sensibilidade desenvolvida e de capacidades relacionais que lhe permitam servir-se das suas capacidades físicas e intelectuais.
Um grande número de desadaptações sociais e escolares e de perturbações no comportamento têm origem em dificuldades afetivas. Começamos a compreender que, ao lado da idade cronológica e da idade mental, há uma idade afetiva que é a função do grau de maturação da sensibilidade e que essa maturação é intimamente solidária da maturação da líbido, ou seja, da vida relacional sexualizada, feminina ou masculina.
Se existe um meio onde a sensibilidade relacional desempenha um papel essencial, é a família e a escola. Os laços afetivos que se estabelecem entre pais e filhos são simultaneamente os mais profundos e os mais duradouros. O amor e o ódio, a ternura e a agressividade podem desenvolver-se nesse meio, excluírem-se ou coexistirem, com uma força muitas vezes insuspeitada.
Relações Humanas
Nenhuma relação humana compromete o indivíduo de uma maneira tão total e tão profunda. A relação conjugal dos pais confronta o homem e a mulher na sua mais íntima sensibilidade, ao mesmo tempo, corporal e psíquica. Põe à prova o seu grau de maturidade viril ou feminina. A paternidade e a maternidade põem em jogo os mais poderosos sentimentos. São eles que mais comprometem o indivíduo na afirmação de si mesmo.
A criança imatura, mergulhada no meio familiar e formada por ele, constrói-se interiormente em função das reações afetivas dos pais. Fraca e maleável, a criança é frequentemente tratada como uma “coisa” pelo adulto. Com o pretexto de que não passa ainda de uma criança é sobrecarregada com juízos e apreciações, fala-se dela sem reserva na sua presença como se ainda não existisse como ser humano, quando devíamos tratá-la com o mesmo respeito que se pode ter pela personalidade de um adulto.
A escola, constitui o lugar da primeira aprendizagem relacional no plano social. Conhece-se bem a importância educativa das relações afetivas alunos-professores e dos alunos entre si.
Mas o que não se sabe tão bem é que essas influências afetivas recíprocas não se desenrolam unicamente num plano consciente; elas atuam em profundidade, de um modo inconsciente e sem que os indivíduos o saibam. Essa influência, manifesta-se por vezes num sentido inverso ao do comportamento consciente.
Certa mãe escrupulosa e aparentemente bem intencionada dissimula uma agressividade não menos real que o seu aparente desejo de ajudar a criança.
Determinado pai aparentemente autoritário disfarça a ansiedade e a dúvida de si mesmo.
Determinada criança agressiva e com espírito de oposição busca inconscientemente auxílio e carinho.
Determinado professor obedece a receios ou a agressividades que alimentam tensões e conflitos, angústia ou indisciplina entre os alunos.
Sensibilidade consciente e inconsciente
Entre o que a criança representa no inconsciente do adulto e o que este pode experimentar conscientemente, há muitas vezes uma considerável diferença. A criança no inconsciente é muitas vezes um símbolo revestido de agressividade, de angústia, de líbido ou de culpabilidade, sem que o educador tenha consciência disso. Destes dois modos de expressão –consciente e inconsciente – da sensibilidade, o mais atuante nem sempre é a sensibilidade consciente. A sensibilidade consciente de si mesma, dominada e elaborada pelo psiquismo do indivíduo, é menos exigente do que a sensibilidade inconsciente.
Esta última, devido à sua natureza profunda e inacessível ao domínio do indivíduo, continua compulsional e tirânica. Pode ser recalcada, mas não dominada. Mantêm a sua intensidade e o seu poder animal. O inconsciente só conhece a lei da satisfação imediata. E essa violência instintual do inconsciente mantém-se enquanto não tiver sofrido, por intermédio da relação com o outro e pela mediação da palavra, o freio da realidade exterior. O poder absoluto enlouquece, dizia Platão.
O mesmo é dizer que o poder absoluto dos educadores não deve estar subordinado às exigências dos seus desejos inconscientes.
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Perturbação obsessivo-compulsiva (POC)]]>Alice Patrício, psicóloga clínica na Psicomindcarehttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/04/28/perturba%C3%A7%C3%A3o-obsessivo-compulsiva-POChttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/04/28/perturba%C3%A7%C3%A3o-obsessivo-compulsiva-POCFri, 28 Apr 2017 21:54:07 +0000
A Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) constitui uma perturbação de ansiedade específica, a par com a perturbação de pânico, com a fobia social ou com a ansiedade generalizada. É uma das perturbações que, no geral, mais desgasta as pessoas a nível emocional, intelectual e mesmo físico e como tal, limita a qualidade de vida.
As pessoas com experiência de Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) apresentam maiores défices ao nível da regulação emocional, dado o recurso a mecanismos cognitivos e comportamentais ineficazes, desde a supressão de certos pensamentos ao evitamento de gatilhos, acreditando-se que assim se está a prevenir – quando, efectivamente, se está a circunscrever mais a própria vida.
Casos há em que a POC confina numa perturbação de personalidade (estrutural) – então designada como Perturbação de Personalidade Obsessivo – Compulsiva (PPOC). Quando se diagnostica sob a forma de traço, estímulos desencadeadores (gatilhos) como eventos de vida mais stressantes ou até traumáticos podem influenciar na manifestação e vulnerabilidade desta perturbação. A pessoa com POC receia que os seus pensamentos negativos, sensações ou acções se realizem. E os verbos – chave aqui são “controlar”, “evitar” e “prevenir”. O mal-estar advém das tentativas de afastar os pensamentos, os impulsos, as imagens mentais que afligem constantemente e a pessoa torna-se hiper vigilante sobre o seu corpo, sobre as suas rotinas e sobre tudo o que a rodeia e centra-se em pensamentos recorrentes e intrusivos, por exemplo, sobre doenças, sujidade, contaminação, dúvidas sobre segurança, evitamento de erros, o que considera prejudicial ou perigoso, ferimentos, temor a impulsos ou desejos, actos sexuais pessoalmente repulsivos, imoralidade ou religião, ou em acções de verificação, de organização, de simetria, de exactidão, de rotina ou de compensação. Mas sempre consciente que tais pensamentos incomodam e que até são “irracionais”, o que aumenta ainda mais o desconforto, a depreciação acerca de si mesmo e até a distorção de pensamento que o(a) distanciam ainda mais da realidade. Ou seja, se a POC tem uma base ansiogénica, é com ansiedade que a pessoa também procura resolver o problema.
Mas, como a designação indica, a Perturbação Obsessivo-Compulsiva tem duas componentes: a obsessão e a compulsão. Para considerarmos obsessão teremos então de estar perante pensamentos, impulsos ou imagens mentais com as seguintes características: serem negativos, intrusivos, muitas vezes reconhecidos como absurdos, que surgem repetidamente e que resistem a desaparecer da nossa consciência. Conforme as vivências culturais assim se verifica a prevalência de algumas obsessões. Já a compulsão é o que ritualiza com função de neutralização ou remoção de determinada obsessão e redução ou eliminação da ansiedade, ou do desconforto ou sofrimento associado, ou com intenção de garantir a protecção (daquele tipo de pensamentos, impulsos ou imagens). Ou seja, a compulsão é o comportamento manifesto e repetitivo e é através desta que o sujeito percepciona a função de controlo sobre essa ansiedade e pretende reduzir o sofrimento, mesmo acreditando que possa ser inadequada: contar repetidamente, perguntar frequentemente, evitar côres, números, traços, colocar objectos simetricamente, fazer lavagens constantes, fazer ensaios subvocais de palavras, frases ou orações, fazer verificações repetidas (muitas vezes com regra numérica) para evitar algum resultado temido, fazer colecções várias, ter necessidade de guardar tudo independentemente de vir a ser usado ou não, desenvolver compulsão alimentar… são alguns exemplos. E enquanto as obsessões podem nascer e desenvolver-se em privado, as compulsões, por força da acção comportamental manifestam-se exteriormente ao individuo, logo, constituem a componente visível da perturbação (mesmo aquelas que se possam desenvolver em espaço privado). A maioria dos indivíduos com POC tem tanto obsessões como compulsões.
Tratando-se de uma perturbação de base ansiogénica, a taxa de comorbilidade é (habitualmente) alta. Estatisticamente, mais de metade destas pessoas chegam também ao diagnóstico de depressão major (o que, por sua vez, piora os sintomas obsessivos), ou a fobia social, ou a fobias específicas, ou a perturbação de pânico, ou a perturbação dismórfico corporal, ou a Síndrome de Tourette.
Sem tratamento, a POC não desaparece e, geralmente tende a piorar, não somente pela perturbação em si, mas pelas suas co morbilidades. É comum recorrer-se à farmacologia para solucionar o problema, mas, uma vez mais, somente por esta via estamos a apostar no sintoma desvalorizando a causa e, mais cedo ou mais tarde, voltamos a sentir o incómodo e as limitações do problema. Somente com recurso a esta terapia, no geral e numa situação normal, as doses administradas para a POC são mais elevadas que as administradas na depressão e os efeitos desta medicação pode demorar até 3 meses sendo o desaparecimento dos sintomas gradual. Através de intervenção psicoterapêutica (sobretudo de abordagem cognitivo-comportamental) a prioridade estará em renomear, reatribuir, refocar, reavaliar esquemas / crenças mal adaptativos e em pensamentos metacognitivos que levam a processos automáticos e aí, o objectivo não é que o sujeito neutralize a(s) obsessão(ões) mas que aprenda a distorcer cognições de previsão de cenários mais temidos e a expor-se aos mesmos, a modificar estimativas de ameaça exagerada, a reformular crenças erróneas e de controle, adquirindo estratégias que se vão traduzir no alívio da ansiedade (aprende-se que não é preciso o exercício do ritual para se livrar da ansiedade) e permitindo assim diminuir a angústia da situação. Epidemiologicamente também está demonstrado que a terapia cognitivo-comportamental, designadamente a exposição e prevenção de resposta (ERP) é significativamente mais efectiva que o medicamento sozinho.
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O trigo e o glúten]]>Jorge Martinho, Naturopata, parceiro Nutrimushttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/04/17/O-trigo-e-o-gl%C3%BAtenhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/04/17/O-trigo-e-o-gl%C3%BAtenMon, 17 Apr 2017 19:44:37 +0000
A propósito desta matéria ouvimos inúmeras opiniões, e não passam disso mesmo, fica então a minha reflexão.
Será que faz sentido basear toda a nossa dieta num só cereal?
Será que faz sentido procurar alimentos “sem glúten”?
Primeiro há que ter em conta a modificação dos alimentos e da nossa alimentação ao longo das últimas décadas, com uma agricultura baseada em monoculturas e depois produtos industrializados ricos em farinhas refinadas principalmente à base de trigo.
Essa adaptação forçada do nosso organismo implica necessariamente processos de desequilíbrios favoráveis a uma maior incidência de patologias.
Numa leitura mais atenta a dados epidemiológicos facilmente constatamos agravamento de distúrbios digestivos principalmente a nível intestinal.
A nível da gastronomia tradicional também encontramos uma maior diversidade no uso dos cereais e será essa a melhor resposta! Diversificar efectivamente a escolha alimentar. Não podemos ficar condicionados a uma variedade de marcas mas baseadas quase todas num cereal predominante e com esta nova tendência dos cereais “aspirantes” a integrais ou “integrais por decreto”, conceito que confesso ter alguma dificuldade de compreensão.
Ao retirar componentes importantes ao cereal, mesmo que depois adicione, este não terá deixado já de ser integral? Será quanto muito enriquecido em qualquer coisa.
Adiante, devemos então procurar fontes naturalmente isentas em glúten ou com tipo de glúten diferente e em menor quantidade, encontramos no trigo mourisco, espelta, na quinoa, na aveia, cevada, centeio, milho, arroz, estes últimos sem qualquer tipo de glúten.
Este aspecto do tipo e quantidade de glúten só é importante para quem apresente intolerância ao glúten!
Passo a explicar as diferenças do tipo de glúten, o trigo é a principal fonte de gliadina, proteína mais pesada e por vezes por vezes associada a digestão “pesada”, alterações no funcionamento do intestino, dilatação abdominal, e intensificação de sintomas de alergias, implicações em distúrbios auto-imunes. Os outros cereais possuem tipos de glúten diferente com menos impacto nestas manifestações.
Só dou razão às vozes que se ouvem a criticar as “modas”, neste aspecto e talvez aí estejamos em sintonia, não devemos em condições normais, procurar alimentos industrializados isentos de glúten mas sim alimentos naturalmente mais pobres em glúten, ou seja, variar nos cereais, porque afinal substituir alimentos industrializados por outros….
Ao criticar as tendências não devemos desconsiderar as legítimas preocupações com a saúde individual.
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Função psíquica da mãe]]>Paula Norte, psicóloga clínica na Psicomindcarehttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/04/05/FUN%C3%87%C3%83O-PS%C3%8DQUICA-DA-M%C3%83Ehttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/04/05/FUN%C3%87%C3%83O-PS%C3%8DQUICA-DA-M%C3%83EWed, 05 Apr 2017 22:32:34 +0000
A mãe é o centro e a quase totalidade das experiências do bebé, simultaneamente nos planos fisiológicos, afetivo, psíquico e intelectual. A mãe é alimento (sucção e sabor), audição (som) e movimento, carícias, visão, preensão, segurança, satisfação e insatisfação. Pelo somatório das sensações, a mãe é o alimento essencial do desenvolvimento mental. O mesmo é dizer que a atitude afetiva da mãe determina o clima total em que a criança vive e onde se desenvolve o recém-nascido. O bebé, ainda indiferenciado, só passivamente pode responder ao ambiente, na falta de um «eu» constituído que oferecesse uma armadura à sua disponibilidade.
A mãe é fonte constante de provocação e de estímulo. Ela é sentida como fonte de satisfação e de insatisfação. É a mãe quem dirige o bebé, não somente para o que lhe convém, mas para aquilo que lhe dá prazer a ela. E, isto para além da ação consciente, pois é movida pelos seus desejos, prevenções, bloqueios afetivos que revelam uma modelação inconsciente recíproca, uma muito profunda troca de sensações.
A comunicação primária do bebé e da mãe, ainda psiquicamente não elaborada, permanece, todavia, uma linguagem do corpo, diferente da linguagem do adulto e, tanto mais quanto neste primeiro diálogo há desigualdade entre a criança e o adulto. A criança só pode comunicar através de sinais suscetíveis de traduzir a sua experiência e só recebe da mãe respostas que muitas vezes não pode decifrar. Ora, como durante os primeiros três meses não se dá a precepção elaborada devido à imaturidade psíquica, a criança só recebe sensações cinestésicas. É somente a partir do 3º mês que o «eu» se constituí, em função nomeadamente do clima afetivo, criado pela mãe. É assim, que a resposta ao sorriso, que surge em média no 3º mês, pode ser retardada até ao 5º e mesmo 6º mês, conforme as reações maternas. A própria mãe reage, aliás conforme a personalidade da criança. Reage igualmente em função do meio social e familiar, das tradições e da sua própria maturação afetiva.
A intensidade e a profundidade das comunicações afetivas que unem o bebé e a mãe tornam-nas numa relação de posse recíproca, ou, como se disse, num «egoísmo a dois». Não existe um diálogo de dois seres diferenciados e autónomos, mas confusão e participação recíprocas. A criança experimenta-se como fazendo parte do corpo materno, e a vigilância das respostas maternas às suas necessidades sustenta essa sensação de comunhão.
Nessa relação, o indivíduo ama por absorção. E não é injustificadamente que as religiões vêem na comunhão a manifestação do amor mais profundo, aquela em que o ser se confunde com o objeto do amor. E quando a mãe num gesto de ternura, diz à criança «vou-te comer», traduz esse estado afectivo em que a criança aspira à fusão – não à relação objetiva – onde faz corpo com a mãe e a experimenta organicamente. E este facto é experimentado com uma intensidade tanto maior quanto, pelo seu parasitismo vital, a criança sente a sua própria existência na imagem materna.
Compreende-se que, num tal clima, qualquer perturbação afetiva da mãe desencadeie perturbações reativas na criança e que uma prova afetiva importante aguarde a criança quando vier a sentir a mãe distinta dela. Será a prova do desmame afetivo, geralmente associada ao desmame alimentar, prova que vai contribuir para asua maturidade, levando-a a ver a mãe como objeto que se vai perder.
A sensibilidade materna, devido à intensidade dos laços filho-mãe, tem certamente uma maior tendência para ver na criança um objeto de posse. A criança é assim sentida como devendo proporcionar satisfações afetivas de compensação. A mãe que não encontre numa maturidade suficiente e nas relações de adulto uma resposta às suas necessidades tem tendência inconsciente para pedi-la à criança. Esta mesmo antes de ser ela própria, torna-se objeto de manipulações afetivas maternas.
Deste ponto de vista, a sensibilidade materna pode variar consideravelmente. Há, em primeiro lugar, a boa mãe para quem a criança é uma fonte de profundas satisfações. Experimenta-a como carne da sua carne e sente uma alegria narcisista. Há satisfação do «isso», do «eu» e do «super-eu», ou seja, existe satisfação ao mesmo tempo no plano consciente e inconsciente, se a sua feminilidade está plenamente realizada.
Mas existem também mães cuja imaturidade afetiva provoca reações perturbadoras. Em primeiro lugar, as que não aceitam a criança inconscientemente a rejeitam. As que se sentem responsáveis pela rejeição hostil e sofrem de angústia. Aquelas cuja instabilidade afetiva provoca saltos de humor, e oscilam entre mimo excessivo e a hostilidade agressiva. E, finalmente, aquelas que permanecem indiferentes e abandonam afetivamente a criança.
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O snack perfeito para o verão!]]>Jorge Martinho, Naturopata parceiro Nutrimushttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/03/31/O-snack-perfeito-para-o-ver%C3%A3ohttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/03/31/O-snack-perfeito-para-o-ver%C3%A3oFri, 31 Mar 2017 18:09:06 +0000
Para passar uma hora na praia ou para um passeio no pinhal ou mesmo para um pick nick num local original e deslumbrante
O que pode levar na lancheira?
1 Caixa com fruta fresca, com especial destaque para uvas, mirtilos, maçãs, pêra, morangos pêssegos, melancia ou melão) ou tiras de cenoura ou aipo.
Nunca pode faltar: Água, sumos naturais e tisanas refrescantes (hibisco, hortelã, lucia lima, príncipe, urtigas ou chá verde).
De forma a obter uma refeição mais completa, a melhor estratégia será a seguinte:
Iogurte, ao qual pode adicionar uma peça de fruta ou uma porção de aveia ou outro cereal.
Noutra abordagem pode optar por uma mousse fria, preparada de véspera, num frasco de vidro juntar 4 colheres de sopa de aveia, iogurte natural, 1 colher de sopa de chia. Antes de sair de casa misturar todos os ingredientes com uma mão cheia de fruta fresca e uma colher de chá de mel.
Se o dia for mais longo deve reforçar com uma salada (rúcula, canónigos, cenoura ou tomate cherry e hortelã). Levar um frasquinho com o seu tempero preferido que pode ser, limão ou vinagre balsamico ou vinagre de sidra e canela ou pimenta rosa em vez do sal) e juntar bagas de goji ou sementes de girassol e fatias de queijo.
Se o apetite e o desgaste for maior, pode optar por:
Sandes de atum ou de húmus de grão ou beterraba, alface e rodela de tomate.
Ou
Focaccia de tomate e alecrim. Prepare a massa com 400g de farinha, 1 colheres de chá de sal, uma porção de fermento de padeiro seco , 3 colheres sopa de azeite extra virgem, uma chávena de água morna, 20 Tomates-cereja , algumas hastes de alecrim, uma pitada de flor de sal.
Ou
Como alternava mais doce, pode optar por Muffins de Curgete, Gengibre e Limão. Deve usar em partes iguais farinha de trigo ou aveia integral e normal ou uma parte de flocos de aveia, 1 pitada de sal, 1 colher de chá de fermento, açúcar amarelo, 1 limão (casca apenas), curgete, 1 iogurte natural, coco ralado, azeite e ovos.
Bom apetite!
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PORQUE A PSICOLOGIA TAMBÉM É COMUNITÁRIA]]>Alice Patrício, psicóloga na Psicomindcarehttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/03/02/PORQUE-A-PSICOLOGIA-TAMB%C3%89M-%C3%89-COMUNIT%C3%81RIAhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/03/02/PORQUE-A-PSICOLOGIA-TAMB%C3%89M-%C3%89-COMUNIT%C3%81RIAThu, 02 Mar 2017 15:28:22 +0000
Escadinhas de São Cristóvão, Lisboa (foto de Oh Lisboa)
PORQUE A PSICOLOGIA TAMBÉM É COMUNITÁRIA: A IMPORTÂNCIA DA CONSISTÊNCIA DAS MEDIDAS DE MUDANÇA EM CONTEXTOS COMUNITÁRIOS
O sentimento de pertença e de identificação a uma comunidade pressupõe, não só, obtenção de apoio social, como a disposição de recursos, com os quais se pode minimizar efeitos de carências e potenciar a saúde (mental e física), as oportunidades, os níveis de satisfação, o grau de envolvimento dos residentes, o sucesso escolar das crianças e o seu desenvolvimento (bem como a relação com problemas de comportamento).
Os contextos funcionam, assim, como mediadores e determinantes de processos individuais ou familiares. Uma comunidade competente pode ser definida como “uma comunidade que utiliza, desenvolve e obtém recursos” (Ornelas 2002). Então, a consistência das medidas de mudança numa comunidade passará pelo realce e incentivo das capacidades e qualidades dos indivíduos e da comunidade em geral (e não por salientar os défices).
Os indivíduos são sempre parte do sistema, logo, interessados e intervenientes nas actividades de melhoria da (sua) comunidade (enquanto seu “capital social” facilitador do benefício comum) e os programas e medidas de mudança deverão, desde logo, identificar esta interligação entre indivíduos e contextos.
Já os contextos de mudanças são necessários enquanto factor impulsionador do envolvimento e mobilização cívica. E ao serem sustentáveis serão, eles próprios promotores de mudança. Contudo, é necessário ter em conta que a consistência de medidas de mudança passa pelo controlo de mais do que uma variável de influência. Por exemplo, reduzirmo-nos ao controlo da pobreza num bairro pode subestimar o grau com que os pertencentes a uma dada etnia, também aí residentes, vivenciam os diferentes “nichos-ecológicos” no que se refere à educação, ao emprego, às oportunidades de casamento e oportunidades para estabelecerem interacções com a restante sociedade (Wilson, 1987). Ou seja, a minimização de determinadas características contextuais empobrece a compreensão do desenvolvimento e de outros processos psicológicos, conduz à perpetuação de estereótipos e à supressão de oportunidades para a intervenção.
A mudança pressupõe dois procedimentos básicos:
parcerias interdisciplinares, da própria comunidade ou com ligação à mesma, com objectivos comuns, que possam contribuir para o desenvolvimento de sistemas integrados ou articulados de serviços comunitários e para a promoção daquela comunidade;
aposta na resolução dos problemas através de processos de colaboração e sustentáveis no tempo, com vista ao desenvolvimento de modelos de sucesso.
Considerando que a sociedade é dinâmica a intervenção surge com função preventiva, como tentativa de ajustamento à mudança, através de respostas concertadas entre os diversos parceiros, da promoção de medidas de resiliência, do empowerment.
Especificamente, a intervenção comunitária poderá ser operacionalizada a partir das relações sociais entre indivíduos, grupos, associações ou instituições com impacto, de influências, orientações ou acções concretas (os potenciais recursos comunitários) com maior ou menor apoio externo (visto que se trata de um sistema aberto). O resultado imediato desta intervenção é a mudança social e em última instância a mudança individual. Aliás, a consistência das medidas de mudança comunitária será tanto mais eficaz quanto a participação for generalizada aos indivíduos, à sua colaboração na definição e implementação de objectivos comuns. E o que é que isto poderá ter a ver com o bem estar psicológico e físico de cada um? Consequentemente, na aquisição dessa força motivadora com importantes repercussões para a saúde e auto-eficácia que é o empowerment individual e colectivo.
Para o efeito, as áreas temáticas mais frequentemente abordadas pelos modelos de desenvolvimento comunitário, são os procedimentos democráticos, a cooperação voluntária, a ajuda - mútua, a liderança e educação dos agentes locais. Já as estratégias prioritariamente utilizadas para obtenção da mudança, são o envolvimento dos indivíduos na identificação e resolução dos seus próprios problemas – sendo os técnicos (“apenas”) elementos facilitadores na resolução de problemas, encorajando os indivíduos e as organizações, dando ênfase aos objectivos comuns e favorecendo o crescimento ao nível das competências democráticas.
Pelo contrário, quando são os técnicos a impor propostas de actuação esperando que os locais as aceitem, no geral a comunidade elabora as suas expectativas e, muitas vezes, a sua desconfiança, não constituindo esta metodologia uma resposta às fragilidades sociais existentes. Há que estruturar intervenções sociais, que facilitem a emergência de comunidades competentes e saudáveis, no pressuposto que o objectivo de todas as intervenções é a mudança social, baseada na competência e com vista ao bem-estar da comunidade, logo, individual.
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Sou uma pauta musical]]>Susana Simões, psicóloga na Psicomindcare para Up to Kidshttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/02/28/Sou-uma-pauta-musicalhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/02/28/Sou-uma-pauta-musicalTue, 28 Feb 2017 20:20:00 +0000
Se por um lado a interação com os outros e com o que nos rodeia envolve emoções, por outro lado, as nossas emoções são o reflexo dessa interação. Todas as experiências nos provocam uma determinada emoção, que vai condicionar essa mesma experiência.
O nosso estado emocional determina a nossa qualidade de vida e influencia a forma como agimos e as decisões que tomamos. Podemos então dizer que o comportamento é impulsionado pela emoção.
As emoções fazem parte da nossa vida, sendo fundamental perceber o que estamos a sentir e porque o estamos a sentir. Não devemos evitá-las, mas sim entende-las e aprender a viver com elas. Sendo todas necessárias, algumas têm um papel muito importante na nossa proteção. Por exemplo, sentir medo protege-nos de ameaças e prepara o nosso corpo para reagir e se não sentíssemos medo, provavelmente, atravessaríamos a estrada sem olhar, porque não temíamos ser atropelados. Todas as emoções são essenciais e estão associadas à nossa vivência.
O nosso corpo é o palco de atuação das nossas emoções e, por isso, as reações fisiológicas são uma das formas de percebermos como nos sentimos, é o nosso “termómetro de sentimentos”. Não há emoções positivas ou negativas, devemos qualifica-las como agradáveis ou desagradáveis, como algo que faz de nós a pessoa que somos…
Se pedissem para me definir emocionalmente em apenas duas palavras, diria que sou uma Pauta Musical, onde as notas se podem organizar e fazer fluir o som e o ritmo, como expressão das minhas emoções.
Determinadas por um espaço e por um tempo, as emoções surgem como notas que se unem para dar corpo a uma música, pronta a ser tocada por um qualquer instrumento.
Se estou triste, sou pauta pronta para que uma guitarra me toque e faça gemer nas suas cordas um fado nostálgico e por vezes angustiado.
Quando me surpreendem, o compasso é perfeito para que os pistões do saxofone façam soltar num sopro, um jazz maravilhoso.
Se a irritação me assola, aí sou metálica, música pesada e pronta para os break`s de um qualquer baterista audacioso.
Mas se o stress me invade, o ritmo acelera, como se semicolcheias se organizassem freneticamente sob a forma de Jive.
Em momentos de paz, as notas desfilam suavemente e das teclas de um piano pode surgir uma rumba.
Se me apetece estar só, a observar o mar… podem ouvir-se violinos a tocar “We are free now” (Enya)
Mas por vezes o ritmo aquece, a sedução abraça-me e a paixão pode ser refletida num tango.
Também são muitos os momentos de festa e alegria, nesses instantes eu sou samba!
Mas se a felicidade me absorve, deixo de ser uma simples pauta e passo a ser partitura, onde as notas se estruturam para que vários instrumentos de uma orquestra toquem em sintonia e numa harmonia absoluta e é nessa altura que percebemos que o todo é muito mais que a soma das partes.
Afinal, sou uma pauta onde as notas se organizam, onde os ritmos e os compassos se alteram em conformidade com as emoções que sinto e faço sentir, porque eu não sou apenas eu, sou também o reflexo do que o que me rodeia me faz sentir.
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Porque mentem as crianças?]]>Helena Coelho, psicóloga clínica, para uptokids.pt/ ®https://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/10/31/Porque-mentem-as-crian%C3%A7ashttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/10/31/Porque-mentem-as-crian%C3%A7asTue, 28 Feb 2017 13:37:00 +0000
As crianças mentem por duas razões: porque para elas é “verdadeiro” ou por medo.
As crianças pequenas não sabem distinguir a fantasia da realidade, tudo é possível e tudo é verdadeiro. Os super-heróis que vêem na TV têm “mesmo” super-poderes, os animais falam, os barcos voam e as fadas têm capacidades mágicas.
Por outro lado, não tem percepção de que o outro tem uma existência individual da sua. O mundo que a rodeia é à semelhança do seu próprio mundo e não consegue perceber que existe uma outra realidade que não seja aquela que vê ou que sente. Dito de outra forma, se a criança está a ver, é porque existe, se não é, não existe. É por isso que uma criança pequena quando brinca ao “CuCu, ao tapar os olhos deixa de ver e acha que o outro não a vê a ela.
Então as brincadeiras e expressões, que para os pais podem não ser verdadeiras, para a criança são. Por esse motivo, que quando sonham e acordam assustadas precisam de ser tranquilizadas e não que lhes seja dito que era só “um sonho”, que não aconteceu de verdade, pois para ela é difícil fazer a destrinça entre ambos, para ela é real.
Este estado de indiferenciação vai, progressivamente, ganhando novos contornos através da interação com o outro e com o meio, até a criança desenvolver a capacidade de separar a fantasia da realidade. Por volta dos 4 anos o mundo do concreto começa a tomar forma e a partir dos 6/7 anos a criança já tem consciência que imaginar e mentir são situações bem distintas.
Então porque mente a criança?
A criança mais velha mente por medo: medo do castigo (não é a mesma coisa do que compreender as consequências), medo de falhar, medo de não corresponder às expectativas, medo de não saber, medo de desiludir, medo de…
Castigar uma criança que mente só vai alimentar esses medos, na medida em que reforça a causalidade do mentir. Uma abordagem adequada será perceber qual a maturidade da criança em relação á realidade e qual o seu grau de compreensão das consequências, ou seja, do impacto negativo que tem em si ou nos outros.
Outro tema importante a explorar é o da confiança, como sendo um valor fundamental na sua relação interpessoal. Explicar calmamente estas questões através de histórias, pequenos filmes, tentando que se coloque no “lugar do outro” são estratégias, normalmente, bem recebidas e bem conseguidas para as crianças.
Ter ainda em atenção que umas das principais formas de aprendizagem é a modulação de comportamentos. Se os pais dizem que não se diz mentiras, mas mentem ou, mais grave ainda, tornam as crianças cúmplices dessa mentira (mesmo nas chamadas “mentirinhas piedosas” pelos adultos) a instrução inicial dos pais perde valor e significado. Um exemplo típico é o “não digas nada à mãe” ou “o pai nem pode sonhar”.
Estimular a imaginação e a criatividade da criança é fundamental para que se desenvolvam de forma saudável. É importante que brinquem ao faz de conta, aos disfarces que imaginem. A fantasia favorece o desenvolvimento da inteligência, em termos cognitivos e emocionais e, paradoxalmente, facilita a separação entre o real e o imaginário. Ajuda a que percebam as consequências, inclusive, de mentir.
Crianças emocionalmente inteligentes, tendem a não mentir.
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Quando você é o seu pior inimigo]]>Helena Coelho, psicóloga clínicahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/01/27/Quando-voc%C3%AA-%C3%A9-o-seu-pior-inimigohttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/01/27/Quando-voc%C3%AA-%C3%A9-o-seu-pior-inimigoFri, 27 Jan 2017 20:23:16 +0000
Sim, você pode ser o seu maior inimigo, sem sequer se dar conta. Este inimigo é silencioso, vai-se instalando e acomodando no Eu, devagarinho, sem você se aperceber. Quando se manifesta, está já de tal forma enraizado que é extremamente difícil eliminá-lo da sua vida.
Paradoxalmente, este fenómeno começa por ser um mecanismo de proteção do ego, com fuga da dor emocional e manutenção da auto-estima. A pessoa desenvolve comportamentos de auto-sabotagem quando, de forma continuada, o nosso inconsciente nos “ludibria e convence”, através dos ganhos secundários associados à chamada “zona de conforto”, a evitar as situações que exigem controle dos comportamentos e gestão das emoções associadas aos ganhos imediatos.
Vejamos o seguinte exemplo:
A Sra. tem excesso de peso e afirma que desde sempre teve problemas com a comida. Já fez várias dietas, mas quando acaba a dieta recupera o peso todo. Quando tem mais peso, tem mais atenção no que come e esforça-se para fazer exercício físico, mas falta a esse compromisso recorrentemente. Diz-se preguiçosa e sente-se demasiado cansada ao fim do dia, para ir ao ginásio. Quando confrontada com os riscos que o excesso de peso envolve para a sua saúde, defende que “engorda com o ar” e que não faz nada que justifique estar assim. Afirma que conhece algumas pessoas magras que morreram de cancro ou de acidente, pois “para morrer, basta estar vivo”.
Então qual é a zona de conforto da Sra A. ou, dito de outra forma, onde há menos dispêndio de energia? Ir ao ginásio requer um esforço contínuo e uma compensação (prazer) a longo prazo. Por outro lado, alguns tipos de comida acentuam o reforço imediato através da sensação de “consolo” e bem-estar. Então, o “ganho secundário” de não ir ao ginásio ou comer alimentos que são saudáveis e que afirma “não gostar”, sobrepõe-se à racionalidade do saber o quão bem fará à sua saúde, instalando-se o ciclo vicioso de sabotagem.
Há ainda um movimento de fuga à depressão, potenciada pelo confronto com o insucesso e o fracasso por não conseguir emagrecer, quando banaliza a saúde vs motivos para morrer. Na verdade muitos estados depressivos estão, precisamente, associados a estes ciclos de sabotagem. Pessoas que sucessivamente tentam alterar os seus comportamentos auto-destrutivos, mas que acabam por a reincidir, entram muitas vezes em depressão.
Este é um exemplo de um ciclo vicioso de comportamentos auto-destrutivos. Eis outras situações:
anorexia e bulímiaabuso e dependência de substâncias ( álcool e substancias aditivas em geral)vitimização e manipulação, com ganho secundário de atenção e afetoscomportamentos de risco (exemplo: condução agressiva ou descuidada, atividades de procura de “adrenalina”; sexo desprotegido com vários parceiros )auto-lesão ou auto-mutilação – situação bastante grave
Em comum nestas situações a incapacidade de lidar com as emoções negativas, uma baixa tolerância à frustração e com necessidade de recompensas imediatas, de tal forma que se sobrepõem à vontade consciente de mudar.
O processo psicoterapêutico envolve, em primeiro lugar, reconhecer e aceitar os comportamentos de auto-sabotagem, para depois se estabelecerem metas e objetivos tangíveis e de investimento energético crescente e aceitável. É basilar e primordial resgatar o amor-próprio e desenvolver características associadas à inteligência emocional.
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Fui mãe, devia estar feliz… então porque me sinto assim?]]>Alice Patrício, Psicóloga para uptokids.pt/ ®https://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/01/20/Fui-m%C3%A3e-devia-estar-feliz%E2%80%A6-ent%C3%A3o-porque-me-sinto-assimhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/01/20/Fui-m%C3%A3e-devia-estar-feliz%E2%80%A6-ent%C3%A3o-porque-me-sinto-assimFri, 20 Jan 2017 15:45:13 +0000
Acabou de ser mãe!
Vê todos felizes à sua volta, o bebé está bem, mas você não consegue sentir-se satisfeita e pensa que o seu estado não é normal? A família não entende e o marido ou companheiro não sabe o que fazer?
O nascimento de um bebé pode ser um desafio para a mãe, tanto física como emocionalmente, mesmo nos melhores momentos. A perfeição é um mito, pelo que o que se pode chegar a verificar é: a melhor gravidez possível, o melhor nascimento possível, o melhor bebé possível, os melhores pais possíveis. E tanto melhor quanto o suporte familiar for efectivo, pois também pode ajudar a mãe recente na recuperação e a desfrutar do tempo com a família.
É comum e poder-se-á admitir mesmo como natural, que tanto a mãe como o pai experienciem alterações de humor com a chegada de um filho. Quem já não sentiu ou testemunhou, nesta fase, um momento de alegria enorme logo seguido de uma angústia capaz de colocar tudo em causa?
Estes sentimentos de angústia e de tristeza sentidos nos primeiros dias após o parto são geralmente designados como “Baby Blues”. Trata-se de uma fase passageira, comum, causada apenas pelas alterações hormonais bruscas que a mulher sofre no pós-parto. Em regra, nem necessita de tratamento e os sinais costumam desaparecer, naturalmente, ao fim de 15 a 20 dias depois do parto.
Todavia, algumas mães recentes podem vivenciar uma fase mais duradoura do que o Baby Blues, com sintomas que podem ter iniciado ainda na gravidez, ou decorrem há vários meses desde que o bebé nasceu ou então surgiram até um ano após o nascimento da criança. Aí, estaremos perante “Depressão Pós Parto”.
Neste caso sente-se ansiedade, choro fácil, tristeza e irritação, exaustão, maior dificuldade em concentrar-se e em motivar-se, culpa por não estar a conseguir usufruir do bebé, alterações no apetite e no sono, inadequada para tomar conta do filho recém-nascido, falta de interesse no bebé, chega a pensar em agredi-lo ou em agredir-se a si própria, ou pensa recorrentemente em morte ou suicídio…
Embora a Depressão Pós Parto afecte mais as mães, pode também incidir sobre os pais recentes, biológicos ou adoptantes. Não é causada pela gravidez ou pelo nascimento do bebé (embora possa surgir nestas fases), nem se baseia num único antecedente mas num conjunto de factores anteriores: históricos, biológicos, de personalidade, de experiências de vida, contextuais. Contudo, contam-se como factores de risco, já se ter passado por uma Depressão antes da gravidez ou por uma Depressão Pós Parto anterior, por existir história familiar de Depressão, por se verificar suporte familiar ou social frágil, por dificuldades financeiras, stress, antecedentes traumáticos, estrutura emocional fragilizada.
Alguns designam este estado como mais uma doença da civilização moderna e do estilo de vida. Por exemplo, numa cultura onde se exige à nova mãe um regresso, o mais imediato possível ao trabalho, a pressão também tende a aumentar. Ou quando a mulher percepciona a expectativa social relativamente à felicidade da mãe perante o seu bebé.
A Depressão Pós Parto requer tratamento. Não fique sozinha nesta luta! Com ajuda profissional poderá normalizar o seu estado emocional.
No âmbito do acompanhamento psicológico, a terapia cognitivo-comportamental é indicada em sintomatologia leve a moderada. Através desta psicoterapia, consegue-se alterar pensamentos disfuncionais e, consequentemente, trabalham-se sentimentos e comportamentos, além de com ela se poder praticar alguns exercícios de relaxamento.
Simultaneamente, o investimento nas relações sociais é importante para a partilha de experiências, para aprendizagem sobre a forma mais adequada, para si, de se ajustar à nova situação, para se perceber que não é caso único e que outros já passaram ou estão a passar pelo mesmo, ainda que cada progenitor ou cada criança sejam únicos e incomparáveis.
A introdução de medicação antidepressiva servirá para os estados mais severos da doença (tendo em atenção eventual influência na amamentação), a par da psicoterapia para efeito duradouro, pois uma terapia unicamente baseada em psicofarmacos não chega para travar o “alimento” da Depressão, que são as nossas cognições e crenças disfuncionais.
O apoio e cuidado por parte de quem está próximo são também relevantes. Para isso, ajuda que as expectativas dos cuidadores sobre a evolução do estado depressivo da mãe / parturiente sejam realistas, que demonstrem disponibilidade para ajudar a cuidar do bebé (inclusivamente, promovendo os períodos necessários de descanso para a mãe), que a sua ajuda permita a concretização de objectivos diários por parte da mãe / dos pais do recém-nascido.
Com suporte e com tratamento a Depressão Pós Parto da mãe não acompanhará o crescimento da nova criança.
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Detox - a desintoxicação saudável]]>Jorge Matinho, Naturopatahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/01/13/Detox---a-desintoxica%C3%A7%C3%A3o-saud%C3%A1velhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/01/13/Detox---a-desintoxica%C3%A7%C3%A3o-saud%C3%A1velFri, 13 Jan 2017 22:56:52 +0000
Chegamos a esta altura do ano e vem a necessidade de desintoxicar, mas não devia essa necessidade ser real e racional?
Muitas vezes seguimos determinado regime sem definição de objectivos ou de forma pouco clara e confusa.É importante por isso planear de forma racional evitando assim complicações e grandes sacrifícios ou restrições.
Uma cura, um regime alimentar de desintoxicação deve ter como principal objectivo estimular o nosso organismo na desintoxicação para que assim possa funcionar o resto dos próximos meses com uma resposta eficaz, potenciando o metabolismo e evitando uma acumulação excessiva de toxinas.
Para que tal seja possível temos que treinar o nosso organismo, criar rotinas e estabelecer etapas graduais. É importante seguir uma regra valiosa, retirar primeiro e progressivamente os alimentos mais complexos a nível digestivo, planeando refeições cada vez mais simples sem grandes combinações.
Depois deveremos dar destaque a alguns alimentos preciosos para esta missão, a maçã, as uvas, a romã, dióspiro, cenoura, abóbora, beringela, courgette, limão, são alguns bons exemplos de alimentos que não devem faltar num regime detox.
Leia também 7 estratégias para controlar o apetite de doces por impulso
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15 dicas para emagrecer de forma saudável]]>https://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/01/04/15-dicas-para-emagrecer-de-forma-saud%C3%A1velhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/01/04/15-dicas-para-emagrecer-de-forma-saud%C3%A1velWed, 04 Jan 2017 11:18:44 +0000
O sedentarismo e os maus hábitos alimentares estão entre as maiores causas do excesso de peso da população, juntamente com o abuso do álcool e de medicamentos e os fatores genéticos e ambientais. No entanto, conforme revelou a pesquisa divulgada pelo IBGE na última semana, a dieta muito calórica e pouco saudável dos brasileiros se destaca como a principal delas. Por este motivo, a reeducação alimentar está entre as principais estratégias utilizadas para emagrecer.
Dietas radicais que incitam uma intensa restrição calórica não são eficazes em todos os casos e podem diminuir o metabolismo, reduzir a perda de peso, elevar o estresse e aumentar o hormônio cortisol que provoca a elevação dos estoques de gordura e a compulsão alimentar.
—Não existe uma dieta padrão ou uma fórmula milagrosa para perder peso, o emagrecimento deve ocorrer de forma lenta e gradual para ser duradouro e saudável —explica a nutricionista Flávia Morais.
Veja 15 dicas da nutricionista para perder peso com segurança e sem prejuízos para a saúde:
1. Não deixe de tomar o café da manhã! Quem faz a refeição pela manhã se sente mais disposto e come menos ao longo do dia. Ele deve ser leve e balanceado, contendo cereais integrais e frutas;
2. Procure realizar de cinco a seis refeições ao dia, em pequenos volumes;
3. Mastigue bem os alimentos e realize suas refeições em locais tranquilos, para favorecer o processo de digestão;
4. Não fique mais de três horas sem se alimentar e estabeleça horários regulares para realizar suas refeições, pois isso mantém o metabolismo ativo e aumenta o gasto de calorias;
5. Consuma frutas, verduras e legumes variados. Além de serem ótimas fontes de vitaminas, minerais, fibras e água, possuem baixo valor calórico.
6. Inicie as principais refeições pelo consumo de verduras e legumes. Eles são fontes de fibras que promovem saciedade;
7. Inclua na dieta quinua e amaranto, cereais integrais fontes de triptofano que aumentam a produção de serotonina, um neurotransmissor que diminui a compulsão alimentar. Outras fontes de triptofano são a banana, o damasco e o açaí;
8. Utilize adoçantes com moderação, pois seu consumo excessivo ativa os receptores de glicose no intestino, o que aumenta a glicemia e o acúmulo de gordura no tecido adiposo;
9. Troque o prato grande por um de sobremesa. O cérebro associa prato cheio com saciedade e, desse modo, você comerá menos, reduzindo o valor calórico da sua dieta;
10. As sobremesas devem ser à base de frutas, que podem ser cozidas e salpicadas de cacau e canela;
11. Beba bastante líquido na forma de água, chás e sucos naturais. Os sucos industrializados devem ser evitados, já que contêm corantes, conservantes, aromatizantes e açúcares;
12. Substitua os cereais refinados por cereais integrais como arroz, massas, biscoitos e pão;
13. Evite frituras e alimentos gordurosos. Prefira as preparações cozidas, assadas, grelhadas ou refogadas;
14. Não coma muitas guloseimas, doces, refrigerantes, alimentos enlatados, embutidos e outros produtos industrializados;
15. A prática orientada e regular de atividade física é fundamental, pois aumenta a queima de calorias. Opte por uma atividade física que lhe agrade. Caminhadas, andar de bicicleta e nadar são excelentes opções.
Fonte:https://www.hagah.com.br/roteiros/veja-15-dicas-para-emagrecer-de-forma-saudavel-e-natural
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BULLYING - O que posso fazer?]]>Ana Filipa Ricardo, Psicóloga, para uptokids.pt/ ®https://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/01/20/BULLYING---O-que-posso-fazerhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2017/01/20/BULLYING---O-que-posso-fazerThu, 22 Dec 2016 15:16:00 +0000
Bullying – O que é já eu sei! Quero é saber… o que posso fazer!
São cada vez mais os pais que nos chegam assustados, sem saberem o que fazer e como ajudar os seus filhos perante situações de bullying. Em primeiro lugar precisamos saber sobre o conceito para conseguir distingui-lo das desavenças e zaragatas normais entre as crianças e adolescentes. Só assim é possível estar atento e agir eficazmente.
Estamos a falar de bullying quando uma criança é exposta a ações negativas por parte da mesma pessoa ou grupo, de forma intencional, repetida e contínua ao longo do tempo. O bullying pode assumir diversas formas, tais como, violência física, emocional, cultural, do tipo racista, ciberbullying. Os estudos dizem-nos que os rapazes tendem a utilizar com maior frequência a agressão física como método. Já as raparigas frequentemente optam por a agressão sob forma indireta, através da humilhação, “maldizeres”, boatos.
É importante não esquecer que os desentendimentos entre crianças são conflitos normais no desenvolvimento sendo que por norma resolvem-se rapidamente. O bullying não faz parte do desenvolvimento normal das crianças, é uma forma grave, intencional e continuada da agressão! Ser vítima pode deixar marcas na vida de uma criança. Pode levar ao desenvolvimento de medos, sentimentos de inferioridade, ansiedade. Em casos mais graves pode até levar a autoagressões ou até mesmo ao suicídio.
Deixo-vos alguns sinais, podem estar associados a situações de bullying: esteja atento a alterações de humor; a maior dificuldade na atenção/concentração; medos; pesadelos e dificuldades em dormir; baixa autoestima; recusa em ir para a escola (constantes dores de cabeça, de barriga….); roupa e material perdido ou estragado; nódoas negras, hematomas.
O que se pode, então, fazer?
Na realidade cada pessoa pode fazer a sua parte. Eis algumas dicas sobre o que podem e devem fazer com os vossos filhos:
Conversar abertamente com os filhos sobre o bullying incentivá-los a contarem os problemas sem julgamentos ou criticas;Conhecer os amigos dos filhos, saber o que estão a fazer, onde e com quem estão;Evitar os programas e jogos que apelem à violência;Conversar com os professores, diretores de turma e conhecerem a situação escolar dos filhos (rendimento escolar, amizades, comportamento…);Estar informado sobre o regulamento da escola aquando situações de violência;Promover atividades, do interesse dos filhos e que fomentem a cooperação, solidariedade, partilha;Ensinar as regras sociais e promover a resolução de conflitos sem violência ou agressão.
Na escola pode ser igualmente importante refletir em conjunto com os alunos sobre o bullying, criando dinâmicas que promovam a valorização de si e dos outros, desenvolvimento do autoconceito, assertividade, trabalho ao nível das competências pessoais e sociais.
Não podemos esquecer que se a criança estiver a ser vítima de bullying temos por obrigação protege-la. E por isso, deve sempre denunciar ao conselho executivo da escola! Escola e pais devem enfrentar o problema juntos. A situação denunciada deve ser acompanhada e o agressor deve sofrer uma consequência disciplinar adequada, de forma a que a segurança da vítima seja garantida. As consequências têm de ser justas, adequadas à idade, imediatas e de fácil monitorização (ex.: serviço comunitário dentro da escola…). Não se esqueça, nunca desvalorize a queixa nem a considere exagerada! Deve-se averiguar a veracidade e agir em conformidade. A criança deve ser ouvida e apoiada pelo adulto. Tente manter-se calmo e paciente. Não a culpe por ela não se defender, opte por elogiar a coragem que teve em denunciar.
Escola e pais devem estar atentos e intervir de forma imediata! Diariamente monitorize para perceber se as agressões terminaram (não faça um questionário…apenas 2 ou 3 questões). Não incentive a retaliação. A criança deve enfrentar o agressor sem utilizar os mesmos comportamentos de que foi alvo. Agressor e vítima devem ser referenciados para apoio psicológico e/ou outros adequados à situação (exemplo: comissão de proteção de crianças e jovens em risco, polícia…).
Quer na escola quer na família podem ser desenvolvidas algumas dinâmicas e/ou tarefas anti-bullying:
divulgação do bullying (cartazes, teatros, trabalhos de grupo, filmes);transmitir, ensinar e refletir sobre a resolução de conflitos (manter a calma, descrever a situação – antes e depois, identificar sentimentos, procurar soluções, escolher a solução adequada);ajudar as crianças a identificar os agressores, a quem recorrer, trabalhar os sentimentos e emoções;realizar atividades sobre a amizade (exemplo: o que é um amigo? Como podemos ser amigos? Como demostras?)
Lembre-se que não podemos mudar o mundo nem solucionar todos os casos mas podemos e devemos ter um papel ativo. Saber e nada fazer é uma forma errada de ajudar. Mudar simplesmente o aluno (seja ele a vítima ou o agressor) de escola não é solução! Existem caraterísticas que (sem serem trabalhadas) se irão manter no aluno/a mesmo que mude de escola.
Tenha presente que maltratar o agressor não resolve a situação e, na maior parte das vezes, apenas serve para fomentar ainda mais a violência ou para que o agressor desenvolva estratégias ainda mais elaboradas. Embora não seja fácil criar empatia com os agressores, é possível ajudá-los a lidar com os seus sentimentos e a alterarem os seus comportamentos. O bullying é um comportamento aprendido e por isso pode ser alterado!
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7 estratégias para controlar o apetite de doces por impulso]]>Jorge Martinho - Naturopata, parceiro Nutrimushttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/11/22/7-estrat%C3%A9gias-para-controlar-o-apetite-de-doces-por-impulsohttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/11/22/7-estrat%C3%A9gias-para-controlar-o-apetite-de-doces-por-impulsoWed, 07 Dec 2016 14:15:00 +0000
Há alturas em que apetece mesmo um doce! E estamos rodeados por várias tentações açucaradas!
Veja como podem actuar para minimizar o risco de se tentar:
DORMIR, é a palavra chave. Uma noite tranquila e repousante, normaliza os nossos reguladores hormonais, condição essencial para controlar de forma eficaz estes impulsos.
RESPEITAR os BIORRITMOS É importante avaliar os nossos ciclos biológicos e procurar por corrigir horários e actividades, se necessário corrigir descompensações em períodos críticos de maior desgaste com o suporte nutricional como por exemplo o reforço de GABA ou melatonina.
REDUZIR o STRESS Como nem sempre podemos evitar a exposição ao stress, apenas aprender a gerir os níveis de tensão que sentimos. A naturopatia possui várias formas de minimizar o impacto do stress no nosso organismo. E não se esqueça de RESPIRAR, deeevaaagaaar!
MASTIGAR bem Etapa essencial para uma boa digestão, bom funcionamento de todos os órgãos envolvidos no processo digestivo e para uma regulação da saciedade. Ao mastigar bem os alimentos de elevada densidade nutricional, com mais fibra, estamos a dar um importante sinal ao cérebro. Também a nível do preenchimento gástrico e menor assimilação de açúcares e gorduras no intestino devido ao elevado teor de fibras ingerido. Por isso é importante mastigar pausadamente, ensalivando bem os alimentos e de forma a ter menos porções disponíveis no prato.
DIMINUIR o consumo de ALIMENTOS REFINADOS, com elevado teor de açucares simples, ou seja, de rápida assimilação e reduzida quantidade de fibra, vitaminas e minerais importantes para regular o nosso metabolismo.
DIMINUIR a CARÊNCIA de GORDURA Sim, leu bem, nem toda a gordura é má, nociva para a saúde. Normalmente exageramos em gorduras processadas com alto teor de ácidos gordos hidrogenados e saturados e esquecemos as fontes naturais de ácidos insaturados e alguns aminoácidos, muito importantes para regulação o nosso sistema nervoso e não só!.
PLANEAR as refeições e as compras da mercearia. Esta preciosa gestão do tempo permite fazer as escolhas mais certas nas escolhas dos alimentos mais equilibrados e evitar saltar refeições ficando largas horas em jejum criando assim desajustes a nível hormonal e agravando o apetite voraz por doces, afinal são combustíveis de assimilação rápida!
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Individualidade ou individualismo?]]>Helena Coelho, Psicóloga Clínicahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/11/28/Individualidade-ou-individualismohttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/11/28/Individualidade-ou-individualismoMon, 28 Nov 2016 16:33:39 +0000
Estas duas palavras são frequentemente utilizadas de forma indiferenciada, quando na verdade dizem respeito a conceitos totalmente diferentes.
Se a individualidade remete para a uma identidade própria, para aquilo que são os gostos, hábitos e características individuais, o individualismo pode ser considerado como uma individualidade negativa, ou seja, uma forma de ser e de estar nas relações de forma egocêntrica e que não respeita a individualidade do outro.
Nos relacionamentos, sejam eles amorosos, familiares ou de amizades é importante que cada um mantenha a sua individualidade mas, por vezes, é difícil não cair no individualismo. Instala-se o receio de, ao satisfazer os desejos do outro se perder a subjectividade.
Na vivência a dois, há que considerar cada individuo com um querer próprio e desejos que não podem ser anulados em função de um outro, sob pena de se tornarem pessoas dependentes. Há que aprender a encontrar pontos de convergência, que implicam cedências de ambos, no sentido da construção do “nós”, mas em que há “espaço” para cada pessoa e para a sua singularidade.
O individualismo é limitante e corrói fortemente qualquer relação. Aprender a comunicar “sem medir forças” e a manifestar o que realmente se valoriza, é fundamental para a construção de uma relação de confiança e de respeito entre o casal. Importa perceber se o que se faz é, de facto, o que se deseja e o que gosta, ou se as atitudes individualistas são a manifestação de uma espiral de afirmação pessoal, de uma necessidade de se defender, mostrando-se muito “senhor do seu próprio nariz”.
O sujeito individualista está demasiado centrado em si, tende a considerar que o mundo ideal é à imagem e semelhança dos seus valores, dos seus desejos, não aceita facilmente as diferenças dos outros e tende a isolar-se. Já a individualidade está associada uma maturidade suficientemente robusta para querer e escolher, assumindo as consequências dessas escolhas e respeitando as escolhas do outro. Resulta do processo de construção identitária que se torna mais evidente na altura da adolescência, pela chamada “rebeldia” (onde a necessidade de se diferenciar pode por vezes ser levada a extremos patológicos), sendo facilitada pela diversidade e qualidade das interações.
Afinal, como referiu Jung “o indivíduo não é um ser único, mas pressupõe também um relacionamento coletivo para sua existência, também o processo de individualização não leva ao isolamento, mas a um relacionamento coletivo mais intenso e mais abrangente”
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Um peso chamado ressentimento - porque o carrega na sua vida?]]>Helena Coelho, psicóloga na Psicomindcarehttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/11/08/Um-peso-chamado-ressentimento---porque-o-carrega-na-sua-vidahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/11/08/Um-peso-chamado-ressentimento---porque-o-carrega-na-sua-vidaFri, 21 Oct 2016 16:01:00 +0000
Ressentimento e rancor são sentimentos altamente tóxicos. Para além de estarem associados a padrões de relacionamento interpessoal disfuncionais, se não forem eliminados da vivência do sujeito conduzem, invariavelmente, a problemas de saúde. A investigação aponta fortes correlações entre as emoções negativas e doenças como depressão, doenças cardíacas e hipertensão, problemas alimentares como a anorexia nervosa e obesidade, incluindo a obesidade mórbida.
Surgem, por norma, como resultado de situações em que a pessoa se sente injustiçada ou incompreendida e são alimentados pela raiva e frustração não resolvida, ou seja, pelo “lixo emocional” guardado para si. Essa raiva sentida e interiorizada leva a que o sujeito desenvolva rancor pela pessoa a quem atribui a razão do seu mal-estar.
As pessoas tendencialmente rancorosas apresentam um conjunto de comportamentos e atitudes bastante características, como sejam:
culpam o outro ou o externo pela situação negativa – expressões como “já me estragou o dia” são bastante comuns. Segundo alguns especialistas a raiva e a frustração resultam de espectativas e idealizações próprias, em relação a algo ou a alguém. Então, a hostilidade e o rancor têm a ver com o comportamento desejado do outro e não com a culpa desse outro, mas o foco na satisfação das necessidades individuais não permite ter esta visão;têm dificuldade em manifestar empatia - a sua estrutura defensiva leva à continuidade do acreditar que foram intencionalmente injustiçados ou magoados. Quando confrontados são bastante defensivos, podem ser hostis, ou mesmo agressivos, recusando uma abordagem compreensiva de se colocar no “lugar do outro”;por norma evitam a comunicação com o “causador da situação”, podendo retirar-se da relação para dar continuidade ao cultivo do ressentimento. A expressão verbal e corporal evidência o desagrado e o desconforto quando forçados à interação.tendem a ver apenas o “lado menos bom” e não conseguem identificar ou deslocar a atenção para algo positivo no outro. Esperam, normalmente o pior e confiar em alguém é um processo penoso e demorado. Podem parecer “zangados com o mundo”.
Para além dos danos próprios a raiva e o ressentimento contaminam os relacionamentos desde muito cedo. Segundo estudos sobre o desenvolvimento comportamental, os bebés são capazes de percecionar a raiva no ambiente familiar e adaptam os seus comportamentos a isso. Crianças muito pequenas são capazes de identificar situações de raiva, tendo por base a recuperação de memórias de situações anteriores.
Então, é possível aprender a não sentir raiva e a não desenvolver ressentimentos?
Sim, é possível, mas o passo mais importante é querer! Querer, tomando consciência que irá ser um desafio e que algumas vezes poderá parecer extramente difícil de conseguir. Querer aprender a sentir o lado mais colorido da vida, querer perceber o lado positivo de cada pessoa, querer desenvolver a capacidade de olhar para "dentro de si" e conhecer as espectativas próprias que estão na base da frustração sentida no relacionamento com outro. E acima de tudo aceitar, verdadeiramente, a imperfeição, quebrando o ciclo de vitimização.
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“Estão sempre a tentar tramar-me!”]]>Helena Coelho, psicóloga clínicahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/09/21/%E2%80%9CEst%C3%A3o-sempre-a-tentar-tramar-me%E2%80%9D-1https://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/09/21/%E2%80%9CEst%C3%A3o-sempre-a-tentar-tramar-me%E2%80%9D-1Wed, 21 Sep 2016 11:23:22 +0000
“confia, desconfiando”; “com um olho no burro e o outro no cigano”, são frases que ouvimos com alguma frequência. Expressões deste tipo estão associadas a traços de desconfiança, característicos de estruturas específicas da personalidade.
E se desconfiar qb pode até ser positivo, por revelar inconformidade e ser um elemento promotor de mudança, quando se enraíza no funcionamento do individuo pode ser bastante perturbador e reduzir significativamente a sua qualidade de vida.
Vejamos o seguinte exemplo:
António (nome fictício), 63 anos trabalhava com a esposa de 59 anos na sua loja de tintas e ferragens.
Andava muito cansado, queria passar alguns dias sem ir à loja mas não conseguia encontrar um empregado que satisfizesse as suas necessidades:
“parecem muito simpáticos no início, mas com o tempo percebia que só se queriam era aproveitar de mim”; “eu bem via, faziam-se muito amiguinhos dos clientes, e depois iam trepando, trepando”; “deviam estar à espera que eu batesse a bota para ficarem com tudo, se é que me entende” – diz acenando com a cabeça para o local onde estaria a mulher.
António começou a trabalhar desde muito novo. Abriu a sua primeira loja aos 30 anos com o dinheiro que foi juntando. Vive com a D. Maria (nome fictício) desde os 50 anos.
Tem 2 filhos de um casamento anterior. “nunca quiseram saber de mim, por isso também não quero saber deles” – afirma. “Só se lembram do pai para pedir” (em alguns diálogos percebia-se o enviesamento desta crença; os filhos procuravam manter algum contacto, que o pai recusava/negava mas não conseguia nomear situações concretas em que os filhos lhe teriam pedido algo). “Saem à pxxx da mãe, era uma interesseira que só se casou comigo por causa do meu dinheiro; dava troco a todos”, afirmava.
Segundo o António, diziam que andava sempre irritado, de mal com a vida, sem paciência. Um médico tinha dito que ele estava deprimido, mas segundo o António “maluco é o médico, eu não vou tomar porcarias nenhumas”. “até já fui à bruxa mas também me enganou, como os outros”; “doentes são eles, têm é inveja de mim e querem é ver-me mal”.
Esta é uma pequena amostra duma organização com traços paranoides (não confundir com a patologia psicótica, em que os sintomas são incapacitantes e onde pode ser necessário recorrer à intervenção medicamentosa e/ou internamento hospitalar).
O senhor António estava permanentemente em alerta e os seus pensamentos emergiam dos medos irracionais e da perceção enviesada da realidade subjetiva. A sua desconfiança acabava por condicionar substancialmente a sua vida social, profissional e a sua saúde no geral.
Vejamos algumas características da personalidade paranoide:
dificuldade recorrente em confiar no outro: por norma ninguém é de confiança, por isso tem um circulo muito restrito de pessoas em quem confia, pessoas essas, com frequência, associadas com a grupos espirituais e/ou religiosos;argumentos e demonstrações lógicas não nutrem grande efeito: por muito bons que sejam os argumentos e explanações do outro, o sujeito com idealização paranoide irá sempre contrapor; no entanto tem bastante dificuldade em argumentar com algo concreto, baseando-se em sensações, perceções e idealizações, nas quais acredita como sendo absolutamente reais e verdadeiras. Considera que os que não acreditam nas suas ideias, estão contra si;desconfiam sistematicamente que são vítimas de ataques ou de perseguições constantes, vendo na intenção do outro uma tentativa de, recorrentemente, o/a prejudicar.
Alguns estados paranoides podem ser confundidos com episódios associados à perturbação bi-polar, por estarem ligados a perceções exacerbadas das capacidades próprias ou a excesso de confiança. A pessoa pode acreditar que possui dons distintos ou superiores aos demais. Noutras alturas pode-se sentir profundamente desamparada e sem forças para continuar a “defender-se”.
Este tipo de funcionamento é patológico e a gravidade depende do quão angustiante ou incapacitante é a desconfiança. Há que perceber o impacto que tem na própria vida e na de quem o/a rodeia.
Uma abordagem compreensiva é facilitadora e tranquilizante. Como na maior parte das perturbações da personalidade, o objetivo da intervenção terapêutica não será a cura, mas antes a compreensão das características próprias e o desenvolvimento de alguma segurança que lhe possibilitará sentir o outro de forma menos ameaçadora.
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8 Benefícios da caminhada]]>Jorge Martinho - Naturopatahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/09/12/8-Benef%C3%ADcios-da-caminhadahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/09/12/8-Benef%C3%ADcios-da-caminhadaMon, 12 Sep 2016 13:10:31 +0000
1. Regula o dispêndio energético, ajudando na gestão do peso e no controlo do apetite
2. Mantém o as articulações lubrificadas e estimula a flexibilidade, previne a osteorporose
3. Melhora a circulação e regula a glicémia
4. Estimula a imunidade, fortalecendo as nossas defesas
5. Limpa as vias respiratórias
6. Estimula a mente, estimulando a capacidade de concentração
7. Induz o bem-estar e alegria, melhora a qualidade do sono, prevenindo a depressão
8. Estimula a bons hábitos alimentares com escolhas mais saudáveis
Será importante a escolha de vestuário e calçado adequado para a caminhada e para a altura do ano e a escolha de um local com o mínimo de poluição e que se possa desfrutar da paisagem
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APRENDER A AMAR: QUEBRANDO O CICLO DO (NÃO) AFETO]]>Helena Coelho, Psicóloga clínica para uptokids.pt/ ®https://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/08/12/APRENDER-A-AMAR-QUEBRANDO-O-CICLO-DO-N%C3%83O-AFETOhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/08/12/APRENDER-A-AMAR-QUEBRANDO-O-CICLO-DO-N%C3%83O-AFETOFri, 12 Aug 2016 13:20:00 +0000
Quando se fala em maternidade grande parte das mulheres associa essa experiência a algo maravilhoso, polvilhado de amor e ternura. Ser mãe é descrito, no geral, como uma experiência gratificante e bastante positiva.
Mas a maternidade implica uma mudança interna e identitária: de mulher e filha a mulher e mãe, com novos papéis, novas expectativas, numa reestruturação progressiva e contínua de ser e de estar. Sendo um processo relativamente tranquilo, mesmo em situações de gravidez não desejada, em função do contexto, das vivências e da estrutura da personalidade, nem sempre é assim.
A par da observação clínica, vários estudos vêm suportar a ideia de que uma gravidez indesejada (não quer dizer, necessariamente, não planeada), influencia o vínculo mãe-filho. Se a afetividade é um constructo complexo, nestes casos o afeto vai emergindo da ambivalência entre o sentimento de culpa pela rejeição e a tentativa de compreensão e aceitação. Em casos patológicos, a ligação mãe-bebé tem uma construção deficitária, levando à continuidade da rejeição, de forma mais ou menos evidente, após o nascimento.
Quando em contexto interventivo ouvimos expressões como: “tirem isto de dentro de mim” ou “devia ter ido parar à sanita como foram os outros”, é a evidência clara de que o papel de mãe não foi interiorizado. É a expressão crua do mal-estar da mãe e da sua incapacidade em lidar com a maternidade e com a nova identidade que lhe está associada.
Mas, antes de fazer qualquer juízo de valor pare para pensar. Conhece a história de vida daquelas mulheres? Como foi a construção dos seus próprios afetos? Alguma vez terá sido amada? Que contornos e que significado tem aquela gravidez?
A experiência clínica diz-nos que estas mulheres têm uma relação patológica com a afetividade e, na maioria dos casos, não conseguem “sentir” de outra forma. Muitas tiveram, também, uma infância complicada, outras sentiram que não eram amadas, ou que nunca foram verdadeiramente aceites. Por norma, são pessoas que não aprenderam a amar de forma positiva.
Chegam-nos ao consultório crianças para acompanhamento psicológico em que a abordagem necessária seria a familiar ou sistémica mas, na maior parte dos casos, é a criança que continua a ser “rejeitada”, continua a ser “aquela” que tem problemas identificados. Muitas das vezes não é a criança que precisa de ter acompanhamento psicológico e sim a mãe.
Noutros casos a mãe entra numa espiral comportamental (inconsciente) para alívio culpa, que se manifesta em atitudes de compensação: permissividade, excesso de tolerância ou falta de limites, compensações materiais, entre outras. No fundo sente arrependimento pelos seus pensamentos ou atitudes e teme, também, ser rejeitada pelo filho/a.
Claro que nos passa pela cabeça muitas questões: como será a vida desta criança? Será algum dia verdadeiramente aceite e amada de forma saudável? Nestes casos e na impossibilidade de haver um acompanhamento familiar, resta-nos ajudar a criança. Como? Através do restabelecimento de relações afetivas e vínculos afetivos saudáveis, quebrando o ciclo transgeracional de rejeição e de insegurança.
Fica a sugestão de ver (ou rever) o filme “Álbum de família” onde o tema da transgeracional está bem presente na história de 3 mulheres (irmãs), todas elas com as suas próprias “feridas narcísicas”, em que a imagem de uma mãe contentora não foi construída e interiorizada, condicionando um desenvolvimento pleno e saudável a cada uma delas.
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O seu filho tem mau-feitio ou é uma criança ansiosa?]]>Helena Coelho, psicóloga clínica uptokids.pt/ ®https://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/06/21/O-seu-filho-tem-maufeitio-ou-%C3%A9-uma-crian%C3%A7a-ansiosahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/06/21/O-seu-filho-tem-maufeitio-ou-%C3%A9-uma-crian%C3%A7a-ansiosaTue, 21 Jun 2016 19:51:39 +0000
A ansiedade nas crianças nem sempre é fácil de detetar. Os adultos não estão mentalmente predispostos a perceber os sinais de uma criança que está ansiosa, confundindo-os muitas vezes com questões educativas, imaturidade e até com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA).
Muitos dos sintomas ansiosos conduzem, indevidamente, a classificações de PHDA já que a criança ansiosa tem dificuldade em manter-se relaxada e atenta ao que lhe dizem. A sua hipervigilância é direcionada ao exterior e às situações que sente como ameaçadoras e não ao momento presente.
Na base de uma reação ansiosa não está a oposição aos educadores, está o medo – medo de falhar, medo de não corresponder ao que esperam dela, medo de ser “gozada”, medo que não gostem dela, enquanto a criança que se sente frustrada reage pela perda.
Então, como podemos diferenciar ?
a criança ansiosa reage por antecipação; ao contrário das crianças que têm baixa resistência à frustração, uma criança que está ansiosa pode ter uma reação de “mau-feitio” quando vai fazer algo novo, quando exposta a um novo contexto ou situação e não após o acontecimento;
a criança ansiosa deixa de fazer coisas que adora fazer, evitando as situações que lhe provocam angústia, enquanto que uma criança que não está ansiosa consegue arriscar, mesmo que se viva o seu insucesso, posteriormente, com uma enorme birra;
a criança ansiosa têm, regra geral, uma fraca auto-estima e uma auto-percepção enviesada e diminuta das suas competências, ainda que muitas vezes mascarada por teatralidade e até uma certa arrogância;
a criança ansiosa tem, por norma, mais dificuldade nas relações com os pares e em confiar no outro. Por vezes são classificadas como crianças desinteressadas, pouco participativas nas actividades escolares, mas a simples ideia de ter de responder a uma pergunta pode ser aterradora, como tal evitam participar nas actividades, em particular quando não se sentem seguras (o que acontece com frequência) ou não conhecem;
a criança ansiosa é, por norma, agitada apresentando, em casos mais graves, tiques e agitação motora involuntária. Enrolar o dedo na roupa quando “está atrapalhada”, abanar os membros quando falam com ela, ficar numa agitação exacerbada quando não sabe o que vai acontecer a seguir, são sinais de que a criança está a vivenciar um estado de ansiedade.
Se as vantagens em castigar ou punir de alguma forma uma criança serão fortemente discutíveis, castigar uma criança que está ansiosa só agrava o seu sofrimento que, consoante a gravidade dos casos, poderá ser muito maior do que imagina.
Por outro lado vem aumentar ainda mais a sua crença de “não faço nada de jeito, por isso nem vale a pena tentar”. Ou seja, castigar não vai resolver o problema, nem vai “servir de emenda”, pois o que se passa no interior da mente da criança em nada tem a ver com “falta de educação” e sim com a vivência de algo que é sentido como assustador.
Se não for atempadamente detetada e tratada, pode evoluir de traços que se manifestam em determinados contextos para estados permanentes de ansiedade, condicionado o bem-estar, as aprendizagens escolares e o desenvolvimento emocional e afetivo.
A avaliação diferencial feita por um especialista clínico é fundamental para detetar o problema, evitando diagnósticos paralelos, grande parte das vezes errados, e medicação não adequada.
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Quem nunca fez “vista grossa” perante uma dificuldade ou um problema?]]>Helena Coelho, psicóloga clínicahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/06/15/Quem-nunca-fez-%E2%80%9Cvista-grossa%E2%80%9D-perante-uma-dificuldade-ou-um-problemahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/06/15/Quem-nunca-fez-%E2%80%9Cvista-grossa%E2%80%9D-perante-uma-dificuldade-ou-um-problemaWed, 15 Jun 2016 12:56:05 +0000
A negação é um processo defensivo do ego em que, perante situações desconfortáveis, o individuo age como se nada tivesse acontecido. Como qualquer processo defensivo, o objetivo é impedir que o mal-estar invada o seu consciente, despertando pensamentos, emoções e sentimentos que se recusa a enfrentar.
Se algumas vezes a pessoa faz, conscientemente, “de conta” que nada aconteceu porque não quer enfrentar naquele momento o problema, na sua forma mais patológica este mecanismo defensivo é totalmente inconsciente, a ponto do indivíduo ficar indignado quando alguém lhe toca “na ferida”, estranhando as atitudes de quem o rodeia, que considera infundadas ou até profundamente injustas.
É um processo bastante comum em situações de luto não ultrapassado. Se a negação é uma reação normal perante o choque inicial do acontecimento, por vezes, em situação de perda de alguém que se ama a mente fica como que “parada no tempo” e a pessoa mantém os rituais habituais (por exemplo mantém o quarto igual), como se esperasse que a qualquer momento a pessoa entrasse, normalmente, pela porta.
Na infância, onde a realidade se mistura com a fantasia, a negação é perfeitamente normal, mas na adultez está relacionado com imaturidade e incapacidade de enfrentar a realidade. Segundo alguns autores, negar de forma sistemática os problemas estará na base do desenvolvimento da maioria das doenças mentais.
Se, por um lado, protege o ego, permitindo que este recupere e desenvolva algum conforto, não enfrentar a dor e as situações negativas de forma contínua poderá conduzir a uma forma de ser e de estar não real (alter-ego), a um certo embotamento afetivo e até à falência dos processos mentais. Patologias graves, com as psicoses, têm como mecanismo primário a negação da realidade objetiva.
Recordar (incorretamente) determinadas situações é a forma de negação que emerge com maior frequência em psicoterapia. A pessoa relata um acontecimento de uma determinada forma e, mais tarde, consegue aceder ao que realmente aconteceu, percebendo que o primeiro relato era uma construção defensiva, inconsciente, que resultava do mecanismo de negação.
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Ser positivo q.b.]]>Helena Coelho psicóloga na Psicomindcare para Up To Kidshttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/05/27/Ser-positivo-qbhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/05/27/Ser-positivo-qbFri, 27 May 2016 19:58:23 +0000
Somos diariamente “inundados” com recomendações do tipo: “tens de ser positivo ”, “deixa lá isso, não sejas tão negativo”. .. mas é, mesmo, assim tão simples? Basta pensar positivo para que tudo se resolva?
É preciso “separar as águas”. Não podemos confundir o ter uma atitude positiva, que se refletirá positivamente no relacionamento com os seus filhos, com atitudes de negação ou de evitamento do tipo: “não quero pensar nisso, logo se vê como se resolve” ou com passividade perante as dificuldades. Algures no tempo será inevitável ter de se confrontar com algo “menos bom” e aí a coisa pode complicar, afinal não aprendeu a lidar com isso.
Criar uma bolha de ilusória positividade onde se coloca a si e aos seus filhos, não os prepara para a vida. Repare que até o ar que respiramos tem o equilíbrio necessário entre O2 e CO2, sendo ambos essenciais à vida. Para tudo há um + e um –. Cada escolha implica ganhos e, necessariamente, perdas, sendo importante que as crianças compreendam isso para que desenvolvam a sabedoria de escolher e de estar de forma positiva, sem ignorar o negativo, mas aprendendo a conviver tranquilamente com isso.
Não podemos “clivar” o que não queremos enfrentar, o que nos causa desconforto sob a máscara do “ser positivo”. Só nos estamos a enganar, criando a ilusão que tudo é tão e somente maravilhoso.
Então o que é pensar e estar de forma positiva? Eis alguns mitos que podem gerar confusão e levar a crenças distorcidas:
Para ser positivo tenho de considerar, apenas, o presente? É fundamental aprender a viver cada momento (bom e menos bom) do presente e a não permitir que o passado invada a sua vida negativamente, mas a sua história faz parte do seu percurso de vida. Eliminar ou negar o que correu menos bem não elimina o negativo, pelo contrário, dá-lhe “força”. Mudar o que sente, hoje, em relação a isso será uma atitude mais consciente do que não quer para si e por isso mais positiva e mais saudável. Aceitar que existiram situações negativas é fundamental para viver, agora, melhor consigo próprio e com os outros.
Ser positivo significa acreditar e arriscar sem pensar muito nas consequências? Ser positivo é acreditar, sim, mas não necessariamente sem equacionar as consequências, ou seja, o positivo vs o negativo. Pelo contrário, atitudes positivas estão diretamente relacionadas com o conhecimento das consequências. Se assim não for estamos a promover a imaturidade, a fragilidade e a pouca resistência à frustração. Imagine a seguinte situação: o seu filho(a) tem um teste no dia a seguir, mas vai procrastinando o estudo que terá de realizar, sabendo que tem treino a seguir. Uma atitude positiva passa por lhe explicar/relembrar as consequências de prolongar, que pode passar por não poder ir aos treinos da atividade de que tanto gosta. Se essa for a regra, isto pode servir de incentivo para ele(a) não continuar a adiar. Por vezes os pais tendem a ameaçar e a chantagear “ se não estudares não vais ao treino”. Aqui o que funciona é o medo da perda e não se aprende a escolher. Quando há regras pré-estabelecidas, não se coloca esta necessidade, afinal, todos têm conhecimento das consequências e podem por isso optar pelo que é entendido como sendo o melhor para si.
Se eu for uma mãe com práticas positivas, afasto o negativo? Como já vimos negativo e positivo convivem de perto para que exista equilíbrio. Funciona como a alegria e a tristeza, só conhecemos uma delas porque algures no tempo já experienciamos a outra. Claro que ver o positivo será facilitador, em tudo na vida, incluindo no relacionamento com os seus filhos(as). Mas tenha presente que acima de tudo terá de ser genuíno. Fazer de conta que está tudo maravilhoso, só porque lhe soa bem, porque acha o melhor (mesmo que não sinta isso) ou porque é uma “onda” que lhe agrada, dificilmente, vai funcionar.
É preciso, verdadeiramente, querer sair da zona de conforto e experimentar sentir e fazer diferente. É errar e voltar a tentar, aprendendo algo com isso. E o que isto tem de positivo é que está a ensinar os seus filhos que nem tudo é perfeito, nem tudo tem de correr sempre bem, para nos sentirmos bem. E é através desta dialética que eles crescem mais fortes e que aprendem a valorizar positivamente o que a vida lhes proporciona.
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Ateliers Psicoeducativos - verão]]>Psicomindcarehttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/05/10/Ateliers-Psicoeducativos-ver%C3%A3o-2016https://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/05/10/Ateliers-Psicoeducativos-ver%C3%A3o-2016Tue, 10 May 2016 13:22:04 +0000
competências emocionais | estimulação cognitiva | competências sociais | autonomia e desenvolvimento motor | criatividade e imaginação
As férias escolares estão quase a chegar ...
Quando as aulas terminarem ocupe o tempo livre do seu(s) filho(s) com actividades lúdicas e psicoeducativas.
Deixe os seus filhos nas mãos de um psicólogo e fique descansado(a)!
saiba mais em ATELIERS DE FÉRIAS
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QUANDO PROCURAR UM TERAPEUTA DA FALA]]>Marta Nunes, Terapeuta da Fala na Psicomindcare para uptokids.pt/ ®https://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/03/23/QUANDO-PROCURAR-UM-TERAPEUTA-DA-FALAhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/03/23/QUANDO-PROCURAR-UM-TERAPEUTA-DA-FALAWed, 23 Mar 2016 19:16:00 +0000
Ao contrário do que muitas vezes é sugerido podemos recorrer a um terapeuta da fala, mesmo quando ainda não sabemos falar. Por diversas vezes ouvimos como é prematuro iniciar terapia da fala antes dos 3 anos de idade, mas a idade não é o factor determinante para procurar ou não a opinião de um Terapeuta da Fala, mas sim as dificuldades que a criança poderá apresentar. A intervenção precoce ajuda a prevenir problemas que podem comprometer uma aprendizagem saudável e um normal desenvolvimento.
Sempre que se verifiquem alterações no domínio da comunicação, linguagem (oral ou escrita), articulação, fluência, voz, audição, motricidade orofacial, sucção, mastigação e deglutição, deve-se recorrer à avaliação de um especialista.
É importante que os pais estejam atentos a variados sinais de alerta ao longo do crescimento da criança, permitindo diagnosticar precocemente possíveis patologias e intervir adequadamente.
Sinais de alerta no desenvolvimento da comunicação e linguagem:*
0-2 meses
não reage aos sons e ao meioé demasiado irritável e sonolento
2-4 meses
não sorrinão discrimina vozes familiareschora ou grita sempre que se lhe toca
4-6 meses
tem falta de interesse pelas pessoas e pelos objectosnão localiza ou deteta um somnão vocaliza ou deixa de emitir sons
6-8 meses
não faz trocas de diálogos, conversasnão faz balbucio ou vocaliza de modo monótononão faz ou não mantém contacto ocular
8-12 meses
apenas compreende linguagem acompanhada de gestosnão entende “adeus” para ir emboranão responde ao nome não olha para a mãe ou pai em resposta a um pedidonão imita acções e sons familiaresvocaliza pouco e não faz um pedido de forma clara
12-18 meses
compreende poucas palavras ou frasesnão usa palavras ou deixou de usarnão imita e não balbucianão apontanão olha quando o chamam
18-24 meses
não sabe o nome de objectos familiaresnão responde a ordens simples- Não faz pedidostem vocabulário reduzidoproduz poucas consoantes
2-3 anos
não responde a perguntas fechadas (“sim” e “não”)não aponta para partes do corpo a pedidosó usa palavras simples e não combina duas palavrasnão tem intenção de comunicarrepete o que os outros dizem, mas não responde ou interage com o outro.
3-4 anos
tem uma compreensão fraca e não executa ordens de duas ideiasnão responde ou não faz perguntastem dificuldade em exprimir-se e fá-lo essencialmente por gestosusa apenas frases simples e curtaso discurso é imperceptível para estranhos
4-5 anos
não diz o nome das cores primáriasnão responde a perguntas: “O que é?”, “Porquê?”, “Como?” e “Quanto?”não usa a linguagem socialmentenão faz diálogos
5-6 anos
pronuncia mal as palavrasnão conta o seu dia a dia, nem históriasnão usa frases complexas e não compreende noções de tempo e espaçonão usa pronomes possessivos
>6 anos
não mantém o tópico de uma conversa ou responde fora do contextoprecisa de repetição constante quando se pede algotem dificuldades na rima e nos sons das palavras
*Adaptado de: “O gato comeu-te a língua?” de Joana Rombert
Para além destes sinais de alerta é de ter em atenção também se a criança: não faz sucção; tem dificuldades em engolir e/ou engasga-se com muita frequência; baba-se muito e tal não é justificado pelo surgir da dentição; não mastiga, prefere tudo passado a sólidos; gagueja há 6 meses de modo persistente ou cada vez de modo mais acentuado.
Se observar alguns destes sinais de alerta existem razões para pedir uma avaliação ao Pediatra ou Terapeuta da Fala. É importante detectar alguma alteração no desenvolvimento da criança o mais cedo possível , uma vez que a intervenção terapêutica apresenta um prognóstico tanto mais favorável quando mais precocemente for iniciada.
No entanto, a deteção mais tardia das dificuldades não impede uma intervenção bem sucedida. Esta poderá ser mais demorada, uma vez que a criança terá que reaprender novos comportamentos linguísticos, comunicativos e/ou musculares, tendo que substituí-los pelos padrões que entretanto foi automatizando.
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BURNOUT – o “queimar por completo”]]>Alice Patrício, psicóloga clínicahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/02/29/BURNOUT-%E2%80%93-o-%E2%80%9Cqueimar-por-completo%E2%80%9Dhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/02/29/BURNOUT-%E2%80%93-o-%E2%80%9Cqueimar-por-completo%E2%80%9DMon, 29 Feb 2016 13:46:45 +0000
O Burnout surge quando as exigências de trabalho tendem a que a pessoa supere a sua capacidade de lidar com o stress. Todavia, enquanto o stress interfere sobretudo com a vida pessoal do indivíduo e não necessariamente na sua relação com o trabalho, o Burnout conduz a comportamentos negativos para com outros e para com o trabalho.
Profissões associadas aos cuidados a terceiros como a de Professor, Enfermeiro, Médico, Assistente Social, Polícia, entre outras, tendem a reportar maiores taxas de Burnout. Todavia, também é comum verificar-se em trabalhadores de call center, controladores aéreos, pilotos de aviação civil, gestores de topo de empresas, atletas profissionalizados. Ou seja, em funções onde é esperado que as pessoas atinjam objectivos exigentes, vivenciem sobrecarga de trabalho ou conflitos de papel, sejam mais controlados, possuam escassa participação na tomada de decisão, sintam mais dificuldades comunicacionais, se sintam menos recompensados, lidem directamente com o público e com características mais rudes de outras pessoas e/ou acumulem desencantos.
Para além dos factores organizacionais e da profissão, outros individuais poderão estar directamente relacionados com o Burnout, como é o caso dos ligados à demografia e à personalidade. Por exemplo, demograficamente os estudos vêm associando maior prevalência de esgotamento emocional em mulheres do que em homens, ao passo que estes apresentam maiores valores na despersonalização (distanciamento emocional relativamente a clientes e a colegas de trabalho) e na falta de realização no trabalho (sentimentos de incompetência, de baixa produtividade). No que se refere à personalidade tem-se verificado que quanto menor o grau de resiliência ou maior o nível de perfeccionismo e de rigidez ou sempre que o locus de controlo externo prevalece sobre o interno, maiores os níveis de Burnout.
Numa situação de Burnout a pessoa experiencia exaustão emocional, fadiga, despersonalização, falta de sentido de realização, alteração de hábitos, dificuldades de concentração, perda de autocontrolo, perda de motivação, sentimento de incompetência profissional e insegurança, oscilações na auto estima. Frequentemente, com a redução do entusiasmo e das expectativas em relação ao trabalho vão-se desenvolvendo sentimentos de culpa, mal-estar psicológico e manifestações físicas, com correlação significativa com depressão, ansiedade e até situações fóbicas.
A nível neurobiológico, quanto maior o nível de stress (ou quanto mais ampliada a amígdala – a estrutura cerebral relacionada com emoções negativas) mais enfraquecida fica a ligação entre regiões cerebrais. Igualmente, verificam-se fragilidades nas execuções funcionais relacionadas com o córtex pré-frontal médio, como seja o caso do desenvolvimento de pensamentos complexos ou de ações. Estudos de neuro imagem demonstram também que o funcionamento cognitivo de uma pessoa com Burnout tem semelhança proeminente ao do processo de envelhecimento. No âmbito do sistema endócrino, o cortisol (a “hormona do stress”) exerce efeitos no aparelho cardiovascular, na actividade imunitária e na função da memória.
Em suma, considerando-se o Burnout como uma síndroma psicossocial, acarreta disfunções sociais e organizacionais, com consequências sociais e económicas. Em termos genéricos aconselha-se mudança no estilo de vida, moderando-se a actividade. Mais concretamente, ainda que a etimologia da palavra remeta para “queimar” (burn) e “fora” (out), cabe ao próprio identificar, modificar e adaptar os factores stressores no trabalho às suas necessidades pessoais e profissionais, priorizar tarefas, não mencionar assuntos de trabalho em momentos de descontração. Para esta concretização ajuda o tratamento psicoterapêutico, com a introdução de técnicas de evidente enfoque no individual, no reconhecimento do próprio potencial, em lidar em conformidade com os pontos fortes e fracos, em não se ver como vítima das circunstâncias quando se sente inadequado ou incapaz de alcançar um sucesso, em visualizar metas atingíveis, em retomar a (auto)aceitação e a autoconfiança.
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Mas, quando eu morrer como é que vos encontro, como?]]>Helena Coelho | psicóloga clínica, para uptokids.pt/ ®https://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/02/21/Mas-quando-eu-morrer-como-%C3%A9-que-vos-encontro-comohttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/02/21/Mas-quando-eu-morrer-como-%C3%A9-que-vos-encontro-comoSun, 21 Feb 2016 17:06:41 +0000
Mas, quando eu morrer como é que vos encontro, como? Há milhares de estrelinhas, milhares e milhares…. o céu é infinito, não vos vou conseguir encontrar!
Falar sobre a morte às crianças é difícil. Muitas vezes os pais são apanhados de surpresa e, quando confrontados com estas questões que, também, são desconfortáveis para os próprios, na tentativa de fugir ou adiar o assunto, vêm as histórias de “passou a ser uma estrelinha”, “partiu para muito longe”, está a “descansar”.
Este tipo de soluções podem ser confusas para a criança, em particular para as mais pequenas que ainda não têm capacidade de se abstrair do real significado das palavras. Pode ainda aumentar a angústia de separação no seu dia-a-dia, dificultando a hora de ficar na escola, de dormir (não querem “descansar”) ou quando se separam de quem amam.
Antes de explicar a morte ao seu filho, explique-a a si próprio/a em função das suas convicções. Para ser verdadeiro para a criança deverá de ser, em primeiro lugar, verdadeiro consigo mesmo. Se não se sentir confortável em pensar introspetivamente neste tema, provavelmente terá sofrido perdas que nunca foram verdadeiramente ultrapassadas, podendo precisar de ajuda para elaborar esse luto.
Por outro lado, não fuja do tema usando a brincadeira ou a ironia. Se o seu filho faz perguntas sobre a morte estará curioso ou talvez preocupado com algo que não consegue compreender. Levar a pergunta de “ânimo leve” é ambíguo para a criança e não suprime a sua preocupação.
Preparar o seu filho para a morte é tão necessário como prepará-lo para a vida, por isso explique-lhe isso mesmo – o ciclo da vida. Todos os seres vivos, nascem, crescem e morrem biologicamente. Uma boa estratégia será usando (cultivando) uma planta: a semente é colocada na terra, germina, amadurece e morre. Explique-lhe que com as pessoas e os outros animais também é assim. Ao mesmo tempo está a mostrar a importância de cuidar, acarinhar e respeitar a vida (tal como rega, trata e cuida da planta). Seja concreto, explicando ou mostrando que todos os seres vivos um dia irão morrer e que morrer significa não fazer mais o que se faz quando se está vivo (exemplo: comer, brincar com, estar fisicamente com).
Perante a morte de um dos pais ou de familiar próximo, não esconda a sua dor da criança e encoraje-a a falar, a desenhar ou a representar de alguma forma o que está a sentir, mostrando-se compreensivo e solidário ao seu sofrimento. Acima de tudo, transmita-lhe segurança e a certeza que haverá sempre alguém para cuidar dela. Não evite que a criança se sinta triste; a tristeza faz parte do processo de sentir para ultrapassar a perda.
Por outro lado, explique-lhe que deixar de estar triste não significa que esquecemos a pessoa que amamos. Tal como o adulto, a criança precisa de interiorizar que as memórias afetivas nunca se esquecem. Esse conceito deve ser progressivamente introduzido, ao ritmo que lhe for confortável.
Mas, cada criança tem as suas particularidades e uma forma muito própria de reagir às situações dolorosas. Nas crianças com uma organização mais ansiosa ou mais depressiva, o que foi explicado anteriormente pode não ser suficiente para ultrapassar a angústia da perda. Nestes casos as alterações comportamentais, que são normais e adaptativos, prolongam-se por mais tempo e de forma acentuada. Os principais sintomas (podem aparecer isoladamente ou de forma conjunta) são: choro compulsivo ou fácil em situações que anteriormente não acontecia, acentuada agressividade, explosões de raiva intensas e recorrentes, enurese, entre outros.
Nestes casos recomenda-se que a família, e em particular a criança, receba suporte e ajuda dum técnico de psicologia para que consiga lidar com a morte que o ocorreu na realidade externa, permitindo que ocorra, também, na sua vida psíquica.
Na prática é aprender a viver com a perda, deixando de vivenciar sofrimento.
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Não há boas mães, há mães felizes!]]>Helena Coelho | psicóloga clínica, para uptokids.pt/ ®https://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/1/28/N%C3%A3o-h%C3%A1-boas-m%C3%A3es-h%C3%A1-m%C3%A3es-felizeshttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/1/28/N%C3%A3o-h%C3%A1-boas-m%C3%A3es-h%C3%A1-m%C3%A3es-felizesThu, 28 Jan 2016 22:34:24 +0000
Acredito que cada mãe é a melhor mãe do mundo ou, dito de outra forma, cada mãe é a melhor mãe que consegue ser. Não é perfeita, nem tem de ser.
Na procura incansável de ser uma “boa mãe”, você lê todos os artigos sobre o tema, sabe na teoria o que deve ou não fazer mas, na hora H, acaba por “perder as estribeiras” e….
Depois vem a culpa, aquele “bichinho” de tamanho varável, que “vive dentro de nós”, que nos “aponta o dedo” e diz: és mesmo estúpida, não vales nada, o teu comportamento foi vergonhoso. No fundo, isso resulta do saber, da consciência que podia ter agido de outra forma, mais positiva e mais saudável. Mas como, como fazer?
A resposta é simples: procure sentir-se feliz!
Pessoas que se sentem bem com elas próprias, sentem-se melhor com os outros, são mais compreensivas, tolerantes e assertivas. Tem dúvidas? Faça este simples exercício:
Respire fundo duas ou três vezes, feche os olhos e pense num dia muito feliz com os seus filhos…
O que estava a fazer? Recorde, calmamente, cada momento bom… como se sentia?
Mas, afinal o que foi diferente de tantos outros momentos que parecem “um pesadelo”? Provavelmente o seu estado de espírito. Claro que as crianças “esticam”, vão testando os limites, fazem birras. Mas não é sempre assim? Afinal, faz parte do processo de aprenderem a crescer emocionalmente.
Bom, agora vem a pergunta difícil – como ser mais feliz?
Não há uma receita única, cabe a cada pessoa perceber o que valoriza, o que tem mais significado para si e o que a faz sentir bem. Mas há condicionantes que são comuns e frequentes para a maior parte das pessoas. Se estiver atenta, vai percebe os sinais que o seu corpo vai dando e o tipo de pensamentos que vão alimentando as suas emoções. Ficam algumas sugestões que ajudam a conhecer o que sente e o que estará associado a esse sentir:
- registe diariamente os acontecimentos positivos e menos positivos. Nesse registo será útil
incluir:quando foi (manhã, tarde, hora jantar, etc.), o que aconteceu, como se estava a sentir,
que impacto teve;
- em que dias há episódios mais críticos ou de maior bem-estar;
- para cada sentimento ou estado emocional, procure descrever o que estava a pensar, o que andou a “fervilhar” na sua mente o dia inteiro ou nos dias anteriores;
- como estava o seu corpo : calmo, relaxado, tenso, como se tivesse corrido uma maratona?
Semanalmente, ou com a frequência que se justificar, reveja os seus registos. Verá que encontra padrões de comportamento vs situações.
O passo seguinte é encontrar estratégias internas para mudar, para quebrar esses padrões. Não há mães ideais, há mães que se sentem bem com elas próprias, que conhecem as suas limitações, que se aceitam e que, acima de tudo, se sentem felizes.
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Ansiedade generalizada, o que é?]]>Alice Patrício, psicóloga clínicahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/1/19/Ansiedade-generalizada-o-que-%C3%A9https://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/1/19/Ansiedade-generalizada-o-que-%C3%A9Tue, 19 Jan 2016 10:06:39 +0000
Todos nós temos dúvidas, incertezas e nos preocupamos com assuntos pessoais, familiares, profissionais. É normal e até desejável, pois serve-nos de protecção perante algo que possa correr menos bem e nos cause dano. Ou seja, não deixam de ser emoções normais e adaptativas que conseguimos controlar, estão delimitadas no tempo e no seu conteúdo, não nos desorganizam e não nos impedem de prosseguir com as nossas actividades diárias.
Contudo, quando a preocupação e os receios se tornam excessivos, intrusivos, persistentes a ponto de se centrarem em situações menos prováveis de acontecer e nos sentimos constantemente tensos e física e mentalmente esgotados para lidar com as rotinas – com fadiga muscular, dificuldade em adormecer, queixas gastrointestinais, cardiovasculares, hormonais - então poderemos estar a vivenciar um estado de ansiedade que não raramente se generaliza a todos os pilares da nossa vida.
A ansiedade generalizada, como a designação indica é difusa e de tão desproporcionada em relação ao estímulo acaba por causar sofrimento e se fazer sentir como prisão. Verifica-se uma inquietação permanente perante várias situações da vida, sejam elas mais ou menos significantes, ainda que em geral são situações e incertezas comuns a todos (saúde, finanças, emprego, família…), mas que aqui o indivíduo leva a inquietação a um patamar muito superior. A pessoa não consegue relaxar, divertir-se, monitorizar os seus pensamentos para outros mais positivos e compromete o seu desempenho.
Será pelo facto de se preocupar em excesso que terá mais cuidado, será mais responsável ou não negligente? Tudo o que acontece na sua vida e na dos seus dependerá só de si? A inquietação vai prepará-lo melhor para acontecimentos desagradáveis ou imprevisíveis? Ou vai impedir que aconteçam?
Bem, em alguns de nós o estado constante de medo e apreensão parece funcionar como estímulo à procura de solução. Pelo menos os níveis de adrenalina aumentam… Parece! Porque por outro lado, a preocupação excessiva pode levar a um estado de depressão e como tal, a concentração necessária para desenvolvermos uma solução para o problema fica comprometida, além de se persistir numa distorção de pensamentos mais pessimista e fatalista. No extremo, a pessoa pode chegar a experienciar perturbação paranóide.
As perturbações ansiosas são os quadros psicopatológicos mais comuns em adultos e em crianças. No geral, as perturbações ansiogénicas constituem quadros clínicos primários, ou seja, não derivam de outras psicopatologias (ex: depressões, psicoses, perturbações do desenvolvimento, etc.). Todavia os sintomas ansiosos (e não tanto as perturbações) coexistem frequentemente noutras perturbações do foro psiquiátrico, mas uma vez mais, a nível primário (de início de surto esquizofrénico, de depressão major).
A terapia de um quadro de ansiedade generalizada pode passar por diversas abordagens psicoterapêuticas. No entanto, a terapia cognitivo-comportamental tem manifestado eficácia duradoura, através de mudança na distorção cognitiva sobre o ambiente e a(s) causa(s) com consequente alteração e reforço positivo no comportamento.
A terapia psicofarmacológica justifica-se em casos mais graves, em que a ansiedade tem um efeito paralisante na vida da pessoa. Contudo, os estudos vêm comprovando que este tratamento realizado isoladamente da psicoterapia não tem efeito duradouro. Os fármacos servirão para regular os sistemas serotonérgico e adrenérgico e em primeira linha os Psiquiatras prescrevem inibidores selectivos da recaptação da serotonina (ISRS) e inibidores selectivos da recaptação da serotonina e de noradrenalina (IRSN) - as benzodiazepinas estão mais direccionadas para situações de ansiedade situacional e crises de pânico, ainda que sejam prescritas em demasia, mesmo para quadros de ansiedade generalizada e apesar de estudos revelarem incerteza de eficácia a longo prazo e risco de dependência.
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Fui ao psicólogo mas, afinal, voltei ao mesmo!]]>Helena Coelho, psicóloga clínicahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/1/15/Fui-ao-psic%C3%B3logo-mas-afinal-voltei-ao-mesmohttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/1/15/Fui-ao-psic%C3%B3logo-mas-afinal-voltei-ao-mesmoTue, 15 Dec 2015 17:02:00 +0000
António (nome fictício) chegou à consulta de psicologia visivelmente abatido, com graves sintomas depressivos e um mal-estar que condicionava, significativamente, a sua vida pessoal e profissional. Já tinha feito psicoterapia, que abandonou por razões económicas. Nas 3 semanas seguintes não compareceu à consulta, tendo regressado um mês depois. Passado quase um ano de acompanhamento psicológico, António admitiu ter pensado em não voltar, após a primeira consulta.
Maria (nome fictício) veio à consulta de psicologia com queixas de base ansiosa. Com base nos sintomas e na avaliação, optou-se por uma metodologia interventiva que aliviasse, numa primeira fase, a sintomatologia e que possibilitasse o desenvolvimento de estratégias que ajudariam a reconhecer e reduzir os sintomas do ataque de pânico. Maria, abandonou o tratamento após 5 consultas. Na última consulta a que veio, afirmou sentir-se muito bem.
É frequente ouvir queixas de pessoas que algures no tempo fizeram psicoterapia, tendo por iniciativa própria deixado de ir às consultas, sobre o tratamento psicológico não ter “servido de nada”.
Na verdade, essa pessoa não sabe como seria se não tivesse abandonado as consultas, antecipadamente.
Há vários fatores que podem levar ao abandono precoce da psicoterapia. Conhecê-los é fundamental para prevenir a saída antecipada do tratamento, com consequências para o cliente e para a credibilidade dos profissionais. Os estudos apontam fatores internos (quer do cliente, quer do psicoterapeuta), externos e relacionais, que se associam ao risco de abandono:
dificuldades no desenvolvimento da aliança terapêutica - sabe-se que o risco de abandono precoce por parte do cliente é mais elevado nas 4 primeiras consultas diminuindo, significativamente, após 6 meses de acompanhamento. Na base da desistência a curto prazo, estão fatores internos do cliente e do psicoterapeuta. Ainda há o mito que o psicólogo tem de ser totalmente recetivo a qualquer cliente/problema, o que não é verdade. Há situações e problemáticas que têm repercussão no “mundo interno” do psicoterapeuta de tal forma, que não é possível a construção da, indispensável, relação terapêutica;
experiências anteriores - as vivências do cliente (experiências mais ou menos positivas com técnicos de saúde, por exemplo) podem facilitar, ou não, a aderência à terapia. Pessoas que foram, durante bastante tempo, seguidos por um psicólogo, terão mais dificuldade em se “vincularem” a outro técnico, em particular se noutro registo ou abordagem terapêutica. A atitude comunicacional do terapeuta vai “avivar memórias” e despoletar sentimentos, mais ou menos agradáveis. Por outro lado, a facilidade de aderência ao tratamento será proporcional à empatia sentida pelo cliente;
fatores da personalidade - a estrutura de cada individuo, também, condicionará a aderência do tratamento. Diria mesmo que os fatores personalísticos serão os que mais levam a que um cliente “saltite” de psicólogo em psicólogo, numa busca incansável da “cura”. Uma personalidade patológica, ou seja, uma maneira menos funcional de ser, poderá ser um fator de risco, quer para situações de dependência relacional com o terapeuta, quer para o abandono da terapia. As organizações ditas “borderline” (que tendem estabelecer relações de amor ou ódio) são as que estarão mais associadas à desistência e ao insucesso terapêutico. Cabe ao técnico gerir com cautela o desenrolar da aliança terapêutica e o que se espera do seu trabalho;
gestão das expectativas - ainda há a crença de que, por magia, basta ir às consultas para que o psicólogo, esse ser “iluminado” resolva os problemas. Com o decorrer das consultas, a pessoa começa a perceber que, apesar do esforço ser de ambos, o papel do psicólogo é ser um facilitador da mudança e que para que essa mudança ocorra, a pessoa tem de querer, realmente, ser e estar de forma diferente. Não basta chegar à consulta, descarregar uma tempestade de mal-estar, para que tudo se resolva, é preciso sair da “zona de conforto”. E esse processo pode ser doloroso, demorado e, numa fase inicial, pode levar a que a pessoa “fuja da mudança” e desista;
alterações socio-económicas - ir ao psicólogo, ainda é visto como algo secundário. Cuida-se do biológico, como sendo o único absolutamente necessário, sem a consciência que se os processos emocionais, cognitivos e mentais falham, todo o biológico fica totalmente comprometido. Então, quando é preciso “fazer cortes”, corta-se no que achamos que já não faz falta, afinal já estamos melhor!
Desaparecimento de sintomas não é, necessariamente, sinónimo de que tudo já está bem. Pelo contrário, em muitos casos, mais cedo mais tarde os sintomas voltam, alimentando a crença de que “não serviu de nada” ir ao psicólogo.
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Vale a pena comprar isto? Devo mudar de emprego? O que fazer com a minha relação?]]>Helena Coelho, Psicóloga Clínicahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/1/6/Vale-a-pena-comprar-isto-Devo-mudar-de-emprego-O-que-fazer-com-a-minha-rela%C3%A7%C3%A3ohttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2016/1/6/Vale-a-pena-comprar-isto-Devo-mudar-de-emprego-O-que-fazer-com-a-minha-rela%C3%A7%C3%A3oFri, 06 Nov 2015 11:38:00 +0000
O nosso dia a dia é repleto de decisões, desde as mais simples às mais complexas.
Associado a qualquer decisão, está sempre um contexto de ganhos e perdas, ou seja, sempre que optamos há algo que , invariavelmente, deixamos de poder vivenciar.
A forma como se lida com a tomada de decisão depende muito da personalidade de cada pessoa. Há quem tenha tendência a desresponsabilizar-se (“é a vida, proporcionou-se assim”) por terem dificuldade em lidar com a escolha. Outras pessoas, mais impulsivas ou mais emotivas, tendem a idealizar e a fantasiar sobre o bom, o positivo, menosprezado as referidas perdas, ou seja, sem racionalizarem as vantagens vs desvantagens. Por outro lado, um funcionamento mais lógico e racional, tende a guiar-se pela “obrigação”, pelo “dever” , não arriscando e não valorizando o lado prazeroso da vida.
Para facilitar a decisão importa balancear e procurar um equilíbrio entre o pensar e o sentir. Uma boa ajuda será criar um horário/calendário (com o detalhe que entender necessário), em que numa das colunas coloca o que pensa que vai acontecer e noutra coluna o que idealiza que irá sentir. Procure recolher, antecipadamente, a maior informação possível e não tenha medo de parecer exaustivo/a. Afinal trata-se de algo muito importante: a sua existência e a sua felicidade.
A seguinte check list, poderá ajudar a guia-lo/a a suas escolhas. Boas decisões!
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EU SOU, TU ÉS, ELE É (AGRESSIVO)!]]>Susana Simões | psicóloga clínica, para uptokids.pt/ ®https://www.psicomindcare.pt/single-post/2015/10/22/EU-SOU-TU-%C3%89S-ELE-%C3%89-AGRESSIVOhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2015/10/22/EU-SOU-TU-%C3%89S-ELE-%C3%89-AGRESSIVOThu, 22 Oct 2015 16:04:00 +0000
Quando tomamos a decisão de ser pais não nos passa pela cabeça que o nosso filho possa ser uma criança daquelas que chega ao jardim-de-infância e bate em todos os colegas.
Educar crianças não é uma tarefa fácil, com a agravante que não existem receitas únicas e totalmente eficazes, mas a atitude parental é importantíssima no desenvolvimento da personalidade e dos comportamentos, nomeadamente, na agressividade.
As crianças em idade pré-escolar têm ainda alguma dificuldade em dominar as suas emoções e quando são contrariadas não têm maturidade emocional para se controlarem, acabando por ser agressivas, por exemplo, quando querem o mesmo brinquedo que o seu amigo. Aos poucos a sua capacidade de suportar frustrações vai aumentando e, consecutivamente, diminuem as respostas agressivas.
Quando esses comportamentos agressivos vão acompanhando o crescimento da criança, a situação deve ser analisada para tentar perceber a sua causa, uma vez que a agressividade é, sobretudo, uma forma de comunicação. Ainda que não seja a mais correta, por vezes é a única que as crianças conseguem utilizar para mostrar a sua angústia, tristeza ou ansiedade.
Para que o seu filho cresça emocionalmente saudável, tem de sentir-se amado e valorizado pelos pais, que devem combinar a afetividade com o rigor. Não basta “dar mimo”, é de extrema importância que sejam interiorizadas as regras transmitidas pelos pais, que devem estar em sintonia, tanto na forma como as comunicam, como no seu conteúdo. Não é positivo quando o pai diz uma coisa que a mãe não concorda, que esta aja de forma contrária, em particular na ausência deste, ou vice-versa. Ou seja, os pais devem ensinar pelo exemplo e devem, também eles, cumprir os limites estabelecidos.
Se pretende que o seu filho não seja agressivo, então não o ignore. Ele precisa da sua atenção e do seu carinho e isso passa por:
não o humilhe; repreender é diferente de humilhar e as crianças ficam mais recetivas e entendem mais facilmente se explicar o que esteve certo e errado;não grite, fale com calma; eles aprendem pelo exemplo e se os pais gritam porque não poderão eles gritar?
Por ultimo, as chamadas de atenção e os castigos são importantes quando eles agem de forma incorreta, mas as atitudes positivas devem ser as mais valorizadas, para que eles percebam que ação gera reação e que os seus comportamentos têm consequências, mais ou menos boas.
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As suas emoções também espelham o estado da sua relação afectiva]]>Alice Patrício, psicóloga clínicahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2015/10/02/As-suas-emo%C3%A7%C3%B5es-tamb%C3%A9m-espelham-o-estado-da-sua-rela%C3%A7%C3%A3o-afectivahttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2015/10/02/As-suas-emo%C3%A7%C3%B5es-tamb%C3%A9m-espelham-o-estado-da-sua-rela%C3%A7%C3%A3o-afectivaFri, 02 Oct 2015 20:56:11 +0000
Quanto mais sentir que o relacionamento com o(a) seu(sua) parceiro(a) é satisfatório, maior se tornará a sua capacidade de resiliência e de resposta a situações stressantes do dia a dia.
Este estado ideal tem muito de adquirido, isto é, passa por um processo de aprendizagem acerca da gestão de emoções, que têm sobretudo um papel adaptativo com vista à nossa sobrevivência.
Resumidamente, as emoções informam sobre:
- o nosso estado interno;
- como os outros sentem as nossas emoções e, consequentemente, a interação entre nós e eles e vice versa;
- a nossa interpretação dos acontecimentos;
- posicionam-nos para a acção.
Assim, as nossas emoções determinam as respostas (não só emocionais como também cognitivas) que damos. No campo afectivo, estudos vêm demonstrando que relações afectivas de boa qualidade vividas na infância potenciam maior resiliência a experiências menos agradáveis no futuro. Tal é verdadeiro para com qualquer relação interpessoal.
Consideram-se relações saudáveis de namoro ou entre cônjuges, aquelas em que ambos os parceiros:
- partilham os mesmos valores e objectivos de vida e estão decididos a fazer esse percurso juntos;
- não guardam segredos, promovem a confiança mútua, discutem qualquer assunto abertamente, independentemente da opinião de cada um;
- independentemente da relação que partilham, cada elemento do casal mantém a sua identidade pessoal;
- apoiam-se mutuamente, crescem e evoluem juntos, tomando o/a parceiro/a como elemento inspirador - os sonhos / projectos de vida do parceiro são assumidos mutuamente e complementarmente;
- confiam no outro as suas necessidades pessoais e as suas dúvidas;
- espeitam as suas diferenças, disponibilizam-se para as conhecer (e não só o que querem escutar ou entender) e transformam-nas em aprendizagens;
- Riem e divertem-se juntos;
- demonstram afecto;
- surpreendem-se positivamente;
- convivem com outros.
Pelo contrário, o poder, o controlo, a ditadura dos ciúmes, o domínio do comportamento do outro, a pressão, a intimidação de forma verbal, gestual ou com acções físicas conduzem ao desrespeito e são características de relações não saudáveis e toxicas.
Não se nasce a saber-se amar. Aprende-se a amar. Para isso, comece por aprender a reconhecer os seus próprios erros, comunique, não se perca a fantasiar, reavalie as suas expectativas com base no real.
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Xixi na cama - o que os pais podem fazer?]]>Helena Coelho | psicóloga clínica, para uptokids.pt/ ®https://www.psicomindcare.pt/single-post/2015/09/17/Xixi-na-cama-o-que-os-pais-podem-fazerhttps://www.psicomindcare.pt/single-post/2015/09/17/Xixi-na-cama-o-que-os-pais-podem-fazerThu, 17 Sep 2015 14:30:28 +0000
Fazer xixi, acidentalmente, na cama durante o sono (enurese noturna), é uma situação relativamente comum em crianças pequenas e não é, necessariamente, um sinal de alarme.
Cada criança tem o seu ritmo e há que respeitá-lo. Poderá ser necessária alguma atenção se existirem outros sintomas, se permanecer com o avançar da idade ou se surge com recorrência e após uma fase em que a criança já foi continente.
Para um melhor enquadramento do problema, importa distinguir entre enurese noturna primária e secundária. No primeiro caso a criança nunca chegou a controlar a urina durante a noite, enquanto que na enurese secundária a criança já conseguiu permanecer “seca”, por um período superior a 6 meses. Sendo situações distintas, há que compreendê-las de forma diferenciada.
No recém-nascido e bebés pequenos, a micção é uma função involuntária muito associada ao ato de mamar. Só a partir, sensivelmente, dos dois anos é que a criança começa a desenvolver a capacidade neurológica de controlar a urina. Colocar a criança no bacio antes dessa altura apenas a ajudará a desenvolver o hábito, ou seja, o comportamento de fazer xixi fora da fralda, mas não garante uma desabituação mais rápida ou mais precoce. Pelo contrário, se houver muita ansiedade ou pressão dos pais para antecipar o controlo da urina pode até ser contraproducente, uma vez que a criança pode desenvolver sentimentos de incompetência.
Sendo, regra geral, a continência diurna adquirida mais cedo do que a noturna, estima-se que cerca de 85% das crianças com mais de 5 anos já conseguem dormir à noite sem molhar a cama. Se o seu filho pertence ao grupo dos restantes 15%, não fique alarmada/o, regra geral a situação acaba por se resolver sem necessidade de intervenção, mas talvez seja útil expor a situação (sem medo de julgamentos e sem vergonha) ao seu pediatra, para que se possadespistar, eventuais, causas biológicas.
Se o seu filho já controlava a urina e sem razão aparente fica novamente incontinente, várias vezes na semana e de forma prolongada no tempo, para além de se recomendar o mesmo despiste médico, no sentido de validar se biologicamente tudo está bem, há que olhar para o problema numa perspetiva mais psicológica ou psicossocial.
Pense um pouco. O seu filho:
Foi recentemente para a escola ou jardim-de-infância?Mudou de escola ou de turma?Nasceu um irmão/irmã?Um dos pais (ou familiar próximo) saiu de casa ou foi, por algum motivo, para longe?A dinâmica familiar alterou, ou a família está a passar por um período de vida mais difícil?Algum familiar ou pessoa significativa morreu?
Se a resposta a uma ou mais destas questões for sim, não é fatídico que algo se passe com o seu filho mas, também, não se pode descartar a hipótese de a causa ter uma base psicológica.
Os estudos apontam para uma associação elevada entre a enurese secundária e problemas emocionais, que podem ir desde dificuldades mais ligeiras e contextuais até à depressão ou estados ansiosos graves.
Então, o que pode fazer para ajudar o seu filho?
Em primeiro lugar, liberte-se de todos os pensamentos associados a vergonha ou sentimentos de culpa. Enquanto mãe/pai não terá feito nada de errado. Cada criança tem as suas particularidades e reage de forma diferenciada às mudanças de contexto e às contrariedades;Evite evidenciar demasiada preocupação ou ansiedade em resolver o problema. É comum os pais dizerem ao jantar: “não podes beber água senão fazes xixi na cama”. Regra geral, o nosso cérebro “avisa” que é preciso ir à casa de banho e a criança acorda. Se beber menos líquidos vai urinar menos, mas não impede a micção involuntária durante a noite, em particular, nas situações de enurese secundária;Não ralhe, não castigue e não permita que a criança de sinta humilhada. Durante a manhã, a pressa para ir para a escola e para o trabalho, combinada com a frustração ou sentimento de insucesso perante a evidência de mais dia em que o filho molha a cama, pode desencadear respostas mais agressivas por parte dos pais. Evite deixar-se levar pela reatividade e tenha presente que o seu filho não faz (conscientemente) de propósito ou para a/o aborrecer. Lembre-se que ninguém se sentirá pior do que ele;Atue de forma positiva, especialmente e em dose reforçada, sempre que não haja incidentes noturnos. Não deixe de mostrar ao seu filho o quanto o ama, mesmo quando molha a cama e tente promover momentos em que a criança se sente confortável para falar do que sente, do que a estará a assustar ou a preocupar. Aceite e seja solidário, por muito menor que a situação lhe possa parecer. Evite fazer comparações com outras crianças, em particular com os irmãos. Isso só contribuirá para diminuir a sua autoestima e pode levar a que se sinta, ainda pior.
Na dúvida, procure um apoio especializado. Em situações de enurese secundária, um técnico de psicologia clínica poderá ser um bom aliado na resolução do problema.
Helena Coelho, Psicóloga Clínica Psicomindcare, para Up To Kids®
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